[Cena: Thunderbolt Racing – Oficina, Noite]
A oficina estava quase vazia. Apenas algumas luzes permaneciam acesas, lançando sombras compridas sobre os carros estacionados. Noah ficou para trás depois do treino. Precisava colocar a cabeça no lugar.
Mas Luca, claro, não o deixaria em paz.
— Você devia ir descansar. — A voz de Luca soou atrás dele.
Noah nem se virou.
— Você também. Mas pelo visto, prefere ficar me seguindo.
Luca riu baixo.
— Ou talvez eu só goste de te irritar.
Noah suspirou, finalmente virando-se para encará-lo.
— O que você quer agora, Luca?
O italiano aproximou-se, encostando-se à bancada ao lado dele.
— Quero saber o que você vai fazer com as informações que tem.
— O que eu tenho ainda não é suficiente. — Noah cruzou os braços. — Mas quando for, vou acabar com quem estiver sujando essa equipe.
Luca observou-o por um momento, seu olhar escuro carregado de algo que Noah não soube decifrar.
— Cuidado com essa determinação toda. Pode te colocar em perigo.
Noah riu, sarcástico.
— Isso vindo de você, que chegou aqui bagunçando tudo?
Luca deu um passo à frente, invadindo o espaço de Noah de um jeito calculado.
— Bagunçando? — Sua voz abaixou, carregada de algo provocador. — E como exatamente eu fiz isso?
Noah sentiu o coração bater mais rápido. Ele queria responder, queria afastá-lo, mas seus pés estavam travados.
Luca inclinou-se levemente, sua respiração quente roçando a pele de Noah.
— Se eu estou bagunçando a sua cabeça… — Ele sussurrou. — Só precisa me dizer.
Noah cerrou os dentes.
— Você se acha demais.
Luca riu.
— E você finge demais.
A tensão no ar era sufocante. Noah sabia que deveria se afastar. Mas, em vez disso, foi Luca quem recuou primeiro, como se estivesse esperando que Noah fizesse algo.
— Vejo você na corrida. — Ele disse, antes de sair da oficina.
Noah fechou os olhos por um momento, soltando o ar pesadamente.
Droga.
Esse jogo entre eles estava ficando perigoso.
[Cena: Dia da Corrida – Circuito Internacional]
O autódromo estava lotado. O ronco dos motores enchia o ar, e a adrenalina já percorria as veias de Noah antes mesmo de ele entrar no carro.
Zoe, Alex e Ethan estavam na área dos boxes, checando as últimas configurações.
— Está pronto para isso? — Zoe perguntou, apertando levemente o ombro dele.
Noah assentiu.
— Estou sempre pronto.
Ele lançou um olhar rápido para o outro lado do grid e encontrou Luca encostado em seu carro, colocando as luvas. Ele percebeu o olhar de Noah e sorriu de canto, como se soubesse exatamente no que ele estava pensando.
Desgraçado.
A luz vermelha acendeu.
Os motores rugiram.
E então…
A largada foi dada.
Noah acelerou com tudo, sentindo o mundo se estreitar ao seu redor. O asfalto parecia um borrão sob as rodas, e o único som que importava era o do motor gritando enquanto ele empurrava o carro ao limite.
Luca estava logo atrás, pressionando, esperando o momento certo para atacar.
Na quarta volta, ele fez exatamente isso.
Noah viu o carro de Luca se aproximando pelo lado direito e tentou bloquear a ultrapassagem, mas o italiano jogou a traseira do carro na curva e passou por dentro, assumindo a liderança.
— Filho da… — Noah rangeu os dentes, batendo no volante.
Mas ele não ia deixar barato.
Na reta seguinte, ele forçou a aproximação, tentando pegar o vácuo do carro de Luca.
Só que então…
Algo deu errado.
O carro de Luca estremeceu de repente.
Noah viu faíscas saindo da parte traseira do veículo.
— Luca! — Ele gritou no rádio.
Mas já era tarde demais.
O carro de Luca girou descontrolado, saiu da pista e bateu violentamente contra o muro de proteção.
O coração de Noah quase parou.
O safety car entrou imediatamente na pista, e a bandeira vermelha foi acionada.
