Capítulo 10 – A Linha Que Não Devia Ser Cruzada

[Cena: Thunderbolt Racing – Oficina, Noite]

A oficina estava quase vazia. Apenas algumas luzes permaneciam acesas, lançando sombras compridas sobre os carros estacionados. Noah ficou para trás depois do treino. Precisava colocar a cabeça no lugar.

Mas Luca, claro, não o deixaria em paz.

— Você devia ir descansar. — A voz de Luca soou atrás dele.

Noah nem se virou.

— Você também. Mas pelo visto, prefere ficar me seguindo.

Luca riu baixo.

— Ou talvez eu só goste de te irritar.

Noah suspirou, finalmente virando-se para encará-lo.

— O que você quer agora, Luca?

O italiano aproximou-se, encostando-se à bancada ao lado dele.

— Quero saber o que você vai fazer com as informações que tem.

— O que eu tenho ainda não é suficiente. — Noah cruzou os braços. — Mas quando for, vou acabar com quem estiver sujando essa equipe.

Luca observou-o por um momento, seu olhar escuro carregado de algo que Noah não soube decifrar.

— Cuidado com essa determinação toda. Pode te colocar em perigo.

Noah riu, sarcástico.

— Isso vindo de você, que chegou aqui bagunçando tudo?

Luca deu um passo à frente, invadindo o espaço de Noah de um jeito calculado.

— Bagunçando? — Sua voz abaixou, carregada de algo provocador. — E como exatamente eu fiz isso?

Noah sentiu o coração bater mais rápido. Ele queria responder, queria afastá-lo, mas seus pés estavam travados.

Luca inclinou-se levemente, sua respiração quente roçando a pele de Noah.

— Se eu estou bagunçando a sua cabeça… — Ele sussurrou. — Só precisa me dizer.

Noah cerrou os dentes.

— Você se acha demais.

Luca riu.

— E você finge demais.

A tensão no ar era sufocante. Noah sabia que deveria se afastar. Mas, em vez disso, foi Luca quem recuou primeiro, como se estivesse esperando que Noah fizesse algo.

— Vejo você na corrida. — Ele disse, antes de sair da oficina.

Noah fechou os olhos por um momento, soltando o ar pesadamente.

Droga.

Esse jogo entre eles estava ficando perigoso.

[Cena: Dia da Corrida – Circuito Internacional]

O autódromo estava lotado. O ronco dos motores enchia o ar, e a adrenalina já percorria as veias de Noah antes mesmo de ele entrar no carro.

Zoe, Alex e Ethan estavam na área dos boxes, checando as últimas configurações.

— Está pronto para isso? — Zoe perguntou, apertando levemente o ombro dele.

Noah assentiu.

— Estou sempre pronto.

Ele lançou um olhar rápido para o outro lado do grid e encontrou Luca encostado em seu carro, colocando as luvas. Ele percebeu o olhar de Noah e sorriu de canto, como se soubesse exatamente no que ele estava pensando.

Desgraçado.

A luz vermelha acendeu.

Os motores rugiram.

E então…

A largada foi dada.

Noah acelerou com tudo, sentindo o mundo se estreitar ao seu redor. O asfalto parecia um borrão sob as rodas, e o único som que importava era o do motor gritando enquanto ele empurrava o carro ao limite.

Luca estava logo atrás, pressionando, esperando o momento certo para atacar.

Na quarta volta, ele fez exatamente isso.

Noah viu o carro de Luca se aproximando pelo lado direito e tentou bloquear a ultrapassagem, mas o italiano jogou a traseira do carro na curva e passou por dentro, assumindo a liderança.

— Filho da… — Noah rangeu os dentes, batendo no volante.

Mas ele não ia deixar barato.

Na reta seguinte, ele forçou a aproximação, tentando pegar o vácuo do carro de Luca.

Só que então…

Algo deu errado.

O carro de Luca estremeceu de repente.

Noah viu faíscas saindo da parte traseira do veículo.

— Luca! — Ele gritou no rádio.

Mas já era tarde demais.

O carro de Luca girou descontrolado, saiu da pista e bateu violentamente contra o muro de proteção.

O coração de Noah quase parou.

