Capítulo 11 – Desaparecido

[Cena: Centro Médico do Autódromo]

O cheiro de antisséptico enchia o ar. O bip dos monitores era a única coisa que quebrava o silêncio na sala de observação.

Noah estava parado na porta, o coração batendo forte enquanto observava Luca deitado na maca. Havia um corte na testa dele, um curativo no braço e um hematoma se formando no canto da boca.

Mas ele estava acordado.

E olhava direto para Noah.

— Tá me encarando por quê? — A voz de Luca saiu rouca, mas ainda carregava aquele tom arrogante de sempre.

Noah respirou fundo, sentindo uma onda de alívio e raiva ao mesmo tempo.

— Porque você quase morreu, seu imbecil.

Luca riu, mas logo fez uma careta de dor.

— Quase não é a mesma coisa que morrer, Reyes.

Noah caminhou até ele, cruzando os braços.

— O que aconteceu lá fora?

Luca desviou o olhar por um segundo.

— Não sei. O carro simplesmente... apagou.

Noah franziu a testa.

— Você tá me dizendo que um carro de corrida de última geração simplesmente desligou sozinho?

Luca voltou a encará-lo.

— Não. Tô te dizendo que alguém fez isso acontecer.

Noah sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

— Você acha que sabotaram seu carro?

Luca riu de leve.

— Você não acha?

Noah passou a mão pelos cabelos, tentando processar aquilo.

— Isso tem a ver com Ricci, não tem?

Luca assentiu lentamente.

— Sim. E agora eu preciso sair daqui antes que ele perceba que eu sobrevivi.

Noah piscou.

— Como é que é?

Luca tentou se levantar, mas gemeu de dor e caiu de volta no colchão.

— Merda…

Noah segurou os ombros dele.

— Você bateu a cabeça, desgraçado! Você não vai sair daqui!

Luca bufou.

— Se eu ficar, vão terminar o que começaram.

Noah olhou para a porta, fechando os olhos por um instante. Tudo aquilo estava indo longe demais.

— Tá bom. Mas você não vai sair daqui sozinho.

Luca o encarou.

— Você tá se oferecendo pra me proteger, Reyes?

Noah revirou os olhos.

— Não faz eu me arrepender.

Luca abriu um meio sorriso.

— Se você quiser me carregar no colo, eu não vou reclamar.

Noah empurrou o ombro dele, fazendo Luca soltar um riso fraco.

— Cala a boca e levanta logo.

[Cena: Estacionamento do Autódromo]

Noah abriu a porta do carro, ajudando Luca a entrar. Ele olhou ao redor, procurando qualquer coisa suspeita, mas a essa altura, todos ainda estavam focados na corrida interrompida.

Eles saíram discretamente pelo portão lateral.

— Para onde estamos indo? — Luca perguntou, recostado no banco, parecendo exausto.

Noah apertou o volante.

— Pra um lugar onde ninguém vai te encontrar.

Luca arqueou uma sobrancelha.

— Isso soa incrivelmente sexy.

Noah bufou.

— Você fala demais.

Luca fechou os olhos, sorrindo de canto.

— E você gosta disso.

Noah não respondeu. Mas, no fundo, sabia que Luca estava certo.

[Cena: Apartamento de Noah]

Noah fechou a porta atrás de si, observando enquanto Luca se jogava no sofá.

— Isso é seguro? — Luca perguntou.

— Por enquanto, sim. — Noah respondeu, cruzando os braços.

Luca olhou para ele, e por um momento, algo nos olhos dele mudou.

— Você não precisava fazer isso, sabe?

Noah desviou o olhar.

— Cala a boca e descansa.

Mas a verdade era…

Ele precisava fazer aquilo.

E ele não sabia mais por quê.

[Apartamento de Noah – Madrugada]

O apartamento estava silencioso, exceto pelo som distante da cidade do lado de fora. Noah estava sentado na beirada da cama, passando a mão pelo rosto, tentando organizar os próprios pensamentos.

Luca estava dormindo no sofá – ou pelo menos era o que Noah achava.

— Você tá acordado, Reyes?

A voz rouca de Luca quebrou o silêncio, e Noah suspirou antes de se virar.

— Vai dormir, Luca.

Luca se sentou devagar, gemendo levemente de dor. O curativo no braço contrastava com a pele bronzeada, e o roxo na boca parecia pior sob a luz fraca da sala.

— Não consigo. — Ele murmurou. — Minha cabeça tá uma bagunça.

Noah se levantou e caminhou até ele, jogando uma garrafa de água em sua direção. Luca pegou sem esforço, os dedos roçando os de Noah por um segundo a mais do que deveriam.

— Você tá assim por causa do acidente?

Luca abriu a garrafa e tomou um gole antes de responder.

— Eu já esperava que Ricci fosse tentar algo contra mim. Só não achei que fosse agora.

Noah se encostou no balcão da cozinha, cruzando os braços.

— Então por que diabos você ficou aqui? Se já sabia que ele ia te ferrar, devia ter caído fora antes.

Luca soltou um riso baixo, sem humor.

— Porque eu tenho coisas pra resolver.

Noah estreitou os olhos.

— Que tipo de coisas?

Luca desviou o olhar, girando a garrafa de água nas mãos.

