Felipo entrou no escritório do pai sem se dar ao trabalho de bater na porta.
— Se for para mais um sermão, pode poupar seu tempo.
Bruno, sentado atrás da mesa, nem precisou falar. Apenas deslizou o celular na direção do filho.
Na tela, um site de fofocas exibia a manchete em letras garrafais:
"Felipo Hernandez é visto com nova acompanhante a poucos dias do casamento! Onde está sua futura esposa?"
Felipo revirou os olhos e jogou o aparelho de volta na mesa.
— Isso de novo? Você está se preocupando com besteira.
Bruno riu. Mas não era uma risada divertida. Era seca, carregada de desprezo.
— Besteira? Você está me dizendo que envergonhar sua noiva publicamente é besteira?
Felipo cruzou os braços.
— Ah, por favor. O que você quer que eu faça? Fique trancado em casa até o casamento?
Bruno se levantou devagar, apoiando as mãos na mesa.
— Quero que tenha um mínimo de dignidade. Coisa que, pelo visto, você não aprendeu.
Felipo sentiu o sangue esquentar.
— Dignidade? Você quer falar de dignidade, pai? O mesmo homem que deixou minha mãe fugir com outro homem? Você quer me dar lição de moral?
Bruno bateu a mão na mesa com tanta força que o barulho ecoou pelo escritório.
— Cuidado com o que fala.
Felipo deu um passo à frente, desafiador.
— Ou o quê? Vai me expulsar da família?
Bruno não piscou.
— Se for necessário, sim.
Felipo ficou em silêncio por um segundo.
Nunca tinha visto o pai tão sério.
Bruno respirou fundo e continuou, a voz carregada de desprezo.
— Você acha que é um homem, Felipo? Olhe para si mesmo. Pulando de cama em cama, se comportando como um moleque mimado. Você tem 25 anos, mas age como se tivesse 18.
Felipo riu, mas não havia humor.
— E você age como um hipócrita. Me criou para ser um Hernandez, para nunca me importar com sentimentos. E agora quer que eu banque o marido fiel e apaixonado?
Bruno apertou os punhos.
— Não estou pedindo que finja nada. Estou mandando que respeite a mulher que vai se casar com você.
— Ah, claro! Porque esse casamento é sobre respeito, né? — Felipo gargalhou, mas seus olhos brilharam com raiva. — Não passa de um acordo sujo, e você sabe disso!
Bruno deu a volta na mesa e parou na frente do filho, os olhos escuros como tempestade.
— Negócio ou não, Liz é uma mulher de valor. Ela não é como essas vadias que você leva para a cama.
Felipo cerrou os punhos.
— E desde quando você se importa com isso? Desde quando você se importa com qualquer coisa além dos seus malditos negócios?
Bruno estreitou os olhos.
— Eu me importo quando meu próprio filho se comporta como um canalha. Eu me importo quando vejo que falhei como pai.
O peito de Felipo apertou, mas ele não demonstrou.
— Você não falhou como pai, Bruno. Você só nunca foi um.
O silêncio no escritório ficou pesado.
Bruno soltou uma risada seca.
— Engraçado… Você fala isso com tanto rancor, mas sabe o que eu vejo? Vejo o retrato exato da mulher que te colocou no mundo e foi embora.
O rosto de Felipo endureceu.
Bruno continuou, sem piedade.
— Você quer agir como se nada importasse, como se sentimentos fossem irrelevantes. Exatamente como ela fez quando te abandonou. Você sempre quis provar que é diferente dela, mas no final, está repetindo a história dela passo a passo.
Felipo sentiu a raiva fervendo no peito.
— Eu não sou como ela!
— Não? — Bruno inclinou a cabeça. — Então me prove.
Felipo abriu a boca, mas não tinha resposta.
Bruno se afastou, pegando o celular da mesa.
— Deixe isso bem claro, Felipo: se eu vir outra manchete dessas, se eu souber que você desrespeitou Liz novamente, eu acabo com você.
— Vai me deserdar? — Felipo zombou, tentando soar indiferente, mas sua voz saiu tensa.
Bruno sorriu friamente.
— Você sempre achou que eu nunca teria coragem, né? Então tente a sorte.
Filipo odiava admitir que, dessa vez, Bruno tinha atingido onde mais doía.
