O Primeiro Limite

O relógio marcava dez da noite quando Brennda se viu diante da porta de um prédio discreto, com uma fachada elegante, mas sem grandes ornamentos. Ela chegou ali seguindo as instruções enviadas por Victor, que havia indicado detalhadamente onde encontrá-lo. A localização, fora de sua rota habitual, só aumentava o mistério.

Enquanto aguardava, sua mente revisitava os eventos recentes. As conversas com Victor, os exercícios mentais e o confronto com seu reflexo interior tinham sido reveladores, mas também desafiadores. Ela se perguntava o que viria a seguir e o que Victor exigiria dela dessa vez.

A porta se abriu com um clique suave, interrompendo seus pensamentos. Um homem alto, vestido de terno preto, a recebeu com uma respeitosa inclinação de cabeça.

— Senhorita Brennda, seja bem-vinda. O senhor Victor está esperando por você.

Brennda assentiu, ajustando seu casaco antes de entrar. O interior do prédio era sofisticado, com uma decoração minimalista que transmitia luxo sem ostentação. O som dos saltos de seus sapatos ecoava no piso de mármore enquanto seguia o homem até o elevador no fim do corredor.

Quando as portas do elevador se fecharam, o silêncio entre eles se tornou quase palpável. Brennda lançou um olhar discreto ao homem, mas ele manteve uma postura profissional, sem dirigir-lhe sequer um olhar curioso.

Ao chegarem ao último andar, as portas se abriram, revelando um espaço amplo e iluminado por luzes quentes. Era uma sala privada com janelas que ofereciam uma vista panorâmica da cidade. No centro da sala, Victor estava de pé ao lado de uma mesa, aguardando-a com sua habitual confiança serena.

— Brennda — disse ele, com a voz suave, mas firme. — Fico feliz que tenha vindo.

Ela caminhou em sua direção, tentando esconder a mistura de nervosismo e curiosidade que sentia. — Que lugar é este? — perguntou, examinando o ambiente ao redor.

Victor sorriu levemente e apontou para a mesa, que estava preparada com duas taças de vinho e uma pasta de couro. — É um espaço privado onde podemos trabalhar no que vem a seguir. Cada detalhe aqui foi pensado para que você se sinta confortável, mas também para que possa se concentrar no que estamos construindo juntos.

Brennda arqueou uma sobrancelha, cruzando os braços à frente do corpo. — E o que estamos construindo exatamente?

Victor deu um passo à frente, diminuindo a distância entre eles. Seu olhar era intenso, mas sem ser ameaçador, como se ele enxergasse além das barreiras que ela tentava manter. — Confiança. E, com ela, a liberdade de explorar quem você realmente é, sem julgamentos ou expectativas externas.

Um arrepio percorreu a espinha de Brennda. Havia algo na maneira como Victor falava que fazia tudo parecer inevitável, como se esse fosse o único caminho que ela pudesse seguir.

Victor pegou a pasta sobre a mesa. — Hoje quero falar sobre limites. Este contrato — disse ele, abrindo a pasta para revelar algumas páginas impressas — é um rascunho do que será nosso acordo. Aqui estão detalhados seus desejos, seus medos e, principalmente, seus limites. Nada será feito sem o seu consentimento, Brennda. Você tem controle total sobre isso.

Ela se sentou à mesa, analisando as páginas organizadas com cuidado. Embora já tivesse ouvido falar de acordos desse tipo, nunca imaginou estar em uma situação como essa. — Que tipo de limites você está sugerindo? — perguntou, tentando manter um tom neutro.

Victor sentou-se à sua frente, apoiando os cotovelos na mesa e entrelaçando os dedos. — Limites físicos, emocionais e psicológicos. Tudo precisa estar claro para nós dois. Isso não é sobre o que eu quero ou o que você acha que eu quero. Trata-se de encontrar um equilíbrio onde possamos confiar plenamente um no outro.

Brennda pegou a primeira página do contrato e começou a ler. Ficou surpresa com o nível de detalhes: seções que abrangiam desde atividades específicas até palavras-chave para interromper qualquer situação, se necessário. Enquanto lia, Victor permaneceu em silêncio, dando-lhe tempo para processar.

Finalmente, ela levantou os olhos. — Isso parece mais um manual do que um contrato.

