Capítulo 17: Ausências e Aproximações
A partida de Mateus trouxe um silêncio diferente à mansão. Apesar de sua ausência, as crianças continuaram com suas rotinas, e Anny fez o possível para manter o clima leve. No entanto, ela não podia ignorar o vazio deixado por ele e os pensamentos confusos que insistiam em voltar todas as noites.
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Uma Nova Responsabilidade
Com Mateus fora, Anny percebeu que as crianças estavam mais carentes de atenção, especialmente Gabriel. Ele parecia estar ainda mais dependente dela, buscando sua companhia a todo momento.
— Anny, você pode me ajudar com o meu dever de casa? — perguntou ele, segurando um caderno de matemática.
— Claro, Gabriel. Vamos resolver isso juntos.
Enquanto trabalhavam, Alice apareceu com um livro nas mãos.
— Anny, você pode ler pra gente antes de dormir hoje?
— Claro, querida. Qual livro você quer?
— Esse aqui. É sobre uma princesa que vira amiga de um dragão!
O sorriso de Anny não deixava transparecer o cansaço que começava a sentir. Ela sabia que as crianças estavam se apoiando nela para suprir a ausência do pai, e isso apenas reforçava o laço que estava criando com elas.
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Malu e a Verdade
Naquela mesma noite, enquanto Anny terminava de arrumar a cozinha, Malu apareceu. Diferente dos irmãos, ela parecia mais tranquila em relação à ausência de Mateus, mas era evidente que tinha algo em mente.
— Você tem estado muito ocupada — disse Malu, encostando-se à bancada.
— Sim, mas faz parte. Estou aqui para ajudar vocês.
Malu ficou em silêncio por um momento antes de perguntar:
— Você sente falta dele?
Anny parou o que estava fazendo e olhou para a adolescente.
— De quem?
— Do meu pai.
A pergunta pegou Anny desprevenida, mas ela tentou não demonstrar.
— Malu, é claro que sinto falta dele. Todos nós sentimos.
Malu deu um meio sorriso, como se soubesse que a resposta era mais complexa do que aquilo.
— Ele sente sua falta também, sabia? Mesmo que não diga.
Anny não respondeu, mas aquelas palavras ficaram com ela pelo resto da noite.
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Uma Ligação de Longe
Na manhã seguinte, enquanto as crianças tomavam café, o telefone tocou. Era Mateus, ligando para saber como estavam.
— Oi, papai! — disse Alice, atendendo animada.
Gabriel logo pegou o telefone, falando sobre tudo o que tinha feito desde que o pai saiu. Quando foi a vez de Malu, ela falou menos, mas mencionou que tudo estava "sob controle".
Por fim, Anny pegou o telefone, hesitando por um momento antes de falar.
— Oi, Mateus.
— Oi, Anny. Como estão as coisas por aí?
— Tudo bem. As crianças estão se comportando, e a rotina segue normal.
Houve um silêncio breve antes de ele perguntar:
— E você?
A pergunta pegou Anny de surpresa.
— Estou bem. Um pouco ocupada, mas é o esperado.
— Espero que não esteja se sobrecarregando.
— Não se preocupe comigo, Mateus. Estou aqui para ajudar vocês, lembra?
Ele suspirou, e o tom de sua voz mudou ligeiramente.
— Eu me preocupo com você, Anny.
Ela sentiu o coração disparar, mas antes que pudesse responder, Alice puxou o telefone de volta.
— Papai, quando você vai voltar?
Mateus mudou rapidamente o foco da conversa, prometendo que voltaria em breve.
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Uma Surpresa no Fim da Tarde
Naquele mesmo dia, enquanto Anny e as crianças estavam no jardim, um entregador chegou à porta com um pacote. Era para Anny.
— O que é isso? — perguntou Malu, curiosa.
Anny abriu o embrulho e encontrou um livro que mencionara recentemente para Mateus, junto com uma pequena nota:
“Para os momentos que você conseguir tirar para si mesma. Mateus.”
Ela não conseguiu conter o sorriso, mesmo sabendo que Malu estava observando cada detalhe.
— O que foi? — perguntou Malu, com um tom divertido.
— Nada. Só... um presente.
Malu riu e saiu, mas Anny sabia que a adolescente provavelmente já tinha entendido mais do que ela gostaria.
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Uma Reflexão Solitária
Mais tarde, enquanto as crianças dormiam, Anny estava no quarto, com o livro nas mãos. A atitude de Mateus a fazia pensar se ele estava tentando se aproximar de forma sutil ou se era apenas um gesto de gratidão.
De qualquer forma, ela sabia que aquele presente significava algo, e isso a deixava ainda mais confusa sobre o que sentia.
Enquanto isso, do outro lado da cidade, Mateus estava em um quarto de hotel, olhando para o telefone e pensando se deveria ter dito mais na ligação.
Ambos estavam cada vez mais ligados por pequenos gestos e palavras não ditas, mas o medo de avançar ainda os mantinha presos.
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Atualizado até capítulo 100
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