Na manhã seguinte, Brennda acordou com uma sensação que não conseguia identificar completamente. Havia algo de inquietação em seu peito, mas também uma centelha de curiosidade e, embora relutasse em admitir, uma excitação renovada pelo desconhecido. A experiência da noite anterior, apesar de aparentemente simples, deixara uma marca dentro dela. Era como se algo tivesse se desbloqueado, uma parte dela que estivera trancada após anos de rigoroso autocontrole.
Desde que conhecera Victor, seu mundo cuidadosamente estruturado começava a oscilar. Antes dele, tudo era claro: trabalho, sucesso, independência. Mas agora surgiam perguntas incessantes: o que controle significava para ela? Ela era realmente livre ou prisioneira de suas próprias expectativas?
O som do telefone a tirou de seus pensamentos. Ao desbloquear a tela, encontrou uma mensagem de Victor:
"Bom dia, Brennda. Espero que tenha descansado bem. Quero convidá-la para um almoço hoje. Temos muito o que discutir. Vou lhe enviar o endereço. Vista-se confortável. V."
Como sempre, não havia indício de hesitação na mensagem. Victor escrevia com a mesma segurança com que falava. Brennda suspirou, ponderando se deveria aceitar. Sabia que o convite era muito mais do que um simples almoço; seria outro passo em direção ao mundo que ele lhe propunha.
Finalmente, decidiu responder:
"Estarei lá. Que horas?"
A resposta veio rapidamente:
"Às 13h. Vejo você em breve."
Às 12h45, Brennda estacionou seu carro em frente a um restaurante exclusivo no centro da cidade. O lugar era discreto, mas elegante, o tipo de estabelecimento onde conversas importantes aconteciam longe de ouvidos curiosos. Entrou com passos firmes, embora sentisse um leve nervosismo por dentro.
Um anfitrião a guiou até uma mesa privativa em uma varanda com vista para um jardim interno. Victor já estava lá, sentado com uma expressão relaxada, mas atenta. Ao vê-la, levantou-se e ofereceu um sorriso leve.
— Brennda, obrigado por vir — disse, puxando a cadeira para que ela se sentasse.
— Não costumo recusar convites intrigantes — respondeu ela, tentando manter o tom firme.
Uma garçonete chegou com duas taças de vinho e um cardápio. Após fazerem os pedidos, Victor voltou sua atenção para Brennda.
— Como se sentiu depois de ontem à noite? — perguntou, com genuíno interesse.
Brennda demorou um momento para responder.
— Foi... interessante. Não esperava que algo tão simples como uma venda nos olhos pudesse ter tanto impacto. Mas também despertou muitas perguntas.
Victor assentiu.
— As perguntas são o começo. Não quero que aceite nada às cegas. Isso é um processo, e cada passo deve ser uma decisão consciente. Hoje quero falar sobre o que vem a seguir.
Brennda arqueou uma sobrancelha, interessada, mas cautelosa.
— Continue.
Victor retirou uma pasta de couro preta, semelhante à da noite anterior. Colocou-a sobre a mesa e a abriu, revelando novamente o contrato, mas desta vez com várias anotações adesivas nas margens.
— Este contrato é o ponto de partida — explicou ele. — Aqui estão detalhados seus limites, desejos e nossas responsabilidades mútuas. Mas não quero que o assine hoje. Quero que continuemos explorando, passo a passo, até que tenha certeza de que é isso que deseja.
Brennda pegou o contrato e o folheou rapidamente. Havia anotações escritas à mão, provavelmente por Victor, destacando pontos importantes ou sugerindo ajustes. A atenção aos detalhes era impressionante e, de certa forma, lhe transmitia uma estranha sensação de segurança.
— O que acontece se eu decidir que não quero continuar? — perguntou Brennda, olhando-o diretamente.
Victor não pareceu surpreso com a pergunta. Pelo contrário, sorriu com calma.
— Então respeitarei. Isso não é uma armadilha, Brennda. É uma escolha. Sempre será.
Ela assentiu, aceitando a resposta por enquanto. No entanto, algo ainda a inquietava.
— Victor, por que eu? Você poderia ter qualquer mulher disposta a isso. Por que acha que sou a pessoa certa?
Ele sustentou o olhar dela, como se buscasse as palavras certas.
— Porque vejo algo em você que raramente encontro: uma força que não tem medo de admitir sua vulnerabilidade, mesmo que ainda esteja aprendendo a aceitá-la. E porque, embora tente esconder, há uma parte sua que anseia por algo mais, algo que vai além do superficial. Estou errado?
Brennda não soube como responder. Suas palavras a atingiram com uma precisão desconcertante. Decidiu mudar de assunto.
— Então, qual é o próximo passo?
Victor sorriu levemente, reconhecendo sua estratégia, mas permitindo que ela evitasse a questão.
— Quero que explore seus próprios limites, mas também quero que confie em mim para desafiá-la. Esta noite, vou levá-la a um lugar especial. Você não precisa decidir agora; pode pensar durante o dia. Se decidir ir, enviarei os detalhes.
Brennda o observou com curiosidade, perguntando-se o que ele planejava. Embora ainda houvesse dúvidas em sua mente, uma parte dela estava ansiosa para descobrir mais.
— Tudo bem. Avisarei.
O resto do dia, Brennda se viu presa em uma luta interna. Parte dela queria ignorar o convite, permanecer em sua zona de conforto e continuar com sua vida habitual. Mas outra parte, que se tornava mais forte, ansiava por saber o que havia além. Ao cair da noite, finalmente tomou sua decisão.
Enviou uma mensagem breve:
"Estarei lá. Diga a hora."
Victor respondeu quase imediatamente:
"Perfeito. Passo para buscá-la às 21h. Prepare-se para algo especial."
Pontualmente às 21h, um carro preto parou em frente ao prédio de Brennda. Victor estava ao volante, e, quando ela entrou, ele a cumprimentou com um sorriso caloroso.
— Pronta? — perguntou.
Brennda assentiu, embora seu coração batesse acelerado. Durante o trajeto, conversaram sobre assuntos leves, o que ajudou a aliviar um pouco seu nervosismo. Finalmente, chegaram a um edifício que parecia ser um clube privado.
Victor a guiou para dentro, onde foram recebidos discretamente. O ambiente era elegante, mas também exalava um ar de mistério. Brennda notou que as pessoas ali pareciam relaxadas e confortáveis consigo mesmas.
— Quero que observe — disse Victor, enquanto a levava a um salão privativo. — Não precisa participar, só quero que veja e entenda.
No salão, havia uma demonstração em andamento. Um casal realizava uma sessão cuidadosamente coreografada que transmitia tanto confiança quanto paixão. Brennda observou, fascinada, como a dinâmica entre eles parecia ser uma linguagem própria.
Quando tudo terminou, Victor inclinou-se em sua direção.
— O que achou?
Brennda o encarou, com uma mistura de emoção e confusão nos olhos.
— Acho... que quero saber mais.
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Atualizado até capítulo 26
Comments
Iara Drimel
É muito papel para fazer o que quer que seja. 🤔, mas talvez como ela sendo advogada seja excitante entregar vários contratos 😏
2025-03-14
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Iara Drimel
Eu também quero saber o que eles estavam fazendo? 😭 Eu tenho uma mente muito criativa e penso em várias possibilidades,. 😜😝
2025-03-14
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Iara Drimel
Brennda está em uma fase de sua vida que não tem muito o que perder, já conquistou tudo, menos o prazer com um homem
2025-03-14
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