A Primeira Briga

O segundo mês do "teste de namoro" havia começado com promessas de maior entendimento e uma expectativa crescente para um relacionamento mais sólido entre Brennda e Victor. No entanto, como é de se esperar, a intensidade de suas personalidades e os traumas passados começaram a se refletir em pequenos desentendimentos.

Era uma manhã de sábado, e Brennda estava sentada na cozinha, mexendo distraidamente seu café enquanto olhava o celular. Victor estava em uma videoconferência, algo relacionado aos seus negócios, e ela não conseguiu deixar de notar que ele parecia estar mais distante do que o habitual. Algo não estava certo.

Ela tentou ignorar a sensação incômoda, mas a falta de atenção dele nas últimas semanas começou a pesar. A cada compromisso que ele cancelava ou cada vez que ele se ausentava por mais tempo, Brennda começava a questionar onde ela se encaixava naquela equação.

Naquele dia, finalmente, ela não conseguiu segurar a frustração e decidiu confrontá-lo.

— Victor, precisamos conversar — disse ela, interrompendo a videoconferência.

Ele a olhou com uma expressão tensa, fechando rapidamente a tela do computador.

— Sobre o que? — respondeu, tentando manter a calma, mas com um tom de impaciência.

— Você tem se afastado. Não tem sido o mesmo. Eu não sou só sua submissa, Victor, estou começando a sentir que não estamos mais em um relacionamento de verdade, nem de amizade, nem de namoro — Brennda falou, com a voz firme, mas as palavras saindo mais como um grito de necessidade do que uma acusação.

Victor ficou em silêncio por um momento, estudando o rosto de Brennda, antes de responder com um tom que ela não esperava.

— Eu te avisei desde o começo, Brennda. Estamos num teste, e esse contrato, esse acordo, não significa que tudo seja perfeito o tempo todo. Se você quer algo mais "convencional", então talvez devêssemos repensar tudo isso.

As palavras dele a cortaram como uma lâmina. Brennda sentiu uma mistura de raiva e desilusão se formando dentro de si.

— Eu não te pedi para ser perfeito, Victor! Eu só estou pedindo mais do que essa distância emocional que você está me impondo. Isso não é sobre o contrato, é sobre nós, como pessoas. Como um casal! — ela se levantou, suas mãos trêmulas de frustração.

Ele a encarou, os olhos frios e calculistas, como se estivesse medindo suas palavras antes de falar.

— O que você espera de mim, Brennda? Já te dei tudo que prometi nesse contrato. Você queria ser minha submissa, agora quer algo mais? Isso é contraditório! Eu não vou me desculpar por ser quem sou. Eu estou aqui para o que eu me comprometi, e você sabia disso — a voz dele subiu, se tornando mais áspera.

O clima estava carregado, e a tensão entre eles era palpável. Brennda sentiu a vontade de gritar, mas em vez disso, respirou fundo, tentando se acalmar.

— Eu sei o que você me prometeu, mas eu também sou uma pessoa, Victor. E esse relacionamento — seja lá o que você queira chamar — precisa evoluir. Não posso continuar sendo sua submissa sem que você veja o que eu sou por dentro, sem que me trate como algo mais do que um simples objeto de prazer. Eu não sou isso para você, certo? — seu tom estava mais suave, mas ainda assim decidido.

Victor ficou em silêncio por um momento, e Brennda achou que ele estava prestes a se afastar novamente, como sempre fazia quando não sabia lidar com as emoções. Mas ele não o fez.

De repente, ele se levantou e foi até ela. Seus olhos estavam mais suaves, mas havia uma intensidade neles que a fez sentir uma pontada no peito. Ele colocou uma mão em seu rosto, acariciando-lhe a pele suavemente.

— Você me desafia, Brennda — murmurou, a voz grave. — Não sabia que isso ia acontecer. Não sabia que eu ia... me importar tanto com você.

Ela olhou para ele, um misto de raiva e desejo. Não estava pronta para perdoá-lo, mas sabia que aquele momento precisava de algo mais.

Victor a puxou para ele, beijando-a com uma urgência feroz, como se aquele fosse o único momento que importasse. Brennda sentiu a força de suas mãos, as palavras não ditas se desvanecendo enquanto ele a beijava, intensamente, e a fricção entre os corpos fazia com que a raiva fosse substituída por uma necessidade de proximidade, de desarmar aquele embate emocional.

A paixão entre eles explodiu de forma abrupta, como uma tempestade. Ambos estavam em pé, os corpos entrelaçados, enquanto a tensão se transformava em uma entrega total. Brennda sentiu sua raiva desaparecer enquanto ele a dominava novamente, mas agora de uma forma diferente, com uma suavidade que ela nunca havia sentido antes.

Victor a guiou até o sofá, e o resto da manhã foi uma fusão de palavras ininteligíveis, toques desesperados e corpos que pareciam se comunicar de uma maneira primitiva. A briga havia se transformado em uma necessidade visceral, uma forma de purgar os sentimentos acumulados.

Quando finalmente se acalmaram, ambos estavam exaustos, deitados um ao lado do outro, respirando com dificuldade. Brennda olhou para Victor, que agora parecia mais relaxado, mais presente.

— Eu te amo, Brennda — ele sussurrou, e pela primeira vez, ela acreditou em suas palavras.

Ela não respondeu imediatamente, mas se aninhou contra ele, sentindo o calor de seu corpo.

O segundo mês do teste de namoro havia sido turbulento, mas, naquele momento, Brennda sabia que o que eles tinham era algo real. Algo que nem as brigas, nem os desafios poderiam apagar.

Eles tinham encontrado um novo ponto de equilíbrio, onde a paixão e a vulnerabilidade se entrelaçavam, e, talvez, isso fosse tudo o que eles precisavam.

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Comments

roseli rosa martins floriano

roseli rosa martins floriano

vocês já viram uma mulher começar a dar em cima de um gay porque diz que ele só é assim porque nunca achou a pessoa certa, é exatamente o que a Brennda está fazendo, um relacionamento é feito quando duas pessoas se aceitam, não uma querendo mudar a outra.

2025-02-28

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AndressaAutora

AndressaAutora

Eu acho que os dois tinham que ter pensado juntos, ela pensou e apresentou a ideia, ele só aceitou mas já com receio e pensando que não iria dar certo, aí onde chegou!

2025-03-16

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Iara Drimel

Iara Drimel

Hum🤔 Uma questão interessante? Uma submissa é apenas uma submissa, não tem nada a ver com ser uma pessoa ou objeto ou amante

2025-03-22

1

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