Capítulo 5: Conflitos e Conexões
Na manhã seguinte, Anny começou o dia como de costume: preparando o café da manhã para as crianças. Enquanto organizava a mesa, ouviu passos apressados na escada. Era Alice, que chegou à cozinha com o cabelo bagunçado e um sorriso radiante.
— Bom dia, Anny! — exclamou ela. — O que vamos fazer depois da escola hoje?
— Ainda não sei. O que você tem em mente? — perguntou Anny, enquanto servia um copo de leite para a menina.
— Quero brincar no jardim de novo! E você pode nos ensinar mais jogos!
— Vamos ver o que Gabriel e Malu acham — respondeu Anny com um sorriso.
Logo, Gabriel apareceu na cozinha, ainda meio sonolento, mas também empolgado. Malu foi a última a descer, com a mesma expressão séria de sempre. Ela se sentou à mesa em silêncio, abrindo um livro enquanto comia.
— Malu, por que você não vem brincar com a gente hoje? — insistiu Alice.
— Porque eu tenho coisas mais importantes para fazer, já disse.
— Ler o tempo todo não é divertido! — rebateu Alice.
— É melhor do que perder tempo na neve.
— Ei, ei! Nada de brigas na mesa do café — interveio Anny com uma voz calma, mas firme.
Alice bufou e voltou a comer, enquanto Malu apenas deu de ombros. Anny sabia que ganhar a confiança de Malu seria um desafio, mas ela estava determinada a não desistir.
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Uma Discussão no Escritório
Mais tarde naquele dia, enquanto as crianças estavam na escola, Anny decidiu conversar novamente com Mateus. Ela sabia que ele estava no escritório e, embora hesitante, sentiu que precisava tentar mais uma vez.
Ela bateu levemente na porta.
— Entre — disse a voz grave de Mateus.
Anny abriu a porta e o encontrou, como sempre, com a atenção voltada para uma pilha de papéis.
— Senhor Cavalcanti, posso falar com o senhor por um momento?
Mateus suspirou, tirando os óculos e massageando a têmpora.
— Faça rápido. Estou ocupado.
— Eu queria falar sobre as crianças.
Ele ergueu as sobrancelhas, claramente intrigado.
— O que tem elas?
— Elas são incríveis, mas sinto que estão lidando com muito peso para a idade delas. Gabriel e Alice são mais abertos, mas Malu... ela parece carregar uma tristeza que não deveria ser normal para uma criança.
Mateus franziu o cenho, cruzando os braços.
— E o que exatamente você acha que deveria ser feito?
— Elas precisam de mais momentos com o senhor. Brincadeiras, conversas... algo que as ajude a se sentirem conectadas.
— Já faço o suficiente por elas, senhorita Rodrigues. Dou a elas tudo o que precisam.
— Tudo, exceto o tempo do pai delas — rebateu Anny, sem conseguir conter as palavras.
Mateus ficou em silêncio, seu olhar se tornando mais frio.
— Não é da sua conta como eu crio meus filhos. Você foi contratada para cuidar deles, não para me dar conselhos parentais.
Anny sentiu as bochechas queimarem, mas manteve a postura.
— Eu entendo, senhor. Só achei que deveria dizer o que vejo.
— E já disse. Agora, se me der licença, tenho trabalho a fazer.
Anny saiu do escritório, sentindo uma mistura de frustração e tristeza. Apesar da resistência de Mateus, ela não desistiria de tentar ajudar aquela família.
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Uma Conexão com Malu
Mais tarde, Anny decidiu tentar se aproximar de Malu de outra forma. Sabia que a menina adorava livros, então foi até a biblioteca da casa, onde a encontrou sentada em uma poltrona, concentrada na leitura.
— O que está lendo? — perguntou Anny, sentando-se perto dela.
Malu ergueu os olhos brevemente antes de voltar ao livro.
— Um livro sobre astronomia.
— Interessante. Você gosta de estrelas?
— Gosto de tudo no universo. É vasto, imprevisível e, o melhor de tudo, está longe das pessoas.
Anny sorriu, sentindo que a menina começava a se abrir, mesmo que de forma indireta.
— Sabe, quando eu era pequena, costumava deitar na grama e olhar para as estrelas. Sempre tentava encontrar constelações, mas nunca acertava.
Malu fechou o livro, olhando para Anny com curiosidade.
— Você sabe o nome das constelações?
— Algumas. Talvez você possa me ensinar mais.
Malu hesitou, mas Anny percebeu um brilho de interesse nos olhos da menina.
— Talvez.
Anny sentiu que aquele pequeno avanço era uma vitória.
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Uma Nova Dinâmica
Naquela noite, Anny estava lendo uma história para Alice e Gabriel antes de dormir quando Malu apareceu na porta do quarto.
— O que você está lendo? — perguntou ela, como se não se importasse muito.
— Uma história sobre um reino mágico. Quer ouvir também? — perguntou Anny, surpresa com a presença dela.
Malu cruzou os braços, mas acabou entrando no quarto e sentando-se no canto da cama de Alice.
— Só por um momento.
Anny continuou lendo, observando as expressões das crianças. Gabriel estava encantado, Alice ria das partes engraçadas, e Malu, embora tentando parecer desinteressada, estava claramente ouvindo com atenção.
Quando terminou, Anny deu boa noite a todos e saiu do quarto, sentindo-se mais esperançosa. Estava começando a quebrar as barreiras daquela família, uma conexão de cada vez.
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Atualizado até capítulo 100
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