[Cena: Estacionamento da Thunderbolt Racing – Início da Noite]
A noite caiu sobre a cidade, e o céu carregado de nuvens escuras prometia uma tempestade iminente. O estacionamento da Thunderbolt Racing estava quase vazio, exceto por um ou outro mecânico terminando ajustes de última hora nos carros. O som distante de trovões ecoava pelo ar, e um vento frio anunciava que a chuva não demoraria a cair.
Noah estava sentado no capô de seu carro, girando uma chave de fenda entre os dedos. Sua mente estava uma bagunça. Depois do treino intenso do dia, ele ainda sentia o peso da provocação de Luca e do próprio medo de não ser bom o suficiente.
A verdade era que, por mais que quisesse negar, Luca estava na sua cabeça. Não só como rival, mas como algo que ele ainda não sabia explicar.
— Você está fugindo de mim agora? — A voz familiar ecoou pelo estacionamento.
Noah ergueu o olhar e viu Luca se aproximando com seu andar despreocupado, as mãos no bolso da jaqueta de couro. O brilho das luzes refletia nos cabelos escuros dele, e seu olhar carregava aquele misto de desafio e curiosidade.
— Por que eu fugiria? — Noah retrucou, fechando a expressão.
Luca deu de ombros, parando bem ao lado dele.
— Talvez porque você está começando a perceber que eu sou melhor do que você pensava.
Noah soltou uma risada baixa e descrente, balançando a cabeça.
— Você realmente se acha, né?
— Eu sou confiante, Noah. Há uma diferença.
O vento ficou mais forte, e uma gota de chuva caiu no capô do carro. Luca olhou para o céu e suspirou.
— Parece que vamos ter uma noite chuvosa.
Noah se levantou, cruzando os braços.
— O que você quer, Luca?
Luca olhou para ele por um momento, como se estivesse analisando cada reação sua. Então, sorriu de lado.
— Quero te fazer uma proposta.
[Cena: Bar Local – Mais Tarde]
O bar era um lugar discreto, frequentado principalmente por mecânicos e pilotos que trabalhavam na Thunderbolt. O som de uma música suave tocava ao fundo, e poucas pessoas estavam ali, aproveitando a noite tranquila antes da tempestade desabar de vez.
Noah e Luca estavam sentados em uma mesa afastada, cada um com uma cerveja na mão. O clima entre eles era carregado, mas, pela primeira vez, não de rivalidade pura.
— Você quer que eu confie em você? — Noah arqueou a sobrancelha.
Luca apoiou os cotovelos na mesa, inclinando-se levemente para frente.
— Quero que você pare de ver isso apenas como uma disputa de ego.
— E o que é, então?
Luca respirou fundo e tomou um gole de sua bebida antes de responder.
— Você sabe tão bem quanto eu que essa equipe está envolvida em algo sujo.
Noah franziu o cenho, sentindo um arrepio percorrer sua espinha.
— Do que você está falando?
Luca olhou ao redor, certificando-se de que ninguém estava prestando atenção neles. Então, abaixou a voz.
— Você já ouviu falar sobre os acordos que acontecem nos bastidores dessas corridas? Subornos, manipulação de resultados… Isso aqui não é só sobre quem tem a melhor habilidade ao volante.
Noah apertou os punhos, sentindo um nó no estômago. Ele sempre desconfiou que havia algo obscuro por trás de algumas decisões da equipe, mas nunca quis realmente encarar a verdade.
— Se isso for verdade… por que você está me contando?
Luca sorriu de leve, mas seus olhos tinham um brilho intenso.
— Porque eu sei que você não compactua com esse tipo de coisa. E porque, goste você ou não, eu confio em você.
Noah sentiu seu coração acelerar de uma forma que nada tinha a ver com adrenalina. Havia algo na forma como Luca falava, como ele olhava diretamente para ele, que fazia suas barreiras internas vacilarem.
— Eu não sei se acredito em você.
Luca riu, balançando a cabeça.
— Não precisa acreditar agora. Mas fique atento. Logo, você verá com seus próprios olhos.
[Cena: Estacionamento – Chuva Torrencial]
A tempestade finalmente desabou, e a chuva caía com força quando Noah e Luca saíram do bar. O estacionamento estava quase deserto, exceto pelos dois. As gotas de chuva escorriam pelos cabelos e roupas, e o som dos trovões preenchia o silêncio entre eles.
— Eu deveria ir. — Noah disse, olhando para a moto de Luca.
— Ou pode ficar um pouco mais. — Luca respondeu, sua voz baixa, mas carregada de algo mais.
Noah sentiu um arrepio percorrer seu corpo, e não era por causa da chuva fria. Ele encarou Luca, e naquele instante, percebeu que havia algo inevitável acontecendo entre eles.
Eles estavam se enfrentando há dias, se provocando, testando limites. Mas, ali, debaixo da chuva, sem a pista ou a rivalidade para separá-los, a tensão se tornou outra coisa.
Luca deu um passo à frente, e Noah não recuou.
A tempestade rugia ao redor deles, mas, naquele momento, o verdadeiro furacão estava dentro dos seus próprios peitos.
[Oficina da Thunderbolt – Madrugada]
A chuva continuava castigando a cidade quando Noah decidiu não voltar para casa. Em vez disso, foi até a oficina da Thunderbolt, onde os carros ficavam guardados e preparados para as corridas. Ele precisava pensar, precisava de um espaço longe da presença provocadora de Luca.
Mas a tranquilidade não durou muito.
O som de passos ecoou pelo chão de concreto, misturando-se com o barulho da tempestade do lado de fora. Noah suspirou, já sabendo quem era antes mesmo de virar.
— Você realmente não sabe quando desistir, não é? — Ele disse, sem olhar para trás.
Luca se aproximou devagar, tirando a jaqueta encharcada e a jogando sobre um dos bancos da oficina.
— Vamos encarar os fatos, Noah. Você adora a minha companhia.
Noah bufou, cruzando os braços enquanto encarava um dos carros da equipe.
— Se você veio aqui para continuar com esse joguinho, pode ir embora.
Luca sorriu de lado e caminhou até ficar ao lado dele, observando o reflexo dos dois no vidro do carro.
— Não é um jogo. Eu só queria saber no que você está pensando.
Noah ficou em silêncio por um momento. A oficina, normalmente cheia de barulho e movimento, estava vazia, deixando apenas os dois ali, cercados por carros de corrida e pela tensão que crescia a cada dia.
Ele finalmente soltou um suspiro pesado.
— Estou pensando que talvez você esteja certo. Sobre a equipe. Sobre as coisas que acontecem nos bastidores.
Luca ergueu uma sobrancelha, genuinamente surpreso.
— Então você finalmente está começando a enxergar.
Noah passou a mão pelos cabelos molhados, desviando o olhar.
— Isso não significa que eu confie em você.
Luca sorriu, mas dessa vez, não era um sorriso provocador. Era um sorriso de quem entendia exatamente o que Noah estava sentindo.
— Eu não preciso que confie em mim agora. Só preciso que não me descarte completamente.
O silêncio se instalou entre eles novamente, mas, dessa vez, não era desconfortável. Apenas carregado de algo não dito, algo que nenhum dos dois estava pronto para admitir.
Luca pegou a jaqueta molhada e se virou para sair, mas parou na porta, lançando um último olhar para Noah.
— Durma bem, Noah.
E então ele se foi, deixando Noah sozinho, com sua mente ainda mais bagunçada do que antes.
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Atualizado até capítulo 30
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