Liz & Soffie – O Peso da Escolha
Liz estava sentada em frente ao espelho, observando sua própria imagem. O vestido perfeito, a maquiagem impecável, mas os olhos... estavam cheios de dúvidas.
Soffie, sentada ao seu lado, cruzou os braços e suspirou.
— Se quiser fugir, eu ainda tenho o carro pronto.
Liz soltou um riso fraco.
— Isso não é engraçado.
— Eu não estou brincando.
Liz abaixou o olhar, apertando o tecido do vestido entre os dedos.
— Eu não posso, Soffie. Meus pais...
— Sempre eles, né? Mas e você? O que você quer?
Liz respirou fundo.
— Não importa mais. Estou aqui. Vou casar.
Soffie pegou suas mãos, os olhos brilhando de emoção e frustração.
— Você é muito mais forte do que pensa, Liz. Só não esqueça disso.
Liz assentiu, sentindo um nó na garganta.
— E se eu acabar me machucando?
Soffie deu um sorriso triste.
— Então eu vou estar aqui para te ajudar a juntar os pedaços.
Liz fechou os olhos por um segundo. Quando os abriu, a decisão estava tomada.
— Vamos lá.
Felipo & Dean – A Última Tentativa
No outro lado da igreja, Felipo encarava seu reflexo no espelho. Dean estava jogado no sofá, observando-o em silêncio antes de se levantar.
— Nunca te vi tão tenso.
Felipo soltou um riso sem humor.
— Porque nunca estive prestes a jogar minha vida fora antes.
Dean bufou.
— Você não está jogando sua vida fora, Felipo. Você está fugindo dela.
Felipo virou-se para o amigo, os olhos frios.
— Você sempre quer me dar lição de moral, mas não entende. Eu não pedi por isso.
— E acha que Liz pediu? Você age como se fosse a única vítima aqui.
Felipo apertou os punhos.
Dean se aproximou, a voz mais calma agora.
— Eu sei que você está assustado. Mas se continuar fugindo, um dia vai perceber que perdeu algo que nunca mais vai poder ter de volta.
Felipo desviou o olhar.
Antes que pudesse responder, Bruno entrou.
— Está na hora.
Felipo respirou fundo, sentindo o peso do momento.
No Altar – A Batalha Silenciosa
Quando Liz entrou na igreja, todos os olhares estavam sobre ela. Mas ela só via um: Felipo.
Ele estava ali, esperando por ela. A expressão fechada, mas os olhos... aqueles olhos azuis pareciam um mar revolto.
Felipo sentiu o estômago revirar ao vê-la. Linda. Elegante. Perfeita.
E não dele.
Quando Liz parou ao seu lado, os olhares se encontraram.
— Você está linda — ele murmurou, quase sem perceber.
Liz piscou, surpresa.
— Obrigada.
O padre pigarreou, iniciando a cerimônia. Mas dentro deles, nada estava resolvido.
O casamento começava agora, mas a verdadeira guerra entre os dois... essa estava apenas começando.
O Sim Entre Dois Estranhos
O padre começou com palavras de bênção, mas Liz mal conseguiu ouvi-las. Seus olhos estavam fixos em Felipo, tentando captar qualquer sinal de emoção. Ele estava sério, seus olhos azuis fixos nela, mas sem expressão, como se estivesse distante, em algum lugar muito além daquela igreja.
Ela sentiu a pressão no peito, como se o ar tivesse sido retirado da sala. O silêncio era esmagador, mas no fundo, o som de seu próprio coração batendo no peito parecia mais forte.
— Felipo Hernandez, você aceita Liz Monteiro Castelin como sua esposa, para amá-la e respeitá-la, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, enquanto ambos viverem? — O padre perguntou, olhando fixamente para Felipo.
Felipo parecia hesitar por um segundo. Seus lábios se apertaram, mas então ele respondeu, com sua voz profunda e firme:
— Sim, aceito.
Liz sentiu um frio percorrer sua espinha. A resposta era esperada, mas ao ouvir suas palavras, tudo parecia mais real. A obrigação, o compromisso, o peso da promessa.
Agora, era a sua vez.
O padre olhou para ela, com um sorriso suave.
— Liz Monteiro Castelin, você aceita Felipo Hernandez como seu marido, para amá-lo e respeitá-lo, na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, enquanto ambos viverem?
Liz olhou para o padre por um instante, tentando manter a compostura. Mas, quando seus olhos se voltaram para Felipo, algo no fundo dela se quebrou. Ela sabia que não o amava, mas algo no jeito dele, naquela intensidade silenciosa, a fez hesitar.
Ela não queria dizer sim. Não queria se comprometer com ele, mas...
Ela olhou para os amigos, para sua mãe, para seu pai. O peso da responsabilidade era esmagador. Ela sabia o que deveria fazer.
— Sim, eu aceito — disse ela, com a voz firme, mas os olhos brilhando com a tensão acumulada.
Felipo a olhou, seus olhos como oceanos profundos e indomáveis. Ele parecia estar analisando cada pedaço dela, cada movimento, mas sem dizer nada. Apenas aceitando a resposta dela.
O padre sorriu, satisfeito, e então, com uma cerimônia formal, disse:
— Pelo poder a mim conferido, eu os declaro marido e mulher. Você pode beijar a noiva.
Felipo se aproximou lentamente, seu olhar fixo em Liz. Ela sentiu o calor de sua proximidade, o cheiro de seu perfume, o peso de sua mão em sua cintura. A tensão no ar era quase palpável.
Por um momento, ela hesitou. Mas, então, ele a beijou.
Foi um beijo suave, não era paixão, não era amor. Mas havia algo nele, algo que a fez se sentir tonta, como se o chão tivesse desaparecido sob seus pés. Ele a beijou com firmeza, com controle, mas também com uma delicadeza que Liz não esperava.
Quando ele se afastou, ela sentiu sua respiração acelerada, como se estivesse saindo de um transe. Seus olhos estavam fixos nos dele, e por um breve segundo, ela pensou que talvez, só talvez, houvesse algo mais naquele beijo.
Mas logo ela se lembrou do que estava fazendo. Do que ele representava.
Era só uma formalidade, ela repetiu para si mesma.
Mas, por dentro, algo parecia ter mudado.
O padre sorriu ao ver o gesto e virou-se para os convidados.
— Senhoras e senhores, apresento-lhes o Sr. e a Sra. Felipo Hernandez.
O som das palmas ecoou pela igreja, mas, para Liz, tudo ficou em silêncio. Ela estava casada. E a vida, de alguma forma, nunca mais seria a mesma.
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Atualizado até capítulo 100
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