“Edu”
Estou em casa, fechado em meu escritório, remoendo minha amargura. Amanhã é aniversário de morte da Carol, minha mãe quer que vou com ela ao cemitério levar flores, eu não quero ir, cada vez que vou lá lembro aquele maldito dia, ela morrendo em meus braços, e eu sem poder fazer nada para ajudar.
-Carol, meu amor, a dor da saudade é tanta que estou enlouquecendo.
Tomei um remédio forte para dor de cabeça e deitei no sofá.
Acordei sentindo mãos me acariciarem o rosto, por um momento não quis abrir meus olhos porque sei que é um delírio e sumirá assim que eu acordar, mas ouvi me chamar.
-Abre os olhos, meu amor, quero mergulhar no verde de teus olhos mais uma vez.
Abri meus olhos e Carol está ali bem na minha frente, não consigo me mexer.
-Carol, você voltou para mim, meu amor, minha vida. você realmente está aqui.
-Ursinho, eu tenho pouco tempo, só me escuta, estou com você, só precisa me enxergar.
-Como você está comigo? Eu não consigo te ver, me mostra onde você está.
-Abra seus olhos, só assim você vai me ver, precisa abrir seus olhos.
A imagem foi sumindo até que desapareceu.
Eu poderia dizer que estava sonhando, mas não estava, estou sentado e ainda escuto ela me falando, abre seus olhos.
-Estou com os olhos abertos, Carol, o que eu não estou vendo.
Minha mãe entrou no escritório porque me ouviu gritando.
-Meu filho, o que está acontecendo? A casa inteira está te ouvindo gritar.
-Vi a Carol, mãe, ela me disse que está perto de mim, que é para eu abrir os olhos que verei, eu não sei o que ela quer dizer, eu estou com os olhos abertos e não consigo ver nada.
-Calma, meu filho, deve ter sido um pesadelo.
Abracei a minha mãe e chorei a minha dor, a única pessoa que me vê desse jeito é minha mãe, para os outros, sou o patrão linha dura que só sabe mandar. Mas por agora só quero o colo da minha mãe.
Depois desse dia entrei em uma depressão que fazia muito tempo que não entrava, sempre me mantive controlado, mas ver Carol me desestruturou, me fez voltar naquele primeiro ano sem ela, tudo parecia sem cor.
Os dias passaram e eu continuo tentando entender o que minha Carol quis me dizer, minha mãe entra no escritório, eu estou há dias sem tomar banho, fazer a barba, estou ali no escuro sem direção.
-Levanta que hoje temos um compromisso importante.
-Eu não vou, vai à senhora e avisa que estou doente.
-Filho, sua secretária casará hoje e você aceitou guiar o carro levando a noiva à igreja e, ainda pior, é com um parente.
Manda, meu motorista, eu não quero ir a um casamento.
-Filho, foi você quem pegou o compromisso, vai tomar um banho que você está fedendo e coloca um de seus ternos pretos e vamos que estou te esperando.
Fazer o que assumi o compromisso, mas isso foi em um momento em que estava me sentindo até bem, agora me sinto um trapo humano, sem rumo, tentando entender o que Carol quis dizer com enxergue, o que eu não estou enxergando?
-Volta, meu amor e me explica o que não estou vendo.
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Atualizado até capítulo 75
Comments
Cleidiane Oliveira
confesso que chorei... é muito triste perder um grande amor, principalmente pra morte...
2025-01-25
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Adelia Cabral
Essa história é forte demais,nós prende de uma tal maneira, muito emocionante 💖
2025-03-26
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Ameles
a secretária dele não é a Maria?
2025-01-31
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