Brennda largou a caneta sobre a mesa, sua assinatura ainda fresca no contrato que acabara de selar uma decisão que sabia que mudaria sua vida. Levantou os olhos para Victor, que observava o documento com uma expressão de satisfação controlada. Havia algo nele, em seu jeito de se portar, que irradiava um poder sereno, como se já tivesse todas as respostas antes mesmo que ela formulasse as perguntas.
—Agora que você assinou —disse ele, deslizando a pasta de volta para si—, o primeiro passo é simples.
Ela arqueou uma sobrancelha, tentando parecer mais tranquila do que realmente estava.
—Que passo?
Victor levantou-se com elegância, levando o contrato até uma escrivaninha no canto da sala. Lá, guardou-o cuidadosamente em uma gaveta, trancando-a com chave antes de voltar-se para ela.
—Confiança. E, para isso, preciso que siga minhas instruções.
Brennda cruzou os braços, um gesto automático que sempre fazia quando sentia necessidade de se proteger.
—Isso soa mais fácil de falar do que de fazer.
Victor sorriu, aquele sorriso enigmático que começava a se tornar familiar para ela.
—Não espero que seja fácil. Só espero que esteja disposta.
O silêncio preencheu o ambiente por um momento. Brennda sentia que cada palavra que Victor dizia era cuidadosamente calculada, projetada para fazê-la questionar, para empurrá-la além de seus limites. Finalmente, ela assentiu, sua voz firme apesar do nó na garganta.
—Estou pronta.
Victor aproximou-se lentamente, parando em frente a ela. Observou-a em silêncio, como se estudasse cada detalhe de seu rosto, buscando algo que só ele podia ver. Então, levantou uma mão e tocou suavemente seu queixo, um gesto que não era invasivo, mas que carregava um peso inesperado.
—Hoje à noite, não faremos nada físico —disse ele, em um tom baixo e tranquilizador—. Quero que entenda que isso é mais do que um simples ato. É uma jornada, e cada passo tem um propósito.
Brennda sentiu seu coração acelerar, não por medo, mas por uma mistura de antecipação e curiosidade. A proximidade de Victor, sua voz, sua presença, tudo parecia envolvê-la em uma bolha onde só existiam os dois.
—Então, o que espera de mim esta noite? —perguntou ela, esforçando-se para manter a compostura.
Victor baixou a mão e deu um passo para trás, dando-lhe espaço.
—Quero que confie em mim o suficiente para me deixar guiá-la. Não vou pedir que faça nada que não possa lidar, mas preciso que siga cada instrução sem questionar.
Brennda assentiu lentamente, embora sua mente ainda estivesse repleta de dúvidas.
—Entendido.
Victor estendeu uma mão para ela.
—Venha comigo.
Ela hesitou por um instante, mas finalmente colocou sua mão sobre a dele. O calor de sua pele, combinado com a firmeza de seu aperto, deu-lhe uma sensação de segurança inesperada. Ele a conduziu a outra parte do loft, através de uma porta que dava para um cômodo muito menor, iluminado apenas por uma luminária suave em um dos cantos.
O ambiente era decorado com móveis minimalistas e tons neutros, mas o que chamou a atenção de Brennda foi um pequeno divã no centro, coberto por um tecido escuro e macio. Ao lado, havia uma mesinha com uma venda preta dobrada cuidadosamente.
—Tire os sapatos e sente-se —instruuiu Victor, com seu tom calmo de sempre.
Brennda obedeceu, seus movimentos um pouco rígidos enquanto deslizava os saltos e se acomodava no divã. Suas mãos repousaram sobre os joelhos, e seus dedos brincavam nervosamente com a barra do vestido.
Victor pegou a venda e posicionou-se na frente dela, inclinando-se o suficiente para que seus olhos ficassem no mesmo nível.
—Vou vendar seus olhos. Quero que se concentre no que sente, não no que vê.
O coração de Brennda começou a bater com força. Ela estava acostumada a estar no controle, a saber exatamente o que aconteceria a cada momento. Mas agora, a ideia de deixar alguém comandar era tão assustadora quanto atraente.