Victor sorriu, divertido com o comentário. — Talvez seja. Mas cada palavra está ali para proteger você e proteger a nós dois. Se vamos explorar isso juntos, preciso que você se sinta segura a cada passo.

Brennda deixou o contrato sobre a mesa e cruzou as pernas, olhando-o fixamente. — Isso é muita coisa para assimilar.

— Eu sei — admitiu Victor. — Não espero que você tome uma decisão agora. Leve o tempo que precisar para ler e pensar no que realmente deseja.

O silêncio que se seguiu era confortável, embora carregado de tensão. Brennda sabia que aquele momento marcava um ponto de inflexão. Aceitar o contrato significava mais do que apenas aceitar regras; significava abrir-se completamente, confiar em Victor e, o mais difícil, confiar em si mesma.

Depois de alguns minutos, Victor levantou-se e caminhou até a janela, observando as luzes da cidade. — Há algo mais que quero mostrar esta noite, se você estiver disposta.

Brennda o observou com curiosidade, inclinando-se levemente para frente. — O que seria?

Victor voltou-se para ela, sua expressão mais séria. — Um exercício prático. Não haverá contato físico, nem compromissos. Será apenas um passo simbólico para ajudá-la a entender o que significa realmente ceder o controle.

Embora a ideia a deixasse nervosa, Brennda sentiu uma curiosidade impossível de ignorar. Ela se levantou e caminhou até ele. — Estou ouvindo.

Victor sorriu, como se já esperasse essa resposta. — Siga-me.

Ele a conduziu a uma sala adjacente, menor e ainda mais íntima. Havia uma cadeira no centro do espaço e, ao lado, uma mesa com uma venda de seda preta e um cronômetro.

— Quero que você se sente aqui e feche os olhos — disse Victor, apontando para a cadeira.

Brennda o encarou com ceticismo, mas acabou obedecendo. Sentou-se e fechou os olhos, sentindo-o pegar a venda na mesa.

— Vou cobrir seus olhos — explicou. — Durante cinco minutos, você não verá nada. Quero que se concentre apenas nos sons, nas sensações e no que sua mente lhe diz.

Embora a ideia parecesse desconcertante, Brennda assentiu. Sentiu a seda roçar suavemente seu rosto antes de a visão ser completamente encoberta. Sua respiração ficou mais lenta enquanto tentava relaxar.

O primeiro minuto foi inquietante. A escuridão a fazia perceber cada som: o tic-tac do cronômetro, o leve rangido do piso sob os passos de Victor. Sua mente começou a divagar, questionando se estava certa em confiar nele.

— Respire — disse Victor, com um tom calmo vindo de algum lugar próximo. — Você está segura.

As palavras a tranquilizaram, e, aos poucos, ela soltou a tensão dos ombros. Cada minuto que passava tornava a experiência menos intimidadora e mais libertadora. Naquele momento, deixou de se preocupar em controlar cada aspecto de seu entorno.

Quando Victor finalmente retirou a venda, Brennda abriu os olhos devagar. A luz da sala parecia mais intensa, e sua mente estava surpreendentemente clara.

— Como se sente? — perguntou ele, observando-a atentamente.

— Estranhamente bem — admitiu Brennda, com um leve sorriso surgindo em seus lábios. — Não imaginei que algo tão simples pudesse ser tão... significativo.

Victor assentiu, satisfeito com a resposta. — Às vezes, o mais poderoso não é o complicado, mas aquilo que nos força a sair de nossa zona de conforto.

Naquela noite, enquanto voltava para casa, Brennda sabia que algo dentro dela estava mudando. E, embora o caminho fosse incerto, estava disposta a explorá-lo, um passo de cada vez.

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Comments

Iara Drimel

Iara Drimel

Victor, desculpa, mas tudo está se resumindo o que você pode mandar e como pode burlar limites para se satisfazer. Você é o dominante que tudo sabe de Brennda, porém você é uma incógnita

2025-03-02

1

Iara Drimel

Iara Drimel

Mas já não foi trabalhado confiança? E quem Brennda é realmente? Victor isso está mais para experiências psicológicas. Só falta você acionar sinos para Brennda executar tarefas

2025-03-02

1

AndressaAutora

AndressaAutora

Então, do que ele tem medo para ser tão detalhista assim? ou ele realmente é tão perfeccionista? pois me custa acreditar que ele não tenha nenhum ponto fraco, defeito ou algo do tipo kkk

2025-02-11

1

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