O safety car entrou imediatamente na pista, e a bandeira vermelha foi acionada.

Ele parou seu carro nos boxes e saiu correndo.

O carro de Luca estava destruído. Fumaça saía do capô amassado. Os paramédicos chegaram rápido, mas Noah precisava ver com os próprios olhos.

— Onde ele está?! — Ele exigiu, tentando passar.

Mas um dos fiscais o segurou.

— O piloto já foi levado para o centro médico.

Noah sentiu o estômago revirar.

Por favor, que ele esteja bem.

Mas algo dentro dele dizia que aquela batida não foi um acidente.

E a pergunta que martelava na sua mente era: quem fez isso?

[ Centro Médico – Minutos Depois]

Noah entrou no centro médico quase derrubando a porta. O cheiro de desinfetante misturado ao leve aroma de borracha queimada o fez sentir um nó no estômago.

Luca estava deitado na maca, a lateral do rosto arranhada, um corte pequeno na testa e a expressão irritada enquanto discutia com um dos médicos.

— Já falei que estou bem. Foi só uma batida.

— Você precisa descansar e passar por mais alguns exames. — O médico insistiu.

Foi quando Luca percebeu Noah parado na porta, os olhos brilhando com algo entre raiva e… preocupação?

Noah deu dois passos para dentro, cruzando os braços.

— Então é isso? Você quase se mata na pista e quer simplesmente ignorar?

Luca soltou um suspiro cansado, mas um pequeno sorriso ainda brincava em seus lábios.

— Achei que você estaria comemorando por ter menos um rival na corrida.

Noah estreitou os olhos.

— Para de falar merda. O que aconteceu com seu carro?

Luca ficou em silêncio por um momento, como se estivesse processando a pergunta.

— Não sei. — Ele admitiu, sério pela primeira vez. — O carro simplesmente perdeu o controle. Como se algo tivesse falhado.

Noah sentiu um calafrio.

— Isso não foi um erro seu, foi?

Luca riu fraco.

— Está insinuando que eu perdi o controle de propósito?

Noah não respondeu. Apenas manteve o olhar fixo nele.

Foi então que Luca se inclinou um pouco, a voz mais baixa:

— Se alguém mexeu no meu carro… vamos descobrir quem foi.

Noah engoliu em seco.

Luca estava certo.

Aquilo não tinha sido um acidente.

E eles estavam mais perto da verdade do que imaginavam.

[ Oficina da Thunderbolt – Madrugada]

A garagem estava silenciosa, apenas algumas lâmpadas piscavam fracamente. Noah e Alex haviam esperado todos saírem antes de entrar sorrateiramente.

— Se alguém mexeu no carro do Luca, as evidências ainda devem estar aqui. — Alex murmurou, abrindo seu tablet para acessar os registros da telemetria.

Noah se abaixou ao lado do carro de Luca, passando a mão pela lateral arranhada. A batida foi forte, mas não o suficiente para justificar a falha repentina.

— A telemetria mostra uma queda brusca na pressão da bomba de combustível antes da batida. Isso não é normal. — Alex franziu a testa.

Noah puxou uma lanterna e apontou para a parte inferior do veículo. Seus olhos se estreitaram ao notar algo estranho próximo à tubulação de combustível.

— O que foi? — Alex perguntou.

Noah estendeu a mão, pegando um pequeno dispositivo preso à mangueira.

— Isso aqui não deveria estar aqui.

Alex pegou o objeto e arregalou os olhos.

— Isso é um limitador remoto. Alguém reduziu o fluxo de combustível do carro de propósito…

Noah sentiu a raiva crescer dentro dele.

— Isso significa que a batida do Luca foi planejada.

O silêncio caiu entre eles.

Noah se levantou devagar, seu olhar carregado de determinação.

— Agora só falta descobrir quem fez isso.

Alex assentiu, os dedos já voando pelo tablet.

— Vou puxar as imagens das câmeras da oficina nas últimas 24 horas.

Noah inspirou fundo, sentindo o peso da situação.

Se alguém estava disposto a sabotar Luca, isso significava que o próximo poderia ser qualquer um deles.

E ele não ia esperar para ser o alvo.

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