Capítulo 2: Primeiras Impressões
O silêncio no escritório parecia ensurdecedor. Anny estava sentada diante de Mateus Cavalcanti, cujos olhos frios e atentos examinavam cada detalhe dela. Ele parecia medir não apenas suas palavras, mas também sua postura, suas roupas e até mesmo a maneira como respirava.
— Eu perguntei — Mateus repetiu, com um tom firme — por que acha que está qualificada para este trabalho?
Anny, apesar do nervosismo, endireitou-se na cadeira e manteve o olhar fixo no homem à sua frente.
— Como eu disse, senhor Cavalcanti, eu cuidei dos meus sobrinhos no Brasil por anos. Sei o que crianças precisam: paciência, atenção e alguém que realmente as escute. Não sou babá profissional, mas sou dedicada e aprendo rápido.
Mateus estreitou os olhos, claramente tentando encontrar alguma falha em suas palavras. Ele se levantou da cadeira, caminhando lentamente até a janela do escritório. Com as mãos nos bolsos, olhou para o lado de fora, onde o jardim estava coberto por uma fina camada de neve.
— Eu preciso de alguém que aguente a pressão, senhorita Rodrigues — ele disse, sem virar-se. — Minhas crianças... não são fáceis. A última babá saiu em menos de duas semanas.
Anny sentiu um nó no estômago, mas não se deixou abater. Inspirou fundo e respondeu com firmeza:
— Eu entendo, senhor. Mas acho que a dificuldade não é motivo para desistir. Eu posso lidar com isso, se me der uma chance.
Mateus finalmente se virou para encará-la. Houve um momento de silêncio enquanto ele a observava novamente, como se procurasse alguma mentira em suas palavras. Depois de um longo minuto, ele assentiu, quase relutante.
— Está bem. O trabalho é seu, em caráter de teste.
O coração de Anny disparou, e ela quase soltou um suspiro de alívio.
— Obrigada, senhor Cavalcanti. Prometo que darei o meu melhor.
— Não se apresse em me agradecer — ele respondeu friamente. — Acomodação e alimentação estão incluídas, como dizia o anúncio. Você começará amanhã de manhã. Sarah mostrará seus aposentos e explicará suas funções. E mais uma coisa...
Ele se inclinou levemente para a frente, seus olhos penetrantes fixos nos dela.
— Não interfira no que não é da sua conta. Faça o seu trabalho, e tudo ficará bem.
O aviso era claro. Anny engoliu em seco, mas assentiu.
— Entendido.
Mateus fez um gesto para que Sarah a acompanhasse para fora. Enquanto caminhava pelo longo corredor, Anny tentou ignorar as dúvidas que começavam a se formar em sua mente. Ela havia conseguido o emprego, mas a impressão de que estava entrando em um lugar cheio de segredos era inegável.
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A Chegada à Mansão
Na manhã seguinte, Anny chegou à mansão Cavalcanti com duas malas surradas e um casaco que mal suportava o frio do inverno nova-iorquino. Sarah a recebeu na porta, com a mesma expressão neutra de sempre.
— Vou levá-la ao seu quarto — disse Sarah, pegando uma das malas.
Anny seguiu a assistente pelos corredores da casa, que parecia ainda maior agora que a explorava de perto. O piso de mármore reluzente, os lustres caros e os quadros de paisagens antigas nas paredes a fizeram se sentir fora de lugar.
O quarto que Sarah indicou ficava no segundo andar, próximo ao corredor das crianças. Era pequeno, mas aconchegante: uma cama, um armário e uma escrivaninha. A janela dava vista para o jardim, onde as árvores estavam cobertas de neve.
— Aqui está. O senhor Cavalcanti exige pontualidade e organização. As crianças devem estar prontas para o café da manhã às oito. Seus horários serão rígidos, mas recomendo que você conheça as crianças antes de qualquer coisa.
— Claro. Obrigada, Sarah — disse Anny, sorrindo gentilmente.
Sarah assentiu, mas não sorriu de volta.
— Boa sorte.
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O Primeiro Encontro
Anny não precisou ir longe para conhecer as crianças. Assim que saiu do quarto e entrou no corredor, ouviu o som de vozes e risadas vindo de um dos quartos. Ela bateu levemente na porta entreaberta e espiou.
Três crianças estavam sentadas no chão, cercadas por brinquedos espalhados. A mais velha, uma menina de cerca de 10 anos, tinha longos cabelos ruivos e um olhar sério demais para alguém de sua idade. Ao lado dela, uma garotinha ruiva, de olhos curiosos e expressão sapeca, parecia estar tentando convencer o irmão mais novo, um menino de uns 5 anos, a entregar um carrinho de brinquedo.
Malu filha mais velha
Alice
Gabriel 5 anos
Quando perceberam a presença de Anny, as risadas cessaram. Os três se viraram para ela, com expressões mistas de curiosidade e desconfiança.
— Olá! — disse Anny, sorrindo. — Eu sou a Anny. Vou cuidar de vocês a partir de hoje.
A menina mais velha se levantou primeiro, com postura firme.
— Eu sou a Malu — disse ela, com um tom quase defensivo. — Ela é a Alice, e ele é o Gabriel.
— Prazer em conhecê-los — respondeu Anny, tentando quebrar o gelo. — Vocês estavam brincando? Posso me juntar a vocês?
Alice, a garotinha loira, sorriu timidamente, mas Malu cruzou os braços.
— Não precisamos de uma babá.
Anny se ajoelhou na altura deles e olhou para Malu com suavidade.
— Talvez não. Mas que tal me dar uma chance? Prometo que não vou atrapalhar.
Gabriel olhou para ela, ainda segurando o carrinho com força, e depois sussurrou para Alice:
— Ela fala engraçado...
Alice riu, e até Malu não conseguiu esconder o pequeno sorriso.
— É porque sou brasileira — explicou Anny, sorrindo. — Mas não se preocupem, vamos nos entender muito bem.
Malu a encarou por mais alguns segundos, como se tentasse decidir se podia confiar nela. Por fim, ela suspirou.
— Tudo bem. Mas se você for igual às outras, não vai durar nem uma semana.
Anny riu suavemente.
— Desafio aceito.
Enquanto observava as crianças voltarem a brincar, Anny sentiu um calor no peito. Talvez, só talvez, aquele lugar não fosse tão assustador quanto parecia.
Anny, idade 24 anos
Mateus, idade 36 anos
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Atualizado até capítulo 100
Comments
jeane pereira
que linda, uma personagem da minha cor
2025-02-03
1
Berenice De Souza
os personagens são lindos 😍😍😍😍.
2025-02-08
0