Capítulo 13 – O Plano

[Cena: Apartamento de Noah – Manhã]

O cheiro de café recém-passado tomou conta do apartamento. Noah estava encostado na pia, segurando uma caneca enquanto observava Luca, que mexia no celular com uma expressão tensa.

— Notícias ruins? — Noah perguntou, tomando um gole de café.

Luca suspirou, jogando o celular na mesa.

— Ricci tá procurando por mim em todos os lugares. E não só ele. Alguns dos meus antigos contatos mandaram mensagens suspeitas.

Noah franziu a testa.

— Acha que alguém já sabe que você tá aqui?

— Ainda não. Mas é questão de tempo.

Noah passou a mão pelos cabelos, sentindo a tensão se acumular em seus ombros.

— A gente precisa agir antes que eles nos encontrem primeiro.

Luca sorriu de canto.

— "A gente", hein? Então você tá oficialmente envolvido nisso?

Noah bufou.

— Cala a boca.

Luca riu, mas logo ficou sério.

— Eu tenho um plano. Mas você não vai gostar.

— Eu já não tô gostando.

— Preciso voltar para a equipe como se nada tivesse acontecido.

Noah quase derrubou a caneca.

— Você enlouqueceu?!

— Se eu continuar sumido, eles vão ter certeza de que estou tramando algo. Se eu aparecer, parecendo vulnerável e confuso, eles podem abaixar a guarda.

— Ou podem terminar o trabalho que começaram.

Luca inclinou a cabeça, avaliando Noah com curiosidade.

— Você tá preocupado comigo?

Noah apertou os lábios, desviando o olhar.

— Eu só não quero um corpo no meu sofá. Dá trabalho limpar sangue seco.

Luca sorriu.

— Claro. Tudo por causa da limpeza.

— Exatamente.

Luca ficou em silêncio por um momento, depois suspirou.

— Eu entendo que seja arriscado, mas não vejo outra saída. Eu preciso descobrir quem tá por trás disso.

Noah sabia que Luca estava certo. O problema era confiar que ele conseguiria sair dessa inteiro.

Ele soltou um longo suspiro e colocou a caneca na pia.

— Então a gente faz isso do meu jeito.

Luca arqueou uma sobrancelha.

— Seu jeito?

— Sim. Você volta para a equipe… mas eu vou estar por perto o tempo todo.

Luca sorriu.

— Você realmente não consegue ficar longe de mim, né?

Noah cruzou os braços.

— Cala a boca e veste uma roupa decente. A gente tem um plano pra executar.

 

[Cena: Thunderbolt Racing – Oficina]

O burburinho cessou no instante em que Luca atravessou a porta da oficina. Todos pararam o que estavam fazendo para encará-lo, alguns com surpresa, outros com desconfiança.

Alex foi o primeiro a se aproximar.

— Você tá bem? Onde diabos você tava?

Zoe, Ethan e os outros também cercaram Luca.

— Achei que estivesse no hospital. — Zoe disse, estreitando os olhos.

— A imprensa tá inventando mil teorias. — Ethan completou.

Luca ergueu as mãos.

— Calma, pessoal. Eu só precisava de um tempo pra me recuperar. Mas já tô de volta.

O grupo trocou olhares. Alex ainda parecia desconfiado.

— E como sabemos que você não tá escondendo algo?

Antes que Luca pudesse responder, Noah entrou na conversa.

— Porque eu estive com ele.

Todos se viraram para Noah.

— Você sabia onde ele tava esse tempo todo? — Zoe perguntou.

Noah deu de ombros.

— Eu tava garantindo que ele não fizesse nenhuma besteira.

— E agora que voltou, o que pretende fazer? — Alex perguntou, ainda cruzando os braços.

Luca sorriu.

— O que eu faço de melhor. Correr.

A tensão no ar diminuiu um pouco, mas Noah percebeu que algumas expressões ainda estavam carregadas de desconfiança.

Luca bateu nas costas de Alex e piscou para Zoe.

— Agora, se me dão licença, eu preciso revisar meu carro. Tenho uma corrida pra ganhar.

Noah observou enquanto Luca se afastava e percebeu um detalhe que ninguém mais notou: Ricci estava na entrada da oficina, observando tudo.

Os olhos dele encontraram os de Noah por um breve instante, e então ele se virou e saiu.

Noah sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

Aquele jogo estava longe de acabar.

____

[ Noite – Estacionamento da Thunderbolt Racing]

Noah encostou-se ao capô do carro, os braços cruzados enquanto observava Luca, que estava parado a poucos metros de distância, encarando o horizonte. A oficina já estava vazia, e o estacionamento mal iluminado trazia uma sensação estranha de calmaria antes da tempestade.

— Você percebeu, né? — Noah quebrou o silêncio.

Luca soltou um suspiro e passou a mão pelos cabelos.

— Ricci?

— Sim. Ele estava te observando. E ele sabe que tem algo errado.

Luca virou-se para Noah, um sorriso sem humor nos lábios.

— Sempre sabe. Ele é do tipo que sente o cheiro do medo.

Noah apertou os punhos.

— E você não tem medo?

Luca deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. Seus olhos escuros brilharam sob a luz fraca do poste mais próximo.

— Eu tenho. Mas não deixo que vejam.

Noah sustentou o olhar dele, sentindo a intensidade daquela resposta pesar no peito.

— Se ele vier atrás de você, o que pretende fazer?

Luca inclinou a cabeça, o olhar afiado como uma lâmina.

— Você já sabe a resposta, Reyes. Eu corro.

Noah respirou fundo, desviando o olhar por um instante antes de encarar Luca novamente.

— E se correr não for suficiente?

Luca deu mais um passo, agora próximo o bastante para que Noah sentisse o cheiro da gasolina misturada ao perfume amadeirado dele.

— Aí… eu luto.

O coração de Noah bateu mais forte. Algo naquela proximidade, naquela tensão não dita, estava tirando o equilíbrio dele.

Ele deveria dar um passo para trás. Manter a distância. Mas, ao invés disso, ficou onde estava.

Luca sorriu de canto, percebendo a hesitação.

— Sabe, Reyes… você é bom em fingir que não se importa. Mas seu olhar sempre te entrega.

Noah revirou os olhos, tentando disfarçar o arrepio que percorreu sua espinha.

— E você é bom em falar merda.

Luca riu, baixinho.

— E mesmo assim, você continua aqui.

Noah apertou os lábios, sentindo a tensão aumentar entre eles.

Se aproximar demais de Luca era perigoso. Mas agora… já não tinha mais volta.

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