—Confia em mim? —perguntou Victor, segurando a venda nas mãos.
Ela respirou fundo antes de responder.
—Sim.
Victor sorriu levemente antes de colocar a venda sobre seus olhos, ajustando-a perfeitamente. Na escuridão, Brennda sentiu-se estranhamente vulnerável, mas também mais consciente de cada pequeno detalhe: o toque do tecido contra sua pele, o som dos passos de Victor ao seu redor, até mesmo sua própria respiração, que parecia mais alta do que o normal.
—Quero que feche os olhos por trás da venda —disse Victor, sua voz tão próxima que parecia um sussurro—. Confie nos outros sentidos.
Ela obedeceu, relaxando as pálpebras enquanto suas mãos se apertavam levemente sobre os joelhos.
O som seguinte foi um clique suave, como se Victor tivesse aberto algo. Em seguida, um aroma doce e quente preencheu o ar, um perfume que ela não conseguiu identificar, mas que a envolveu completamente.
—Este é um exercício de confiança —explicou ele—. Vou tocá-la, mas apenas o suficiente para que preste atenção ao que sente. Se em algum momento quiser que eu pare, basta dizer "vermelho".
Brennda assentiu, a garganta seca demais para falar.
Victor começou com um toque leve em seu pulso, apenas o roçar dos dedos contra a pele. Era um gesto simples, mas na escuridão, sem as distrações visuais, parecia infinitamente mais intenso. Lentamente, os dedos dele subiram pelo antebraço, traçando um caminho até seu ombro.
—Respire —lembrou ele—. Concentre-se apenas no que sente.
Ela exalou lentamente, permitindo que a tensão em seus ombros diminuísse um pouco. O toque de Victor era medido, deliberado, como se cada movimento tivesse um propósito. Quando alcançou seu pescoço, Brennda sentiu um arrepio percorrer sua espinha.
—Está bem? —perguntou ele, sua voz baixa, mas firme.
—Sim —respondeu, surpresa pela suavidade de sua própria voz.
Victor continuou, seus dedos subindo até a linha de sua mandíbula antes de se retirarem completamente. A ausência de seu toque era tão palpável quanto sua presença, e Brennda percebeu que seu corpo já ansiava por mais.
—Isso é suficiente por esta noite —disse Victor, quebrando o silêncio.
Antes que ela pudesse protestar, ele retirou a venda de seus olhos. A luz suave do cômodo parecia mais brilhante do que antes, e quando seus olhos se ajustaram, viu Victor olhando para ela com uma mistura de orgulho e algo mais, algo que ela ainda não conseguia identificar.
—Você foi bem —disse ele, inclinando ligeiramente a cabeça.
Brennda sentiu suas bochechas corarem, não de vergonha, mas pela intensidade do momento que haviam compartilhado. Não fora algo físico, mas ela sentira mais naqueles minutos do que em qualquer outra experiência recente.
—Isso é apenas o começo —continuou Victor—. Cada passo que dermos será para ajudá-la a descobrir o que realmente deseja.
Brennda não respondeu de imediato. Em sua mente, as palavras de Victor se misturavam à sensação de suas mãos em sua pele, criando um turbilhão de emoções que ela ainda não sabia como processar. Mas uma coisa era certa: não havia mais volta.
Pela primeira vez em muito tempo, sentia-se viva e pronta para descobrir até onde poderia ir.
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Atualizado até capítulo 26
Comments
Giulia Jung
Eu quero entender melhor esse bafafá. Quero saber se você tem bala nessa arma e se sabe usar de verdade, ou vai ficar só falando
2025-02-28
1
AnaSilva
"não espero que seja fácil ,
só espero que esteja disposta "
aí papai , apaixonei
2025-02-04
1
Iara Drimel
Brennda, provavelmente Victor sabe muito e tem a arte de seduzir e dominar, imagino ele como executivo, um CEO poderoso
2025-03-02
1