[Cena: Apartamento de Noah – Madrugada]
O relógio marcava 3h27. Noah estava sentado à mesa da cozinha, girando distraidamente um copo de café frio entre os dedos. O apartamento estava silencioso, exceto pelo som baixo da respiração de Luca, que dormia no sofá.
Ou pelo menos deveria estar dormindo.
— Se continuar encarando desse jeito, vai acabar me hipnotizando.
A voz rouca de Luca fez Noah levantar o olhar. Ele estava deitado de lado, observando-o com um meio sorriso no rosto.
— Você devia estar descansando.
Luca suspirou, fechando os olhos por um momento antes de se sentar.
— Difícil dormir quando se tem um alvo na testa.
Noah apertou os lábios, inclinando-se contra a mesa.
— Você tem certeza de que foi sabotagem?
Luca o encarou.
— Olha, Reyes, eu sei quando um carro falha sozinho e quando alguém mete a mão onde não deve.
— E você acha que foi Ricci?
Luca passou a mão pelos cabelos.
— Não posso provar. Mas ele tem motivos.
Noah sentiu um peso no peito. Ricci, um dos chefes da equipe rival, sempre fora uma figura controversa. Suas conexões nos bastidores das corridas eram perigosas, e se ele realmente estivesse por trás do acidente de Luca… então as coisas estavam prestes a ficar muito mais sérias.
— Precisamos descobrir a verdade.
Luca sorriu de lado.
— "Precisamos", hein? Então agora somos uma equipe?
Noah bufou.
— Cala a boca.
Luca riu, mas logo fez uma careta de dor ao mexer o ombro machucado. Noah levantou-se e pegou uma compressa de gelo na geladeira.
— Aqui.
Luca pegou a compressa e pressionou contra o ombro, soltando um suspiro aliviado.
— Sabe, você tá sendo bonzinho demais comigo. Vai me fazer achar que se importa.
Noah cruzou os braços, apoiando-se na bancada.
— Eu só não quero que você morra antes de eu poder te derrotar na pista.
Luca levantou uma sobrancelha.
— Ah, então é isso?
— Exatamente.
— Bom saber. — Luca sorriu. — Mas, só pra constar, eu ainda sou o melhor piloto.
Noah revirou os olhos.
— Ridículo.
— Irresistível.
— Convencido.
— Fascinante.
Noah jogou um pano na cara dele.
— Vai dormir, Ferrara.
Luca gargalhou, jogando o pano de volta.
— Boa noite pra você também, Reyes.
Noah se virou, indo para o quarto, mas parou na porta.
Ele sabia que as coisas entre eles estavam indo por um caminho perigoso. Mas por algum motivo, ele não queria parar.
E esse era o verdadeiro problema.
[Cena: No Dia Seguinte – Thunderbolt Racing]
Zoe, Alex e Ethan estavam reunidos na oficina, todos de braços cruzados.
— Então ele simplesmente sumiu? — Alex perguntou.
— Exato. — Zoe respondeu. — Ninguém sabe onde Luca tá. Nem mesmo Ricci.
Ethan passou a mão no queixo.
— Se foi sabotagem, alguém vai tentar acabar o trabalho.
Zoe olhou ao redor e baixou o tom de voz.
— Eu não quero ser paranoica, mas… e se for alguém daqui?
Alex e Ethan trocaram olhares tensos.
— Isso significa que Noah pode estar em perigo também.
— Sim. E precisamos encontrá-los antes que alguém mais encontre.
[Cena: Apartamento de Noah – Tarde]
Noah abriu a porta do apartamento e encontrou Luca escorado na varanda, olhando para a cidade.
— Eu não sabia que você gostava tanto de silêncio. — Noah comentou, encostando-se ao batente da porta.
Luca sorriu de canto, sem desviar o olhar.
— Depois de tanto tempo vivendo entre motores rugindo, silêncio parece um luxo.
Noah ficou em silêncio por um momento, observando o perfil de Luca contra a luz do sol.
— Você acha que vão te encontrar?
Luca suspirou.
— Mais cedo ou mais tarde, sim.
— E então?
Luca virou-se para ele, seu olhar carregado de algo que Noah não soube decifrar.
— Então eu corro.
Noah sentiu algo apertar dentro do peito.
— Não precisa fazer isso sozinho.
Luca sorriu, mas havia algo triste naquele sorriso.
— E quem disse que eu tô sozinho?
Noah segurou o olhar dele, sentindo o peso daquela frase.
Ele sabia que estava se envolvendo demais.
Mas agora… talvez já fosse tarde demais para voltar atrás.
[Noite – Apartamento de Noah]
O apartamento estava mergulhado em um silêncio tenso. Noah estava sentado no chão, encostado no sofá, com uma garrafa de cerveja quase vazia na mão. Do outro lado da sala, Luca estava largado na poltrona, jogando uma bolinha de papel para cima e pegando de volta, como se fosse uma criança entediada.
— Você sempre faz isso quando tá nervoso? — Noah quebrou o silêncio.
Luca parou o movimento, encarando-o com uma sobrancelha arqueada.
— O quê?
— Esse negócio de ficar jogando coisas no ar.
Luca deu um meio sorriso.
— Você percebe coisas demais, Reyes.
Noah deu um gole na cerveja.
— E você fala de menos.
Luca girou a bolinha de papel entre os dedos antes de soltá-la na mesa.
— Eu falo o suficiente.
Noah o observou por um instante. O jeito de Luca, sempre mantendo essa fachada de indiferença, mas deixando escapar sinais de que algo o incomodava.
— Tá com medo? — Noah perguntou, direto.
Luca riu, mas sem humor.
— Medo? Não. Eu já vivi perigo o suficiente pra saber que isso não adianta nada.
Noah inclinou a cabeça.
— Mas você sabe que pode confiar em mim, certo?
Luca ficou em silêncio por um momento. Depois, seus olhos escuros se fixaram nos de Noah.
— Eu confio. Mas isso não significa que você deveria confiar em mim.
Noah sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
— Por que você diz isso?
Luca respirou fundo, desviando o olhar para a janela.
— Porque se eu tiver que escolher entre minha vida e qualquer outra coisa… Eu escolho sobreviver.
O jeito como ele disse isso fez Noah sentir um aperto no peito.
— Isso quer dizer que você me deixaria para trás se fosse necessário?
Luca soltou uma risada baixa.
— Você já conheceu alguém que corre profissionalmente e não pensa primeiro na própria sobrevivência?
Noah não respondeu. Ele sabia que no mundo das corridas, o instinto de sobrevivência vinha antes de tudo. Mas por algum motivo, ele queria acreditar que com Luca era diferente.
— Bom saber. — Noah disse por fim, forçando um sorriso.
Luca o observou por um instante antes de se levantar e ir até a geladeira, pegando uma cerveja para si. Ele abriu a garrafa e tomou um gole, sem tirar os olhos de Noah.
— Mas olha só, Reyes… Se algum dia eu tivesse que escolher, acho que você me daria mais trabalho do que eu gostaria.
Noah revirou os olhos.
— Você fala como se eu fosse fácil de lidar.
Luca sorriu de canto.
— Não. Você é um pé no saco. Mas de algum jeito… Eu gosto disso.
Noah sentiu um calor subir pelo peito, mas se obrigou a desviar o olhar.
Ele sabia que estava se afundando cada vez mais nisso.
E o pior era que ele não queria parar.
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Atualizado até capítulo 30
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