Capítulo 4: Quebrando Barreiras
Depois do café da manhã, Anny ficou sozinha na mansão. Sarah havia levado as crianças para a escola e Mateus, como de costume, saiu cedo para o trabalho. O silêncio dominava o lugar, e Anny aproveitou para explorar um pouco a casa e organizar os quartos das crianças, tarefa que Sarah mencionara como parte de suas responsabilidades.
Ao entrar no quarto de Malu, Anny notou a cama perfeitamente arrumada e a estante cheia de livros. O ambiente era tão organizado que parecia não pertencer a uma criança. Curiosa, ela se aproximou da estante e viu títulos que variavam de romances clássicos a manuais de ciência.
— Parece que ela é mesmo especial — murmurou para si mesma, sorrindo.
No quarto de Alice e Gabriel, o contraste era gritante: brinquedos espalhados pelo chão, roupas jogadas em cima da cama e até um par de sapatos perto da janela. Anny riu baixinho ao imaginar a energia e o caos das crianças que começava a conhecer.
Enquanto organizava o quarto, encontrou um desenho colorido embaixo da cama de Gabriel. Retratava uma mulher de cabelos longos segurando a mão de três crianças. O coração de Anny apertou ao perceber que provavelmente era um retrato da mãe das crianças.
— Eles devem sentir tanto a falta dela... — pensou.
A Volta das Crianças
Quando o relógio marcou 15h, Sarah retornou com as crianças. Alice e Gabriel correram para o quarto, deixando mochilas e casacos pelo caminho. Malu entrou com mais calma, carregando um livro que parecia maior do que deveria ser para sua idade.
— Como foi o dia na escola? — perguntou Anny, enquanto pegava as mochilas do chão.
— Foi legal! — disse Alice, animada. — A professora falou que amanhã vamos pintar!
— Eu ganhei um ponto por responder uma pergunta difícil! — contou Gabriel, orgulhoso.
Malu apenas deu de ombros.
— O de sempre — disse ela, antes de subir as escadas.
Anny notou a resistência da menina, mas decidiu não forçar uma conversa. Por enquanto, ela se concentraria em criar um vínculo com Alice e Gabriel.
O Jardim e as Risadas
Depois de um lanche da tarde, Anny sugeriu que as crianças fossem brincar no jardim. Gabriel e Alice adoraram a ideia e correram para fora. Malu, como esperado, ficou no quarto, imersa em sua leitura.
Anny se sentou em um banco do jardim, observando Alice e Gabriel se divertirem. Eles construíram pequenos bonecos de neve, rindo alto cada vez que algo desmoronava.
— Anny, você não vai brincar com a gente? — chamou Alice.
— Vou ajudar! — respondeu Anny, levantando-se e caminhando até eles.
Ela ajudou Gabriel a construir um boneco de neve maior enquanto Alice fazia detalhes engraçados com galhos e folhas. A alegria nos rostos das crianças aqueceu o coração de Anny, que sentia estar começando a fazer parte daquela pequena família.
Quando voltaram para dentro, já com os rostos vermelhos do frio, encontraram Malu na sala de estar. Para surpresa de Anny, a menina levantou os olhos do livro e olhou para os irmãos.
— O que vocês estavam fazendo?
— Brincando na neve com a Anny! Foi tão divertido! — contou Alice, ainda animada.
— Hm. — Malu desviou o olhar, mas Anny percebeu uma leve curiosidade nos olhos da menina.
— Você pode se juntar a nós amanhã, se quiser — sugeriu Anny calmamente.
— Eu tenho coisas mais importantes para fazer — respondeu Malu, mas sua voz não soava tão firme quanto antes.
Anny sorriu, entendendo que estava plantando pequenas sementes.
O Retorno de Mateus
Pouco antes do jantar, Mateus chegou. Ele parecia exausto, como se o peso do mundo estivesse sobre seus ombros. Ao entrar na sala de jantar, viu as crianças conversando animadamente com Anny enquanto ela servia as refeições.
— Todos prontos para o jantar? — perguntou Mateus, sua voz grave interrompendo a conversa.
As crianças rapidamente se calaram. Anny sentiu a tensão no ar e decidiu suavizar o momento.
— Hoje eles ajudaram a preparar o boneco de neve mais engraçado do mundo — comentou com um sorriso.
Gabriel riu, mas logo olhou para o pai, esperando sua reação. Mateus apenas assentiu levemente, sem demonstrar interesse.
— Certifiquem-se de que terminem logo. Amanhã será outro dia cheio.
O jantar transcorreu em silêncio, com as crianças lançando olhares rápidos para Anny, como se esperassem que ela pudesse aliviar a atmosfera pesada.
Depois de recolher os pratos, Anny encontrou Mateus no escritório. Ele estava revisando papéis e parecia alheio ao que acontecia ao redor.
— Senhor Cavalcanti — chamou ela, hesitante.
Ele ergueu os olhos, visivelmente irritado pela interrupção.
— O que foi?
— Eu só queria avisar que as crianças estão se saindo muito bem. Elas têm um ótimo coração, mesmo com... as dificuldades.
Mateus estreitou os olhos, cruzando os braços.
— Está querendo dizer algo, senhorita Rodrigues?
— Não. Só acho que eles precisam de mais momentos de leveza. E talvez... mais tempo com o senhor.
Mateus respirou fundo, claramente incomodado.
— Minha prioridade é garantir que nada falte a eles. E isso significa trabalhar. Agora, se não se importa, eu tenho coisas a fazer.
Anny assentiu, sentindo que havia tocado em um ponto sensível.
— Claro. Boa noite.
Ao sair do escritório, ela sentiu uma mistura de frustração e pena. Mateus era um homem complexo, mas Anny estava determinada a fazer a diferença, mesmo que fosse aos poucos.
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Atualizado até capítulo 100
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