Ele parou seu carro nos boxes e saiu correndo.
O carro de Luca estava destruído. Fumaça saía do capô amassado. Os paramédicos chegaram rápido, mas Noah precisava ver com os próprios olhos.
— Onde ele está?! — Ele exigiu, tentando passar.
Mas um dos fiscais o segurou.
— O piloto já foi levado para o centro médico.
Noah sentiu o estômago revirar.
Por favor, que ele esteja bem.
Mas algo dentro dele dizia que aquela batida não foi um acidente.
E a pergunta que martelava na sua mente era: quem fez isso?
[ Centro Médico – Minutos Depois]
Noah entrou no centro médico quase derrubando a porta. O cheiro de desinfetante misturado ao leve aroma de borracha queimada o fez sentir um nó no estômago.
Luca estava deitado na maca, a lateral do rosto arranhada, um corte pequeno na testa e a expressão irritada enquanto discutia com um dos médicos.
— Já falei que estou bem. Foi só uma batida.
— Você precisa descansar e passar por mais alguns exames. — O médico insistiu.
Foi quando Luca percebeu Noah parado na porta, os olhos brilhando com algo entre raiva e… preocupação?
Noah deu dois passos para dentro, cruzando os braços.
— Então é isso? Você quase se mata na pista e quer simplesmente ignorar?
Luca soltou um suspiro cansado, mas um pequeno sorriso ainda brincava em seus lábios.
— Achei que você estaria comemorando por ter menos um rival na corrida.
Noah estreitou os olhos.
— Para de falar merda. O que aconteceu com seu carro?
Luca ficou em silêncio por um momento, como se estivesse processando a pergunta.
— Não sei. — Ele admitiu, sério pela primeira vez. — O carro simplesmente perdeu o controle. Como se algo tivesse falhado.
Noah sentiu um calafrio.
— Isso não foi um erro seu, foi?
Luca riu fraco.
— Está insinuando que eu perdi o controle de propósito?
Noah não respondeu. Apenas manteve o olhar fixo nele.
Foi então que Luca se inclinou um pouco, a voz mais baixa:
— Se alguém mexeu no meu carro… vamos descobrir quem foi.
Noah engoliu em seco.
Luca estava certo.
Aquilo não tinha sido um acidente.
E eles estavam mais perto da verdade do que imaginavam.
[ Oficina da Thunderbolt – Madrugada]
A garagem estava silenciosa, apenas algumas lâmpadas piscavam fracamente. Noah e Alex haviam esperado todos saírem antes de entrar sorrateiramente.
— Se alguém mexeu no carro do Luca, as evidências ainda devem estar aqui. — Alex murmurou, abrindo seu tablet para acessar os registros da telemetria.
Noah se abaixou ao lado do carro de Luca, passando a mão pela lateral arranhada. A batida foi forte, mas não o suficiente para justificar a falha repentina.
— A telemetria mostra uma queda brusca na pressão da bomba de combustível antes da batida. Isso não é normal. — Alex franziu a testa.
Noah puxou uma lanterna e apontou para a parte inferior do veículo. Seus olhos se estreitaram ao notar algo estranho próximo à tubulação de combustível.
— O que foi? — Alex perguntou.
Noah estendeu a mão, pegando um pequeno dispositivo preso à mangueira.
— Isso aqui não deveria estar aqui.
Alex pegou o objeto e arregalou os olhos.
— Isso é um limitador remoto. Alguém reduziu o fluxo de combustível do carro de propósito…
Noah sentiu a raiva crescer dentro dele.
— Isso significa que a batida do Luca foi planejada.
O silêncio caiu entre eles.
Noah se levantou devagar, seu olhar carregado de determinação.
— Agora só falta descobrir quem fez isso.
Alex assentiu, os dedos já voando pelo tablet.
— Vou puxar as imagens das câmeras da oficina nas últimas 24 horas.
Noah inspirou fundo, sentindo o peso da situação.
Se alguém estava disposto a sabotar Luca, isso significava que o próximo poderia ser qualquer um deles.
E ele não ia esperar para ser o alvo.
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Atualizado até capítulo 30
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