— Não te interessa.

Noah sentiu um nó de frustração crescer dentro dele.

— Sabe o que é engraçado? Você vive se metendo na minha vida, mas quando eu tento entender o que tá acontecendo com você, faz esse jogo de mistério.

Luca ergueu a cabeça, seus olhos escuros brilhando no meio da penumbra.

— E por que isso te incomoda tanto, Reyes?

Noah abriu a boca para responder, mas nada saiu.

Por que aquilo o incomodava? Por que ele estava ali, no meio da madrugada, discutindo com Luca Ferrara em seu próprio apartamento, quando podia simplesmente ignorar tudo e seguir com sua vida?

Mas ele sabia a resposta.

E odiava admitir.

O silêncio entre eles ficou pesado.

Luca foi o primeiro a quebrá-lo, sua voz saindo mais baixa do que antes.

— Você sabe que se continuar se metendo nisso, vai acabar se machucando, né?

Noah soltou uma risada curta.

— Você acha que eu sou do tipo que foge de uma briga?

Luca sorriu de canto.

— Não. Você é do tipo que mergulha de cabeça.

Noah balançou a cabeça, tentando afastar aquele maldito calor no peito.

— Apenas dorme, Ferrara. Amanhã a gente vê o que faz.

Luca se recostou no sofá, mas antes de fechar os olhos, lançou um último olhar na direção de Noah.

— Boa noite, Reyes.

Noah não respondeu.

Porque sabia que aquela noite não seria nada boa.

[Apartamento de Noah – Manhã Seguinte]

O som suave da chuva batendo na janela foi a primeira coisa que Noah ouviu ao acordar. Ele se espreguiçou, sentindo a leveza de um sono interrompido, mas não o suficiente para afastar o peso das lembranças da noite anterior. Ainda era cedo, e a luz do dia mal tinha começado a se infiltrar pela cortina.

Luca estava ali, no sofá, mas agora parecia mais agitado. Seu corpo se mexia levemente, e o semblante não carregava mais a tranquilidade de antes. Ele estava acordado.

Noah levantou-se devagar, sentindo os músculos doloridos. O carro, a corrida, a preocupação com Luca… Tudo se misturava na sua mente.

Quando Luca percebeu que Noah se movia, ele virou a cabeça, seus olhos escuros observando-o com um toque de cansaço, mas também de algo mais intenso. Algo que Noah não soubera definir ainda.

— Acordou cedo. — Luca comentou com um sorriso fraco.

Noah parou na cozinha, preparando uma xícara de café. O aroma preencheu o ambiente, mas a tensão no ar ainda estava palpável.

— Não consegui dormir direito. — Noah respondeu, sem olhar para ele. Mas não foi isso que ele queria dizer. Ele queria perguntar o que Luca pensava sobre tudo o que estava acontecendo, o que ele estava planejando. Ele queria saber mais sobre aquele homem que parecia tão fechado, tão impenetrável.

Luca não respondeu de imediato. Ele se levantou e caminhou até a janela, olhando para o movimento lá fora, como se buscasse algo além da chuva. Depois, ele se virou para Noah.

— Não vai perguntar? — Luca disse, quebrando o silêncio.

Noah olhou para ele, os olhos carregando uma mistura de frustração e curiosidade.

— Perguntar o quê?

Luca deu um sorriso sutil, como se estivesse testando Noah de alguma forma.

— Por que eu fiz isso? Por que eu te deixei me ajudar. Por que não só fugi de tudo isso sozinho.

Noah sentiu um peso aumentar em seu peito. Ele se aproximou de Luca, mantendo o olhar firme.

— Porque eu não sou o tipo de pessoa que deixa alguém na merda sozinho, mesmo que a pessoa tenha os próprios demônios para enfrentar. — Sua voz saiu mais dura do que ele queria, mas não se importou. Era a verdade.

Luca o observou por um momento, como se estivesse tentando medir a sinceridade nas palavras de Noah. Mas não disse nada. Ele apenas se aproximou mais da janela, como se a resposta fosse algo que ele mesmo precisava entender.

— Acha que sou um perigo pra você? — Luca perguntou de repente, sem olhar para Noah.

A pergunta pegou Noah de surpresa. Ele hesitou, tentando articular uma resposta que não parecesse uma mentira.

— Você... — Ele parou, sentindo um impulso de ir até Luca e encará-lo diretamente. — Você pode ser um perigo, mas não é isso que me preocupa. O que me preocupa é o que vai acontecer depois.

Luca deu uma risada baixa, sem humor.

— Depois? Depois de tudo isso, o que é que vai mudar, Reyes?

Noah deu um passo à frente, agora tão perto de Luca que podia sentir o calor da sua presença.

— Eu não sei, Luca. Mas sei que, de alguma forma, vou me meter ainda mais nisso.

Luca o observou por um longo instante antes de baixar os olhos.

— Então, seja lá o que for que você espera, melhor não esperar muito.

Noah sentiu uma pontada no peito, mas não recuou. Ele sabia que, em algum lugar, esse conflito com Luca era inevitável. Mas também sabia que não poderia deixá-lo escapar agora.

Porque de alguma forma, aquela confusão já tinha se tornado a sua.

E isso o assustava mais do que ele queria admitir.

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