Parte Dois – A Boate
Felipo estava em um estado mental conturbado. Ele sentia a batida da música vibrando em seu peito, mas não conseguia se concentrar nela. Seus olhos, contra sua vontade, estavam fixos em Liz. Ela estava mais uma vez no centro das atenções, mas desta vez, o que o incomodava não era apenas sua aparência deslumbrante, mas a atenção que ela estava recebendo de outros homens. Ele tentou, em vão, se distrair, olhar para o lado, se manter ocupado com seu copo, mas algo dentro dele não conseguia ignorar. Não conseguia desviar os olhos.
Ele viu aquele homem se aproximar de Liz. Era um homem mais alto, com cabelo escuro e uma postura confiante. Ele sorriu para Liz, e ela retribuiu com um sorriso tímido e educado. Felipo sentiu algo em seu peito apertar, algo que não estava preparado para lidar. Ele sabia que Liz não era uma criança, que não seria ingênua o suficiente para não perceber que estava atraente, mas o que o incomodava profundamente era o modo como ela parecia confortável com isso. Como se fosse natural.
Quem esse cara pensa que é? Felipo pensou, quase sussurrando para si mesmo. Seus músculos estavam tensos, e seus olhos não conseguiam desviar. O que eu estou fazendo aqui? Por que isso está me incomodando tanto?
A visão deles conversando e trocando risadas mexia com ele de uma maneira que ele não sabia explicar. Liz estava se divertindo, e aquilo parecia como uma sentença de condenação para Felipo. Ele sentiu uma raiva súbita, inexplicável, brotar dentro dele.
Foi então que Dean apareceu ao seu lado, com um sorriso de quem já sabia o que estava acontecendo. Dean sempre tinha essa habilidade de perceber quando Felipo estava tentando esconder algo. Sempre um passo à frente.
— Vai deixar ela dançar sozinha, cara? — Dean perguntou, a voz cheia de provocação. Ele já sabia que Felipo estava incomodado, e não perdeu tempo em cutucar.
Felipo lançou um olhar rápido para Dean, tentando manter a calma, mas seu desconforto era evidente.
— Não é da sua conta — Felipo respondeu de forma ríspida, os dentes apertados. Ele sabia que Dean estava apenas tentando irritá-lo, mas não podia negar que algo em seu interior se agitava.
Dean, com um sorriso malicioso, olhou na direção de Liz e o homem com quem ela estava conversando, fazendo questão de prolongar o olhar.
— Claro que não. Você não está nem um pouco preocupado com isso. — Dean continuou, zombando, mas com um tom de quem estava tocando em algo mais profundo. — Aí está ela, toda radiante, e tem um monte de caras esperando para chamar a atenção dela. Quem diria que a mulher com quem você vai se casar teria tanto poder sobre você, hein?
Felipo tentou afastar esse pensamento, mas a palavra poder ressoou na sua mente. Poder? Era isso que ela tinha sobre ele? Aquela mulher com quem ele mal trocou palavras? Aquela mulher que fazia parte de um contrato, uma obrigação?
Mas então, ele olhou novamente para ela. Liz estava rindo com o homem. A risada dela, leve, sem preocupações, parecia preenchê-lo com uma sensação de possessividade que ele não sabia que tinha. Ela parecia tão à vontade, tão segura de si, e isso só o incomodava ainda mais. Ela parecia… feliz. Felipo não sabia lidar com isso. Não sabia o que estava acontecendo com ele. Era só mais um casamento. Só mais uma formalidade.
Não importa o que ela faça. Eu não posso querer mais do que isso. Ela está aqui por um motivo, e eu não vou me deixar levar por essa atração. Felipo tentou se convencer. Mas, mesmo assim, ele sentiu um incômodo crescente, como se algo dentro dele estivesse sendo arrastado para um lugar escuro e confuso.
Dean, sempre atento, percebeu a luta interna de Felipo. Ele sabia que Felipo estava começando a se questionar, e isso o divertia. Dean sempre soubera que Felipo não era imune aos encantos de uma mulher. Afinal, quem seria? Mas ver o grande Felipo Hernandez, o playboy da cidade, começando a ficar incomodado com um simples olhar de outra pessoa sobre Liz… isso era algo novo.
Dean cruzou os braços, sem tirar os olhos de Felipo, e continuou a provocação.
— Não parece muito tranquilo aí, cara. Está vendo como ela está? Fazendo a festa enquanto você fica aí, se remoendo. Você não vai fazer nada? Não vai intervir? Vai deixar esse cara roubar a cena?
Felipo mordeu o lábio, seu olhar escuro fixo em Liz e o homem ao seu lado. Ele não queria admitir, mas Dean estava certo. Ele sentiu que havia algo mais acontecendo ali, algo que ele não estava disposto a reconhecer. Algo que não se resumia apenas à formalidade do casamento. Algo que estava ameaçando sair de seu controle.
Eu não posso... eu não posso me apaixonar por ela. Não posso querer ela. Não agora. Felipo pensou, suas mãos se fechando em punhos. Mas se ela ficar com outro… eu…
Felipo engoliu em seco, tentando se afastar dos pensamentos perturbadores que estavam tomando conta de sua mente. Ele não queria isso. Não queria se envolver. Mas, quando seus olhos encontraram os de Liz novamente, seu peito apertou, e uma sensação de ciúmes, não muito familiar, tomou conta dele.
Dean deu mais um passo à frente, sempre atento às reações de Felipo, com um sorriso irônico no rosto.
— Vai deixar ela ir para casa com outro, Felipo? A noiva de um mês? O que você vai fazer, cara? Vai deixar ela viver sua vida enquanto você continua aí, fazendo a sua? Ou você vai lutar por ela?
Felipo estava prestes a responder, mas sua garganta estava apertada. Ele sentia que estava preso em um dilema que não sabia como resolver. Eu não posso… Eu não posso querer isso. Mas a verdade era que ele queria. Ele queria algo mais, algo que não se encaixava em sua vida, algo que ele não sabia como controlar.
Ele olhou para Dean, e, por um momento, as palavras não saíam. O que ele queria dizer? Que não se importava? Que não estava se sentindo incomodado? Era mentira.
— Eu não preciso disso, Dean. Eu não preciso dela. — Felipo disse, mais para si mesmo do que para Dean, tentando reafirmar sua decisão. — Isso é só uma formalidade. Apenas um contrato. Eu não sou idiota, não vou me deixar enganar.
Mas, por dentro, Felipo sabia que estava mentindo. Ele estava longe de ser indiferente. E isso o incomodava mais do que qualquer coisa .
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Atualizado até capítulo 100
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