Agora a discussão ficou ainda mais intensa, com provocações profundas e verdades que Filipo não quer encarar. Ele sente o peso da ameaça do pai, mas, mais do que isso, sente a comparação com a mãe é uma facada no ego.
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Felipo estava no limite. Seu corpo queimava de raiva e frustração, e tudo o que ele queria era sair dali e esquecer a conversa. Mas algo nas palavras do pai o mantinha imóvel, como se ele estivesse sendo forçado a ouvir uma verdade que não queria.
Bruno deu um passo à frente, seus olhos agora mais sombrios do que nunca, como se o peso de uma vida inteira estivesse prestes a se soltar.
— Eu sei o que você está pensando. Que sua mãe não te queria. Que a culpa de tudo que você é é dela. Mas eu... Eu vou te dizer o que nunca disse. Nunca contei pra ninguém, nem mesmo pra você.
Felipo tentou interromper, mas a voz de Bruno soou firme, cortante.
— Quando soube que você estava a caminho, eu fui imensamente feliz. Quando te vi pela primeira vez, logo depois de nascer, eu soube que seria seu pai até o fim. Eu sabia que seríamos uma família. Mas então, sua mãe, a mulher que eu tanto amei, me fez uma proposta que... que foi o fim pra mim.
Felipo sentiu o estômago revirar. Ele jamais imaginaria que o pai falaria daquela forma sobre sua mãe. Mas Bruno não parou.
— Ela me pediu dinheiro para não te abortar. Ela não queria você. Ela não queria nada disso. Eu fui um idiota, achando que a amava tanto, que ela também me amava. Mas o que eu não sabia era que você seria a cópia dela, o reflexo de tudo que me destruiu.
Felipo tentou desviar o olhar, mas Bruno deu um passo mais próximo, agora mais vulnerável do que jamais fora.
— Mas mesmo assim... Eu te dei todo o amor e carinho que um pai poderia dar. Eu te ensinei a ser homem, a ser forte, a ser alguém de valor. O tempo todo, eu te protegi, te amei como se você fosse o maior presente que eu já recebi. Porque, no fundo, o que eu sempre quis foi te dar uma chance de ser melhor do que ela.
Felipo sentiu seu peito apertar, o nó na garganta crescendo a cada palavra. Ele queria gritar, queria fugir, mas as palavras de Bruno estavam coladas à sua alma.
— E agora, você... você me responde dessa forma? Achando que as mulheres são apenas objetos para passar o tempo? O que você está fazendo com Liz é um reflexo de tudo que sua mãe me fez passar, e isso está destruindo o pouco que ainda existe de você aqui, Felipo. Você se tornou uma cópia da mulher que me enganou, que me destruiu. E eu, como seu pai, não vou mais tolerar isso. Você me decepcionou mais do que eu jamais imaginei.
Felipo ficou em silêncio, as palavras do pai ecoando em sua mente como um eco distante. Ele não sabia o que responder. O peso do amor, da dor e da raiva de Bruno era demais para que ele compreendesse de uma vez.
— Eu te dei a chance de ser diferente, Felipo. Mas agora, se continuar nessa direção... eu não sei mais o que fazer por você. Você vai me perder. Vai me perder, vai perder Liz, vai perder tudo o que eu fiz por você. E sabe o que é mais cruel? Eu nunca mais vou ser o mesmo com você. Nunca mais.
Felipo sentiu a ameaça de Bruno. Nunca o ouviu tão raivoso, tão dolorido. Ele nunca imaginou que o pai se importasse tanto, e a última coisa que ele esperava era ouvir essa revelação sobre sua mãe, sobre o amor que Bruno sentia por ele.
Mas algo naquele momento mudou dentro dele. Ele não podia mais ignorar a dor, a raiva, nem a culpa que se formava em seu peito. Bruno estava certo, mas Felipo não sabia como lidar com tudo isso.
Sem dizer uma palavra, ele virou as costas e saiu, sentindo os olhares de seu pai queimando nas suas costas. Mas ao contrário das outras vezes, a fuga não o fez se sentir melhor. Algo dentro dele estava quebrado, algo que ele não poderia consertar com simples palavras ou ações.
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Atualizado até capítulo 100
Comments
Celia Aparecida
nossa isso foi forte de mais coitado do pai de felipo isso é muito triste e difícil de digerir
2025-03-31
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