Felipo entrou no carro sem dizer uma palavra. Apenas ligou o motor e esperou que Liz colocasse o endereço no GPS.
O silêncio entre eles não era apenas desconfortável, era quase sufocante.
Liz digitava o endereço no celular com os dedos ligeiramente trêmulos. Talvez fosse pelo frio da noite... ou talvez não.
Felipo estava ao seu lado, e sua presença era intensa demais, mesmo sem ele falar nada.
Enquanto ela terminava, Felipo tentou focar na estrada, mas algo o distraiu.
O perfume dela.
Era suave, doce, mas ao mesmo tempo carregava uma sofisticação que grudava no ar. Como se fosse feito para provocar, para instigar.
Ele inspirou fundo, tentando ignorar. Mas era impossível.
Liz não fazia ideia do efeito que causava.
Ou talvez soubesse...
Ele apertou os dedos no volante.
Droga.
— Pronto, já coloquei — Liz anunciou, a voz baixa, quase hesitante.
Felipo apenas assentiu e começou a dirigir.
Cada minuto dentro daquele carro parecia se arrastar como uma eternidade. O silêncio entre eles era cortante, cheio de coisas não ditas.
Felipo manteve os olhos na estrada, mas, de tempos em tempos, seu olhar teimava em deslizar para o lado.
Liz estava com o rosto levemente inclinado para a janela, os olhos fixos na cidade iluminada.
As luzes dos postes piscavam sobre sua pele, destacando os traços delicados de seu rosto. Seus lábios...
Ele desviou o olhar rapidamente.
Não.
Isso era um jogo perigoso.
Liz, por outro lado, também sentia o peso daquele silêncio. Não precisava olhar para Felipo para perceber que algo estava diferente. Ele estava tenso. Irritado, talvez.
Ou... incomodado?
A ideia a fez morder o lábio.
Será que era porque a viu conversando com outro homem? Será que... aquilo o afetou?
Ela não deveria se importar. Mas, de alguma forma, se pegou analisando os traços dele.
A forma como segurava o volante com firmeza, como sua mandíbula estava travada, como seus olhos azuis pareciam mais escuros sob a luz do painel.
Ele era lindo. Sempre soube disso. Mas agora, dentro daquele carro, com aquela tensão pairando entre eles...
Ele parecia ainda mais.
Liz desviou o olhar rapidamente, xingando a si mesma mentalmente.
A última coisa que queria era se perder no que sentia.
— Você sempre sai assim? — A voz de Felipo rompeu o silêncio.
Liz franziu o cenho, surpresa com a pergunta.
— Assim como?
— Vestida desse jeito.
Liz piscou algumas vezes antes de soltar uma risada baixa e incrédula.
— Ah, agora você quer ditar como eu me visto?
Felipo bufou, desviando o olhar para ela rapidamente antes de voltar a encarar a estrada.
— Não falei isso.
— Foi exatamente o que pareceu — Liz retrucou, cruzando os braços.
Felipo apertou a mandíbula, claramente incomodado.
Liz percebeu a tensão nos ombros dele e, por um segundo, se perguntou... Ele estava mesmo irritado? Ou era ciúmes?
A ideia a pegou desprevenida.
Felipo não era do tipo que se importava. Ele sempre deixou claro que esse casamento não passava de um negócio para ele.
Então, por que parecia incomodado?
— Você pode sair com quantas mulheres quiser — ela disse, a voz carregada de ironia —, mas eu não posso usar um vestido?
Felipo fechou os olhos por um breve instante, como se estivesse contando mentalmente até dez.
— Liz...
— O que foi? — Ela arqueou uma sobrancelha.
Ele não respondeu de imediato. Apenas continuou dirigindo, o maxilar trincado.
Liz percebeu.
Percebeu que, por mais que ele tentasse disfarçar, alguma coisa estava diferente.
Talvez, pela primeira vez, Felipo estivesse sentindo algo que ele próprio não entendia.
E isso era perigoso.
Muito perigoso.
A viagem seguiu, o silêncio voltando a preencher o espaço entre eles. Mas, dessa vez, não era um silêncio vazio.
Era carregado.
Pesado.
Cheio de tensão não resolvida.
Liz sabia que estava brincando com fogo.
E Felipo sabia que já estava queimando.
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Atualizado até capítulo 100
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