Capítulo 8 – Linhas que não Devem Ser Cruzadas

[Cena: Apartamento de Noah – Madrugada]

Noah não conseguiu dormir. Cada vez que fechava os olhos, a cena da chuva voltava à sua mente. O olhar intenso de Luca, a forma como a tensão entre eles havia se tornado algo quase palpável.

Ele passou a mão pelo rosto, frustrado. Não podia se distrair agora. Ainda mais com aquela história da corrupção dentro da Thunderbolt Racing.

O e-mail anônimo, os documentos suspeitos… E, para completar, Luca parecia saber de algo que ele não sabia.

Noah se levantou da cama, vestiu uma camiseta e pegou as chaves do carro. Ficar ali remoendo aquilo não ajudaria.

[Cena: Oficina da Thunderbolt – 3h da manhã]

A garagem da Thunderbolt Racing estava escura e silenciosa. Apenas algumas luzes de segurança iluminavam o espaço, criando sombras compridas ao longo dos carros estacionados.

Noah entrou devagar, certificando-se de que ninguém o havia seguido. Ele precisava ver aqueles documentos de novo. Precisava entender melhor o que estava acontecendo antes que fosse tarde demais.

Ele ligou o computador da equipe e procurou o e-mail que haviam recebido.

Havia várias transações financeiras suspeitas. Uma delas chamava atenção: um grande depósito feito para um nome desconhecido, M. Ricci.

— Quem diabos é você? — Noah murmurou, franzindo a testa.

— Eu também queria saber. —

A voz atrás dele fez seu coração pular.

Ele virou-se rapidamente e encontrou Luca parado ali, os braços cruzados, observando a tela do computador com um olhar afiado.

— Você anda bisbilhotando, Noah.

Noah respirou fundo, tentando controlar a irritação.

— E você está me seguindo agora?

Luca riu baixo, inclinando a cabeça de lado.

— Não. Eu só sabia que você viria aqui. Você é previsível.

Noah cerrou os dentes.

— Quer me dizer o que você sabe sobre isso?

Luca aproximou-se lentamente, parando ao lado de Noah. Seu perfume amadeirado misturava-se ao cheiro de óleo e metal da oficina.

— Sei que tem gente grande por trás dessas apostas. E sei que a Thunderbolt não está tão limpa quanto parece.

Noah olhou para ele, tentando decifrá-lo.

— E por que você se importa?

Luca sorriu de canto.

— Talvez porque eu odeie trapaceiros. Ou talvez porque eu tenha minhas próprias razões.

Noah não gostou da resposta vaga.

— Se você sabe tanto, devia falar logo.

Luca o encarou por um momento, depois suspirou.

— Eu só posso te dizer uma coisa por enquanto, Noah… Se prepare para a próxima corrida. Algo vai acontecer. E não vai ser bonito.

[Cena: Restaurante Local – Meio-dia]

Noah, Zoe e Alex estavam reunidos em um restaurante discreto, analisando as informações coletadas.

— Esse nome… M. Ricci. Já ouvi falar. — Zoe disse, mexendo no celular. — Ele é um empresário conhecido nos bastidores das corridas. Mas sempre esteve envolvido em escândalos.

— O que ele tem a ver com a Thunderbolt? — Alex perguntou.

Zoe suspirou.

— Ainda não sei. Mas se ele está envolvido, então tem dinheiro sujo nesse meio.

Noah bateu os dedos na mesa, pensativo.

— Precisamos descobrir antes da próxima corrida.

Alex assentiu.

— E precisamos ter cuidado. Se tem corrupção aqui, então estamos lidando com pessoas perigosas.

Noah sabia que ele estava certo. Mas, no fundo, uma outra preocupação ainda o atormentava.

Luca.

O que ele realmente sabia? E o que ele estava escondendo?

[Cena: Apartamento de Luca – Noite]

Luca estava sentado no sofá, girando um copo de whisky entre os dedos. Seus olhos estavam fixos na parede, mas sua mente estava a quilômetros dali.

Ele sabia que Noah não pararia até descobrir a verdade.

E o problema era: até onde ele estava disposto a deixar Noah ir?

[ Circuito de Treinamento – Amanhecer]

O sol ainda estava nascendo quando Noah chegou ao circuito de treinamento da Thunderbolt. A pista estava vazia, envolta por uma névoa fina que subia do asfalto frio. Ele precisava de velocidade, precisava sentir o motor vibrando sob suas mãos para clarear a mente.

Vestiu o capacete, ajustou as luvas e entrou no carro. Assim que ligou o motor, um rugido familiar ecoou pelo local, preenchendo o silêncio da manhã.

Pisou fundo no acelerador, sentindo o carro responder de imediato. Curvas fechadas, retas longas, frenagens precisas. Cada volta era uma tentativa de afastar Luca de seus pensamentos, mas era inútil.

Cada vez que ele acelerava, era como se estivesse correndo contra algo dentro dele. Algo que ele não queria admitir.

Na última curva, forçou a entrada mais do que deveria. O carro derrapou levemente, fazendo os pneus cantarem alto contra o asfalto. Noah bufou, irritado consigo mesmo.

Assim que estacionou, sentiu uma presença atrás dele.

— Perder o controle não combina com você. — A voz de Luca cortou o ar, despreocupada.

Noah retirou o capacete e lançou um olhar afiado para ele.

— O que você está fazendo aqui?

Luca sorriu de canto, cruzando os braços.

— Observando. Você dirige diferente quando está com a cabeça cheia.

Noah não respondeu. Apenas saiu do carro, respirando fundo.

Luca deu um passo à frente.

— Seja lá o que você esteja tentando fugir, Noah… Cedo ou tarde, vai ter que encarar.

Noah cerrou os punhos. O pior era que Luca estava certo.

Mas ele não estava pronto para admitir isso.

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[ Hotel de Luxo – Noite]

Um homem de terno impecável observava a cidade pela janela panorâmica de sua suíte luxuosa. No reflexo do vidro, seu olhar era frio, calculista.

Ele levou o copo de uísque aos lábios e sorriu ao ver a tela do celular acender com uma nova mensagem.

M. Ricci: O garoto está farejando demais. Hora de ensinar a ele que certas linhas não devem ser cruzadas.

Seus dedos deslizaram pela tela, digitando uma resposta curta antes de bloquear o celular.

Ele já havia lidado com pessoas como Noah antes. Sabia exatamente como fazê-las recuar.

Ou, se necessário, como tirá-las do caminho para sempre.

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