3 Capítulo
A boate estava lotada, o cheiro de álcool e perfume caro se misturava no ar. Felipo estava no bar, girando o gelo dentro do copo de whisky, o olhar perdido. A música alta fazia seu peito vibrar, mas nada era capaz de calar a tempestade dentro dele.
Dean se aproximou, pegando uma cerveja antes de se encostar ao balcão.
Dean: (olhando Felipo de cima a baixo, desconfiado) — Você tá com uma cara péssima. O jantar foi tão ruim assim?
Felipo: (solta uma risada seca, jogando o restante do whisky na boca) — Péssimo? Foi um pesadelo.
Dean: (arqueia a sobrancelha, curioso) — O que aconteceu?
Felipo: (joga o copo vazio no balcão e encara o amigo com um sorriso irônico) — Eu vou casar.
Dean, que estava no meio de um gole de cerveja, engasga imediatamente. Ele tosse algumas vezes, tentando recuperar o fôlego, enquanto olha para Felipo como se ele tivesse acabado de dizer que iria se mudar para Marte.
Dean: (chocado) — O quê?!
Felipo: (dá de ombros, pedindo mais whisky para o barman) — Isso aí que você ouviu.
Dean: (balança a cabeça, incrédulo) — Você… casando? Isso é piada, né?
Felipo: (bebe um gole, sem expressão) — Se for, meu pai tem um péssimo senso de humor.
Dean: (apoiando os cotovelos no balcão, tentando entender) — Cara, você sempre disse que casamento era perda de tempo! Desde quando decidiu que quer se amarrar?
Felipo: (solta um suspiro exasperado e encara o amigo) — Eu não decidi. Foi decidido por mim.
Dean: (estreita os olhos, analisando-o) — Ah, entendi. Casamento arranjado?
Felipo: (solta uma risada sarcástica) — Bingo.
Dean: (cruza os braços, ainda tentando processar) — E quem é a noiva da vítima?
Felipo: (passa a mão pelo rosto, impaciente) — Liz Castelin.
Dean: (assobia baixo, surpreso) — Uau. Família poderosa.
Felipo: (revirando os olhos) — Como se isso mudasse alguma coisa.
Dean: (observando o amigo com atenção) — E como ela reagiu?
Felipo: (solta um riso seco, lembrando da atitude firme de Liz no jantar) — Não é uma tola, isso eu te garanto. Mas também não parece muito animada.
Dean: (inclina a cabeça, curioso) — E por que estaria? Se fosse ao contrário, você também estaria surtando.
Felipo: (estreita os olhos para ele, já irritado) — Eu estou surtando.
Dean: (dá um gole na cerveja, pensativo) — E agora? Vai fazer o quê?
Felipo: (dá um meio sorriso, debochado) — O que eu faço de melhor: nada.
Dean: (o encara, sério) — E se isso for uma chance, Felipo?
Felipo: (franze a testa, confuso) — Chance do quê?
Dean: (com um olhar firme) — De mudar. De crescer.
Felipo: (solta um riso incrédulo e balança a cabeça) — Lá vem você com esse papo motivacional.
Dean: (ignora o sarcasmo, mantendo o tom calmo) — Você nunca quis se apegar a ninguém, mas talvez seja porque nunca teve um motivo.
Felipo: (fecha a expressão, claramente desconfortável com a direção da conversa) — Eu não quero um motivo.
Dean: (arqueia a sobrancelha) — Tem certeza?
Felipo aperta o maxilar, desviando o olhar. O whisky já não parecia tão forte quanto a sensação incômoda dentro dele.
Felipo: (murmura, quase como um aviso) — Essa conversa acabou.
Dean suspira, tomando um último gole da cerveja antes de dar um tapinha no ombro do amigo.
Dean: (baixinho, antes de sair) — A questão é… e se ela já for o motivo?
Felipo não responde. Apenas encara o líquido âmbar no copo, como se fosse encontrar uma resposta ali.
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Atualizado até capítulo 100
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