Brennda sentou-se na beirada da cama, o cartão preto entre os dedos, enquanto sua mente lutava para encontrar clareza. Haviam se passado três dias desde o encontro com Victor, mas sua voz ainda ecoava em sua cabeça, especialmente aquela frase que parecia ter sido feita para desmontá-la: "Submissão não é fraqueza, é coragem."
Palavras como essas não eram fáceis de ignorar, especialmente vindas de um homem que parecia ler seus pensamentos antes mesmo que ela pudesse articulá-los. Contudo, aceitar o que Victor havia oferecido significava mais do que entrar em um acordo: significava abrir-se, deixar-se ver e, o mais assustador de tudo, confiar.
Com um suspiro, Brennda colocou o cartão sobre a mesa de cabeceira e levantou-se. Passara o dia inteiro distraída no trabalho, revisando contratos de forma automática enquanto sua mente vagava incessantemente para o clube, Victor e aquela conexão inexplicável que sentira. "Isso não é apenas um jogo", ele dissera. E se não fosse?
Ela sabia que sua vida era perfeitamente organizada. Tinha sucesso, independência e uma reputação impecável. Mas também sabia, embora fosse difícil admitir, que algo estava faltando. Aquela noite no clube havia revelado uma verdade que ela evitara por muito tempo: queria mais.
Decidida a não se deixar consumir pelos próprios pensamentos, pegou o telefone, digitou o número de Victor e, com uma mistura de antecipação e receio, apertou "ligar".
O telefone tocou apenas uma vez antes de ele atender.
—Victor.
Sua voz profunda e segura fez com que Brennda se enrijecesse imediatamente. Era como se sua presença atravessasse o telefone e a envolvesse.
—Sou eu... Brennda.
—Eu sabia que você ligaria.
Ela franziu o cenho diante da confiança dele, mas, ao mesmo tempo, sentiu um estranho alívio.
—Quero... falar mais sobre sua proposta.
—Perfeito. Está livre esta noite?
Brennda hesitou. Esperava que a conversa se limitasse ao telefone, mas Victor nunca fazia nada de forma casual.
—Sim.
—Vou lhe enviar um endereço. Esteja lá às oito.
A ligação terminou antes que ela pudesse responder. Brennda olhou para o telefone, sentindo-se presa entre a curiosidade e a inquietação. Não havia mais volta.
- - -
Pontualmente às oito, Brennda estacionou em frente a um prédio discreto, mas que exalava exclusividade. O endereço enviado por Victor não era sua casa, nem o clube: era um lugar completamente novo. Com o coração acelerado, saiu do carro e dirigiu-se à entrada.
Um homem de terno a recebeu com um leve aceno de cabeça, como se já a esperasse. Sem dizer uma palavra, conduziu-a a um elevador privado que parou no último andar. As portas se abriram, revelando um loft amplo com uma vista impressionante da cidade iluminada.
Victor estava ao lado de uma mesa de vidro, revisando alguns documentos. Quando levantou o olhar e a viu, sorriu, mas não se aproximou imediatamente. Em vez disso, apontou para a cadeira à sua frente.
—Brennda. Pontual, como sempre.
Ela se sentou, tentando não parecer nervosa, embora sua postura rígida a traísse.
—Isso é... mais formal do que eu esperava.
Victor colocou os documentos de lado e recostou-se na cadeira.
—Tudo na minha vida é formal. Especialmente algo tão importante quanto isso.
De baixo da mesa, ele retirou uma pasta de couro preta e a colocou diante dela. Brennda olhou com cautela antes de abri-la. O que encontrou não era o que esperava: um contrato detalhado, escrito com precisão, como se tivesse sido elaborado por um advogado tão meticuloso quanto ela.
—Isso é sério? —perguntou, analisando as páginas.
—Totalmente. Quero que entenda que isso não é improvisado. Aqui estão todas as regras, limites e expectativas. Nada acontece sem o seu consentimento.
Brennda começou a ler o contrato. Havia cláusulas sobre comunicação, segurança, encontros e até uma lista de palavras de segurança que ela poderia usar para interromper qualquer atividade se se sentisse desconfortável. Era surpreendentemente... profissional.
—Isso parece excessivamente... estruturado —comentou, arqueando uma sobrancelha.
Victor sorriu.
—Porque é. Esse tipo de relação não pode ser deixado ao acaso. Estrutura cria confiança, e confiança é tudo.
—E você? O que ganha com isso?
Victor inclinou-se para frente, apoiando os cotovelos na mesa.
—Ganho o mesmo que você. Uma conexão que vai além do superficial. Mas isso só funciona se ambos concordarmos.
Brennda deixou o contrato sobre a mesa e olhou diretamente para ele.
—E se eu não gostar?
Victor assentiu, aceitando o desafio.
—Então não assine. Mas, se decidir assinar, prometo que será algo que você jamais esquecerá.
O silêncio que se seguiu foi intenso. Brennda sabia que estava diante de uma encruzilhada, e cada fibra de seu ser lhe dizia para ter cuidado. Mas também sabia que algo dentro dela ansiava por cruzar aquela linha.
Finalmente, pegou a caneta que Victor lhe oferecia.
—Onde eu assino?
Victor sorriu, satisfeito, e apontou o espaço no final da última página.
—Aqui.
Quando Brennda escreveu seu nome, sentiu como se estivesse saltando no vazio. Mas, pela primeira vez em muito tempo, não temia a queda.
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Atualizado até capítulo 26
Comments
Kelly Ramos
Assina aqui e se prepare pra ficar de pernas bambas kkkkk
2025-01-26
2
Giulia Jung
Não sei, depende da sua perspectiva. Eu acho que isso torna tudo mais superficial. Pq naturalmente as pessoas não vão ficar colocando cláusulas em relacionamentos
2025-02-28
0
roseli rosa martins floriano
para uma advogada ela assinou os documentos que podem modificar a vida dela muito rápido, até a menina do 50 tons de cinza leu melhor o contrato do que ela
2025-02-08
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