[Cena: Thunderbolt Racing – Oficina]
O som de ferramentas ecoava pela garagem enquanto a equipe trabalhava nos últimos ajustes nos carros para a corrida do fim de semana. Mas a mente de Noah estava longe dali.
Desde a conversa com Luca na noite anterior, ele não conseguia tirar aquela sensação ruim da cabeça. Algo grande estava prestes a acontecer, e ele não sabia o que era.
Zoe aproximou-se, limpando as mãos em um pano.
— Você está com essa cara desde ontem. O que tá pegando?
Noah suspirou.
— É sobre o que Luca disse. Se tem algo acontecendo nos bastidores, a gente precisa descobrir logo.
Alex, que estava checando a telemetria do carro de Noah, olhou para eles.
— Eu consegui mais informações sobre M. Ricci. Ele já foi investigado antes por manipulação de apostas em corridas, mas nunca conseguiram provar nada.
Noah franziu a testa.
— Então ele pode estar envolvido com alguém da nossa equipe?
Alex assentiu.
— É o que parece. Mas ainda não sabemos quem.
Antes que pudessem continuar a conversa, uma voz firme interrompeu o grupo.
— Falando de mim?
Os três viraram-se e encontraram Luca, encostado na parede com os braços cruzados e um olhar provocador.
Noah cerrou os dentes.
— Você tem o péssimo hábito de aparecer sem ser chamado.
Luca sorriu.
— E você tem o péssimo hábito de não enxergar o óbvio.
Zoe e Alex trocaram olhares, percebendo que o clima entre os dois estava ficando tenso.
— Se você tem algo para dizer, diga logo. — Noah exigiu.
Luca aproximou-se, parando bem na frente dele.
— A questão é… você quer mesmo saber a verdade?
Noah sentiu a tensão crescer.
— O que você sabe, Luca?
Luca suspirou e olhou ao redor, certificando-se de que ninguém mais estava ouvindo.
— Eu sei que Ricci tem um infiltrado dentro da Thunderbolt. E sei que ele está preparando algo para essa corrida.
O coração de Noah acelerou.
— Quem é o infiltrado?
Luca o encarou, sério.
— Ainda não tenho certeza. Mas… acho que posso descobrir.
Noah cruzou os braços.
— E por que diabos você tá me contando isso?
Luca riu de leve.
— Porque eu odeio perder.
Os olhos dos dois se prenderam em um embate silencioso. Era um jogo perigoso. Um onde confiança e desconfiança caminhavam lado a lado.
Zoe pigarreou, quebrando a tensão.
— Então vamos fazer o seguinte… Se temos pouco tempo, precisamos trabalhar juntos. Querendo ou não, Luca pode ser útil.
Noah bufou, mas sabia que ela estava certa.
— Tudo bem. Mas se você estiver jogando dos dois lados, Luca, eu juro que vou acabar com você.
Luca sorriu de canto.
— Mal posso esperar.
[Cena: Pista de Treino – Mais Tarde]
Os motores rugiam enquanto os pilotos faziam voltas de teste. Noah acelerava seu carro, tentando se concentrar, mas sua mente estava inquieta.
De repente, um carro preto apareceu em seu retrovisor.
Era Luca.
Noah apertou o volante.
— Então é assim que vai ser…
Luca acelerou, chegando ao lado dele, e os dois entraram em uma disputa feroz pela curva seguinte. Nenhum dos dois queria ceder.
Os carros quase se tocaram, mas, no último segundo, Luca freou e deixou Noah passar.
No rádio, a voz provocadora de Luca surgiu:
— Relaxe, Noah. Ainda temos muito para disputar.
Noah sorriu de lado, sentindo a adrenalina correr em suas veias.
Seja na pista ou fora dela, esse jogo estava apenas começando.
[Estacionamento da Thunderbolt – Noite]
A oficina já estava quase vazia quando Noah saiu, o cansaço pesando em seus ombros. Ele precisava de ar. De respostas. De qualquer coisa que fizesse aquele nó em sua cabeça se desfazer.
