A luz suave do entardecer entrava pelas janelas do escritório de Victor, envolvendo o ambiente em uma penumbra acolhedora. Brennda estava sentada no sofá, as mãos repousando no colo, enquanto Victor tomava um lugar à sua frente. Havia algo solene no ar, como se estivessem prestes a começar um ritual cuidadosamente planejado.
— Hoje não se trata do seu corpo, Brennda — começou Victor, sua voz calma, mas firme. — Quero que entenda que tudo começa aqui — disse, apontando para a própria têmpora. — Se sua mente não estiver completamente aberta, o resto não terá sentido.
Brennda assentiu, embora não compreendesse totalmente o que aquilo significava. Ela confiara em Victor até então e, embora cada passo a tivesse desafiado, também sentira um crescimento inesperado dentro de si.
— Como começamos? — perguntou finalmente, rompendo o silêncio.
Victor inclinou-se em sua direção, os olhos fixos nos dela.
— Primeiro, preciso que você relaxe completamente. Deite-se no sofá e feche os olhos.
Embora a instrução fosse simples, Brennda sentiu um leve nó no estômago ao se recostar. Não estava acostumada a ceder o controle, nem mesmo em algo tão trivial como aquilo. Fechou os olhos devagar, permitindo que a escuridão por trás de suas pálpebras a envolvesse.
— Respire profundamente — continuou Victor. — Inspire contando até quatro, segure o ar por quatro segundos e depois expire lentamente.
Brennda seguiu suas instruções, sentindo como cada respiração ajudava a liberar a tensão nos ombros e nas costas. Victor permaneceu em silêncio por um momento, permitindo que ela encontrasse um ritmo constante.
— Muito bem — disse finalmente. — Agora quero que imagine um lugar onde você se sinta completamente segura. Pode ser real ou imaginário. Descreva esse lugar para mim.
Sua mente vagou por alguns instantes antes de se fixar em uma imagem clara: uma praia deserta ao amanhecer, com o som das ondas quebrando suavemente na margem.
— É uma praia — disse em voz baixa. — Não há ninguém mais, só o som do mar e o céu mudando de cor.
Victor sorriu, embora Brennda não pudesse vê-lo.
— Excelente. Quero que se concentre nesse lugar. Sinta a areia sob os pés, a brisa na pele, o calor do sol começando a aparecer.
Enquanto ele falava, sua voz adquiria um tom hipnótico. Brennda podia imaginar cada detalhe com uma clareza surpreendente. Era como se estivesse realmente ali, com a areia acariciando seus pés e o ar salgado enchendo seus pulmões.
— Agora, nesse lugar seguro, imagine que há uma porta à sua frente — continuou Victor. — É uma porta pequena, mas atrás dela há algo que você tem evitado enfrentar. Não precisa abri-la agora, apenas observe como ela é.
Brennda franziu levemente a testa. A imagem da porta surgiu em sua mente: uma estrutura simples de madeira envelhecida com uma maçaneta de bronze. Havia algo inquietante nela, mas também sentia curiosidade.
— É uma porta de madeira, antiga — murmurou. — Parece estar fechada há muito tempo.
Victor assentiu, sua voz suave, mas cheia de intenção.
— Isso é perfeito. Essa porta representa algo dentro de você, algo que precisa explorar para seguir em frente. Mas você não está sozinha. Estou aqui para guiá-la.
O coração de Brennda começou a bater mais rápido. A intensidade do momento era quase palpável, e, embora soubesse que era um exercício mental, parecia tão real quanto qualquer coisa que já tivesse experimentado.
— O que faço agora? — perguntou, quase num sussurro.
— Quando estiver pronta, imagine que está abrindo essa porta. Não se apresse. Tome o tempo que precisar.
Brennda respirou fundo, tentando acalmar os nervos. Em sua mente, estendeu a mão em direção à maçaneta da porta. Estava fria ao toque, mas parecia sólida, como se estivesse esperando por aquele momento havia muito tempo. Lentamente, girou a maçaneta e empurrou a porta.
Do outro lado, viu uma sala vazia, mas não completamente escura. Uma luz suave vinha de um canto, revelando uma cadeira e um pequeno espelho pendurado na parede. O lugar estava silencioso, exceto pelo eco distante de seus próprios passos ao cruzar o limiar.
— Há uma cadeira e um espelho — disse Brennda, descrevendo o que via. — É... estranho.
Victor não a interrompeu, permitindo que ela processasse a cena em seu próprio ritmo.
— Aproxime-se do espelho — disse finalmente. — Olhe para ele.
Brennda hesitou por um momento antes de se aproximar. Quando levantou os olhos para o espelho, o que viu a deixou sem fôlego. Não era seu reflexo habitual; em vez disso, era uma versão mais jovem e vulnerável de si mesma.
— Eu me vejo... diferente — disse, a voz cheia de assombro. — Pareço mais jovem, mas também... mais frágil.
Victor inclinou ligeiramente a cabeça, como se esperasse essa resposta.
— Essa é uma parte de você que tem ignorado. Uma versão de si mesma que precisa ser ouvida. O que ela diz?
Brennda olhou fixamente para o espelho, esperando que algo acontecesse. No início, não houve nada, mas, então, como se a imagem ganhasse vida, o reflexo falou:
— "Por que você tem medo de mostrar quem realmente é?"
A pergunta ecoou em sua mente. Ela sabia exatamente a que se referia, mas havia passado tanto tempo escondendo isso que mal conseguia enfrentar agora.
— Não sei — respondeu finalmente, a voz ligeiramente embargada. — Talvez porque seja mais fácil manter o controle, porque não quero parecer fraca.
Victor ouviu atentamente, sem interrompê-la.
— Não há nada de errado em se proteger, Brennda. Mas há uma diferença entre proteção e esconder-se.
A imagem no espelho sorriu levemente, como se aprovasse as palavras de Victor. Brennda respirou profundamente, sentindo uma onda de emoções que a sobrecarregava, mas também a libertava de alguma maneira.
Quando abriu os olhos, estava de volta ao escritório de Victor.
— Você fez bem — disse ele, sorrindo, com um olhar de aprovação. — Este foi um grande passo.
Embora ainda sentisse o peso do que experimentara, Brennda também experimentou um leve alívio. Sabia que o caminho seria longo, mas estava pronta para continuar.
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Atualizado até capítulo 26
Comments
Giulia Jung
Parece até uma cena do meu livro que eu escrevi, tipo literalmente hoje de manhã. Caraca que coincidência!!
2025-02-28
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Iara Drimel
Eu já teria aberto o olho e perguntando se era real oque ele queira que fizesse isso. Victor é muito perigoso mexer com coisas do subconsciente se não souber como acessar
2025-03-02
1
Iara Drimel
A experiência se torna real pois seu cérebro cria verdades e medos. Victor está trabalhando a sugestão e com isso será muito fácil acessar sua mente
2025-03-02
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