[Cena: Apartamento de Noah – Manhã]
O cheiro de café recém-passado tomou conta do apartamento. Noah estava encostado na pia, segurando uma caneca enquanto observava Luca, que mexia no celular com uma expressão tensa.
— Notícias ruins? — Noah perguntou, tomando um gole de café.
Luca suspirou, jogando o celular na mesa.
— Ricci tá procurando por mim em todos os lugares. E não só ele. Alguns dos meus antigos contatos mandaram mensagens suspeitas.
Noah franziu a testa.
— Acha que alguém já sabe que você tá aqui?
— Ainda não. Mas é questão de tempo.
Noah passou a mão pelos cabelos, sentindo a tensão se acumular em seus ombros.
— A gente precisa agir antes que eles nos encontrem primeiro.
Luca sorriu de canto.
— "A gente", hein? Então você tá oficialmente envolvido nisso?
Noah bufou.
— Cala a boca.
Luca riu, mas logo ficou sério.
— Eu tenho um plano. Mas você não vai gostar.
— Eu já não tô gostando.
— Preciso voltar para a equipe como se nada tivesse acontecido.
Noah quase derrubou a caneca.
— Você enlouqueceu?!
— Se eu continuar sumido, eles vão ter certeza de que estou tramando algo. Se eu aparecer, parecendo vulnerável e confuso, eles podem abaixar a guarda.
— Ou podem terminar o trabalho que começaram.
Luca inclinou a cabeça, avaliando Noah com curiosidade.
— Você tá preocupado comigo?
Noah apertou os lábios, desviando o olhar.
— Eu só não quero um corpo no meu sofá. Dá trabalho limpar sangue seco.
Luca sorriu.
— Claro. Tudo por causa da limpeza.
— Exatamente.
Luca ficou em silêncio por um momento, depois suspirou.
— Eu entendo que seja arriscado, mas não vejo outra saída. Eu preciso descobrir quem tá por trás disso.
Noah sabia que Luca estava certo. O problema era confiar que ele conseguiria sair dessa inteiro.
Ele soltou um longo suspiro e colocou a caneca na pia.
— Então a gente faz isso do meu jeito.
Luca arqueou uma sobrancelha.
— Seu jeito?
— Sim. Você volta para a equipe… mas eu vou estar por perto o tempo todo.
Luca sorriu.
— Você realmente não consegue ficar longe de mim, né?
Noah cruzou os braços.
— Cala a boca e veste uma roupa decente. A gente tem um plano pra executar.
[Cena: Thunderbolt Racing – Oficina]
O burburinho cessou no instante em que Luca atravessou a porta da oficina. Todos pararam o que estavam fazendo para encará-lo, alguns com surpresa, outros com desconfiança.
Alex foi o primeiro a se aproximar.
— Você tá bem? Onde diabos você tava?
Zoe, Ethan e os outros também cercaram Luca.
— Achei que estivesse no hospital. — Zoe disse, estreitando os olhos.
— A imprensa tá inventando mil teorias. — Ethan completou.
Luca ergueu as mãos.
— Calma, pessoal. Eu só precisava de um tempo pra me recuperar. Mas já tô de volta.
O grupo trocou olhares. Alex ainda parecia desconfiado.
— E como sabemos que você não tá escondendo algo?
Antes que Luca pudesse responder, Noah entrou na conversa.
— Porque eu estive com ele.
Todos se viraram para Noah.
— Você sabia onde ele tava esse tempo todo? — Zoe perguntou.
Noah deu de ombros.
— Eu tava garantindo que ele não fizesse nenhuma besteira.
— E agora que voltou, o que pretende fazer? — Alex perguntou, ainda cruzando os braços.
Luca sorriu.
— O que eu faço de melhor. Correr.
A tensão no ar diminuiu um pouco, mas Noah percebeu que algumas expressões ainda estavam carregadas de desconfiança.
Luca bateu nas costas de Alex e piscou para Zoe.
— Agora, se me dão licença, eu preciso revisar meu carro. Tenho uma corrida pra ganhar.
Noah observou enquanto Luca se afastava e percebeu um detalhe que ninguém mais notou: Ricci estava na entrada da oficina, observando tudo.
Os olhos dele encontraram os de Noah por um breve instante, e então ele se virou e saiu.
Noah sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
Aquele jogo estava longe de acabar.
____
[ Noite – Estacionamento da Thunderbolt Racing]
Noah encostou-se ao capô do carro, os braços cruzados enquanto observava Luca, que estava parado a poucos metros de distância, encarando o horizonte. A oficina já estava vazia, e o estacionamento mal iluminado trazia uma sensação estranha de calmaria antes da tempestade.
— Você percebeu, né? — Noah quebrou o silêncio.
Luca soltou um suspiro e passou a mão pelos cabelos.
— Ricci?
— Sim. Ele estava te observando. E ele sabe que tem algo errado.
Luca virou-se para Noah, um sorriso sem humor nos lábios.
— Sempre sabe. Ele é do tipo que sente o cheiro do medo.
Noah apertou os punhos.
— E você não tem medo?
Luca deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. Seus olhos escuros brilharam sob a luz fraca do poste mais próximo.
— Eu tenho. Mas não deixo que vejam.
Noah sustentou o olhar dele, sentindo a intensidade daquela resposta pesar no peito.
— Se ele vier atrás de você, o que pretende fazer?
Luca inclinou a cabeça, o olhar afiado como uma lâmina.
— Você já sabe a resposta, Reyes. Eu corro.
Noah respirou fundo, desviando o olhar por um instante antes de encarar Luca novamente.
— E se correr não for suficiente?
Luca deu mais um passo, agora próximo o bastante para que Noah sentisse o cheiro da gasolina misturada ao perfume amadeirado dele.
— Aí… eu luto.
O coração de Noah bateu mais forte. Algo naquela proximidade, naquela tensão não dita, estava tirando o equilíbrio dele.
Ele deveria dar um passo para trás. Manter a distância. Mas, ao invés disso, ficou onde estava.
Luca sorriu de canto, percebendo a hesitação.
— Sabe, Reyes… você é bom em fingir que não se importa. Mas seu olhar sempre te entrega.
Noah revirou os olhos, tentando disfarçar o arrepio que percorreu sua espinha.
— E você é bom em falar merda.
Luca riu, baixinho.
— E mesmo assim, você continua aqui.
Noah apertou os lábios, sentindo a tensão aumentar entre eles.
Se aproximar demais de Luca era perigoso. Mas agora… já não tinha mais volta.
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Atualizado até capítulo 30
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