O ar fresco da manhã entrava pelas janelas enquanto Brennda revisava sua agenda. Era segunda-feira, e o dia estava cheio de reuniões, contratos para analisar e casos para resolver. No entanto, mesmo com sua rotina absorvente, sua mente voltava repetidamente à noite anterior com Victor.
Havia algo na maneira como ele conduzia cada situação, cada gesto, que a fazia reconsiderar tudo o que pensava saber sobre si mesma. Aquela venda sobre os olhos, o toque medido e calculado, as palavras que a guiavam… Foi mais do que uma experiência física; foi um despertar emocional e mental.
"Isso é apenas o começo", Victor dissera. E Brennda sabia que ele estava certo.
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Naquela noite, enquanto encerrava sua jornada de trabalho, o telefone vibrou sobre a mesa. Ao ver o nome de Victor na tela, seu coração acelerou ligeiramente. Ela atendeu, mantendo o tom profissional, embora por dentro estivesse cheia de expectativas.
— Olá, Victor.
— Brennda, espero que tenha tido um bom dia — respondeu ele, com a voz calma e segura de sempre.
— Bastante ocupado, mas nada fora do comum.
— Fico feliz em saber. Hoje à noite quero que tire um tempo para você mesma. Vamos avançar para o próximo passo amanhã, mas há algo que precisa fazer antes.
— E o que seria? — perguntou, misturando curiosidade e cautela.
— Quero que reflita sobre os seus limites. O que te faz sentir confortável, o que não, e o que talvez esteja disposta a explorar. Escreva, mesmo que pareça desnecessário. É importante saber exatamente o que deseja e até onde está disposta a ir.
Brennda ficou em silêncio por um momento, processando as instruções. Não esperava algo tão introspectivo, mas também não deveria se surpreender. Nada com Victor parecia aleatório.
— Certo. Eu farei.
— Perfeito. Nos vemos amanhã no meu escritório às sete.
A ligação terminou, e Brennda recostou-se na cadeira, olhando para a caneta sobre a mesa. “Limites”, pensou. Era uma palavra que definia muito mais do que estava disposta a permitir fisicamente. Era um conceito que abrangia sua confiança, vulnerabilidade e capacidade de entrega.
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Naquela noite, após um jantar leve e uma taça de vinho, Brennda sentou-se no sofá com um caderno no colo. No início, as palavras não vinham com facilidade. Como expressar em papel algo que nem sabia como definir? Mas, conforme sua caneta deslizava no papel, sua mente começou a se abrir.
“Meus limites...”
Ela começou listando o que estava fora de questão: situações que sabia não querer explorar. Depois, passou para o que poderia considerar, mas apenas nas circunstâncias certas. Por fim, escreveu uma lista de coisas que a intrigavam, mas que nunca teve coragem de tentar.
Quando terminou, fechou o caderno e exalou profundamente. Havia algo libertador em encarar seus desejos e medos de forma tão direta.
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No dia seguinte, às sete em ponto, Brennda entrou no escritório de Victor. Era um espaço elegante e minimalista, com janelas amplas que ofereciam uma vista panorâmica da cidade. Victor estava de pé ao lado de uma mesa baixa, servindo duas taças de vinho tinto.
— Pontual como sempre — disse ele, entregando uma das taças.
— É um hábito difícil de quebrar — respondeu ela, com um leve sorriso.
Victor indicou um assento à sua frente, e os dois se sentaram.
— Fez a tarefa que pedi?
— Sim — respondeu Brennda, tirando o caderno da bolsa. — Aqui está.
Victor pegou o caderno com cuidado, mas não o abriu imediatamente. Em vez disso, olhou para ela diretamente, como se quisesse ter certeza de que estava confortável com o que estava prestes a acontecer.
— Antes que eu leia, quero que saiba que isso não é um teste. Não existem respostas certas ou erradas. É apenas uma ferramenta para te conhecer melhor e para que eu respeite os seus limites da forma correta.
Ela assentiu, embora seu coração batesse forte. Era estranho deixar alguém acessar uma parte tão íntima de si mesma. Mas sabia que isso era essencial para o caminho que estavam trilhando juntos.
Victor abriu o caderno e começou a ler em silêncio. Conforme os minutos passavam, Brennda se sentia cada vez mais exposta, como se cada palavra naquela página a revelasse mais do que qualquer ação física poderia. Finalmente, Victor fechou o caderno e a olhou com uma expressão que misturava respeito e admiração.
— Isso é excelente, Brennda. Você foi honesta consigo mesma, e isso é o mais importante.
Ela sentiu um alívio inesperado ao ouvir essas palavras.
— Foi mais difícil do que eu imaginava, mas também... libertador.
Victor assentiu, levantando-se e caminhando até a janela.
— A liberdade começa com o autoconhecimento. Agora que ambos sabemos quais são os seus limites, podemos avançar com confiança.
— O que exatamente isso significa? — perguntou, seguindo os movimentos dele com os olhos.
Victor voltou-se para ela, com um olhar intenso que fez sua pele se arrepiar.
— Significa que, a partir de agora, cada passo que dermos terá um propósito. Não quero que se sinta perdida ou fora de controle. Meu papel não é apenas te guiar, mas garantir que se sinta segura em cada momento.
Brennda assentiu lentamente, compreendendo a seriedade de suas palavras. Havia algo profundamente reconfortante na maneira meticulosa de Victor, como se cada detalhe fosse projetado para construir confiança.
— E qual é o próximo passo? — perguntou, sentindo um leve arrepio de antecipação.
Victor sorriu de leve, aproximando-se com passos deliberados.
— O próximo passo é te ensinar a soltar. Hoje à noite, não faremos nada que te teste fisicamente. Quero que aprenda a relaxar a mente, a permitir que outra pessoa tome as decisões por você, mesmo que seja em algo tão simples quanto uma conversa guiada.
— Uma conversa guiada?
Victor inclinou-se levemente em sua direção, preenchendo o espaço entre os dois.
— Exato. Você confia em mim para guiar seus pensamentos, emoções e, eventualmente, suas ações. É o primeiro passo para criar uma verdadeira conexão de confiança.
Brennda engoliu seco, sentindo o ar da sala ficar mais denso. Sabia que isso não seria fácil, mas também sabia que estava pronta para encarar.
— Estou pronta — disse, com a voz firme apesar do nervosismo.
Victor assentiu, satisfeito.
— Perfeito. Vamos começar.
E assim, enquanto a noite caía sobre a cidade, Brennda deu outro passo em direção a um mundo que mal começava a explorar. Um mundo onde confiança, entrega e autoconhecimento eram as chaves para desbloquear algo muito mais profundo do que o simples prazer.
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Atualizado até capítulo 26
Comments
Giulia Jung
🤔🤔🤔 esse cara tá me ganhando no argumento, não gosto disso
2025-02-28
2
Iara Drimel
Victor está parecendo um curso de auto conhecimento e relaxamento. O que esperamos está demorando . E nem banho gelado será necessário pela demora.
2025-03-02
1
AndressaAutora
Poxa, mas ele tá pedindo pra uma pessoa curiosa que é o caso dela, que não tem experiência nenhuma, literalmente por a vida dela de todas as formas na mão dele kkkkk
2025-02-11
1