O motor do carro ainda roncava baixinho, mas o verdadeiro silêncio vinha de dentro do veículo. A tensão entre Felipo e Liz era palpável, densa, como se qualquer palavra pudesse provocar uma explosão.
Felipo manteve as mãos firmes no volante, os olhos fixos na rua à sua frente. Seu maxilar estava travado, e Liz percebeu que algo o incomodava mais do que ele gostaria de admitir.
Ela soltou o cinto, pronta para sair, quando a voz dele rompeu o silêncio:
— Essa foi a última vez que você fez isso.
Liz franziu a testa, parando o movimento de abrir a porta.
— O quê?
Felipo finalmente virou o rosto para encará-la. Seus olhos azuis estavam intensos, carregados de algo que Liz não conseguiu decifrar de imediato.
— Eu não quero mulher minha em baladas conversando com outros. Não fica bem pra minha imagem.
Liz piscou, processando aquelas palavras. E então, soltou uma risada baixa e irônica.
— Mulher sua? — Ela inclinou a cabeça, divertindo-se com a audácia dele. — Engraçado, porque eu não me lembro de assinar um contrato de posse.
Felipo não sorriu. Pelo contrário, seu olhar se estreitou, como se estivesse tentando se segurar.
— Você sabe o que eu quis dizer.
— Sei? — Liz arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços. — Porque, sinceramente, não parece.
Ele bufou, desviando o olhar para o para-brisa, claramente impaciente.
Liz percebeu que o comportamento dele era uma tentativa falha de esconder o incômodo. Mas incômodo com o quê? Com o fato de que ela estava conversando com outro homem? Ou com o fato de que, talvez, ele estivesse sentindo algo que não queria admitir?
O silêncio se prolongou por alguns segundos. Liz abriu a boca para dizer algo, mas Felipo foi mais rápido.
— Você se importa muito com sua imagem — ela provocou, estreitando os olhos. — Mas me diz, Felipo, quem é você para falar sobre isso? Quem é você para me dizer com quem eu posso ou não conversar, quando você passa as noites correndo atrás de rabos de saia?
Felipo virou o rosto para ela de novo, e Liz viu algo faiscar em seus olhos.
Irritação.
Mas também havia algo mais ali.
Algo que parecia perigoso.
— Eu não te devo satisfações — ele disse, a voz baixa, mas carregada de firmeza.
Liz cruzou os braços, um sorriso frio curvando seus lábios.
— Exatamente. Assim como eu também não te devo nada.
Felipo passou a língua pelos lábios, inspirando fundo, como se estivesse lutando para não dizer algo que se arrependeria depois.
Liz sabia que estava brincando com fogo. Mas, de certa forma, adorava ver o autocontrole dele escorregar.
Era a prova de que, por mais que ele tentasse, Felipo não estava tão imune a ela quanto gostaria.
O problema era que, no fundo, Liz também sentia algo. Ela não queria, mas sentia.
Felipo não era apenas um homem bonito. Ele era intenso, misterioso… e irritantemente atraente.
Ela odiava admitir isso para si mesma.
Felipo, por outro lado, não queria admitir que estava sendo afetado. Mas a verdade era que, desde que a vira na boate, algo dentro dele se revirou.
O vestido colado no corpo dela, o cabelo solto caindo em ondas suaves, os olhos brilhantes sob as luzes da boate… tudo nela parecia ter sido feito para provocá-lo.
E o pior de tudo?
Ela nem estava tentando.
Felipo soltou um riso seco e balançou a cabeça.
— Faça o que quiser, Liz. Mas lembre-se… — Ele inclinou-se levemente para perto dela, sua voz se tornando um sussurro carregado de algo sombrio. — No final, você ainda vai ser minha esposa.
Liz sentiu um arrepio subir por sua espinha, mas não se permitiria demonstrar.
Ela manteve a expressão firme, abriu a porta e saiu sem dizer mais nada.
Felipo ficou ali, observando-a entrar no prédio antes de finalmente dar partida e desaparecer na noite.
O problema era que, por mais que dissesse que não se importava…
Ele se importava.
E isso o irritava mais do que qualquer coisa.
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Atualizado até capítulo 100
Comments
Celia Teotônio
kkkkkkkkkk, todo cachorro vira lata quando encontra uma dona que te coloca uma coleira fica assim sem entender,ou aceitar de início kkk
mais depois da a patinha e abandona o rabinho kkkkkkkkkk
parabéns autora sua estória está muito boa 👏👏👏
2025-03-31
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