Ao se aproximar do carro, ouviu passos atrás de si. Não precisou se virar para saber quem era.
— Vai me seguir até em casa agora? — Noah disse, sem esconder o sarcasmo.
Luca riu baixo.
— Só achei que você quisesse companhia.
Noah finalmente virou-se, cruzando os braços.
— Você sempre aparece nos momentos errados.
Luca deu um passo à frente, a luz fraca dos postes destacando seu olhar afiado.
— Ou talvez eu apareça quando você mais precisa.
Noah sentiu o ar entre eles ficar pesado. Aquele maldito jogo. Eles estavam sempre testando os próprios limites, sempre desafiando um ao outro.
Mas, dessa vez, havia algo diferente no olhar de Luca. Algo mais sombrio.
— O que foi? — Noah perguntou, sentindo uma pontada de preocupação.
Luca hesitou por um segundo, mas então quebrou o contato visual e suspirou.
— Eu recebi uma mensagem. Um aviso.
Noah franziu a testa.
— De quem?
Luca passou a mão pelos cabelos, parecendo incerto.
— Ricci.
O nome fez um frio percorrer a espinha de Noah.
— O que ele disse?
Luca o encarou com seriedade.
— Que eu deveria ficar longe de você.
O silêncio pairou entre eles.
Noah apertou os punhos.
— E o que você vai fazer?
Um sorriso lento surgiu nos lábios de Luca.
— Acho que você já sabe a resposta.
Noah segurou o olhar dele por um instante, depois soltou um suspiro.
— Então, acho que é melhor a gente se preparar… Porque, seja lá o que Ricci está planejando, ele não vai jogar limpo.
Luca assentiu.
— Eu nunca joguei limpo, Noah.
Os dois se encararam, a tensão entre eles crescendo. Mas, dessa vez, não era apenas por causa da disputa na pista ou das mentiras que os cercavam.
Era porque, no fundo, eles sabiam que estavam prestes a cruzar uma linha que talvez não tivesse volta.
[ Apartamento de Noah – Madrugada]
A chuva tamborilava contra a janela, e o relógio marcava quase três da manhã. Noah estava sentado no sofá, uma garrafa de cerveja na mesa à sua frente, mas ele mal havia tocado na bebida.
Ele não conseguia dormir.
As palavras de Luca ainda ecoavam em sua mente.
"Eu nunca joguei limpo, Noah."
Ele passou as mãos pelo rosto, frustrado. Não sabia mais em quem confiar. Tudo ao seu redor parecia um jogo onde as peças eram movidas por mãos invisíveis.
O som da campainha o fez sobressaltar. Quem diabos viria até sua casa a essa hora?
Ele caminhou até a porta, hesitou por um instante e, então, a abriu.
Luca estava ali.
Molhado pela chuva, os cabelos bagunçados e os olhos ardendo com aquela intensidade irritante.
Noah cruzou os braços.
— Você realmente não tem limites.
Luca inclinou a cabeça, um sorriso de canto brincando em seus lábios.
— Você ainda está acordado. Achei que poderia precisar de uma distração.
Noah revirou os olhos.
— Se a distração for mais um de seus jogos, pode dar meia-volta.
Luca não se moveu. Apenas o encarou por um longo momento antes de falar, sua voz mais baixa do que o normal:
— Eu não vim para jogar, Noah.
Aquilo fez Noah hesitar.
Luca parecia diferente. Menos provocador. Mais… real.
Depois de um segundo de silêncio tenso, Noah suspirou e deu um passo para o lado.
— Entra logo antes que eu mude de ideia.
Luca obedeceu sem dizer nada, cruzando a porta com aquele ar despreocupado que sempre o irritava. Mas, por alguma razão, Noah não conseguiu afastar a sensação de que essa noite mudaria tudo entre eles.
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Atualizado até capítulo 30
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