Annandy
A linda aliança incrustada de diamantes e visivelmente cara que está no meu dedo anelar está pesando mais que uma baleia azul. Não entendo esse sentimento que estou sentindo agora, é estranho.
Os meus olhos vão para Leon que encara as montanhas como se estivesse carregando algo mais pesado do que pode carregar. Sinto algo bloquear a minha garganta, apertar o meu peito... A minha consciência quer me dizer algo, mas um sentimento indescritível a cala.
— Leon, se quiser conversar estou aqui... Não sei o que está passando na sua cabeça, mas sinto que devo ajudar. — ele olha para mim e sorri.
— Quer pentear o meu cabelo e fazer as minhas unhas também? — o seu tom brincalhão me impede de ficar zangada — Podemos fazer um delicioso chocolate quente, comer mini sanduíches... Está tudo bem, Annandy. Não se preocupa.
— Então, por que para mim não parece estar tudo bem? — pergunto olhando para a aliança que apesar de caber perfeitamente no meu dedo parece enorme.
— O que foi? — Leon segura a minha mão — Exagerei te pedindo em casamento na frente do pessoal da editora? Annandy, eu sabia que provavelmente iríamos ouvir o que ouvimos e queria minimizar tudo para você.
— Estou começando a pensar que não é justo com você o que estou fazendo... Não poderei cumprir a promessa que fiz a você, Leon. — suspiro e tiro a aliança do meu dedo — Você não pode ser objeto na minha vingança... Você é um ser humano incrível e merece respeito.
Coloco a aliança na mão dele e me viro para ir até o quarto fazer as minhas malas até que Leon me segura e me puxa para ele colocando a aliança de volta no meu dedo.
— Não me obrigou a nada, não vou permitir que Kaique te humilhe ou consiga te colocar na sarjeta! Vamos nos casar e vou te ajudar a levá-lo para o buraco de onde ele não deveria ter saído, mas primeiro ele precisa se casar com a Bruna.
— Tem ideia de onde está querendo se envolver? Não posso te dar nada em troca... Por que quer fazer isso?
— Olhando nos meus olhos não consegue sua resposta? — essa pergunta me faz querer beija-lo enquanto olho nos seus olhos.
Mas o telefone dele toca, creio que na hora certa. Eu iria fazer algo que não poderia desfazer depois. Ainda me lembro das palavras de Leon... Ele não é de recuar.
— Annandy, preciso sair para resolver algo e talvez chegue tarde. Mas vou pedir o seu almoço e a sua janta, fique tranquila.
— Não precisa... Vou passar o resto do dia na casa dos meus pais. Vou conversar com eles sobre o divórcio e o nosso casamento já que faz questão de continuar me ajudando.
— Eu queria ir com você... — Leon olha para o celular apreensivo — Mas preciso ir para um compromisso agora.
— Está tudo bem, volto depois do jantar.
Leon sorri para mim, em seguida trocamos de roupa e cada um segue o seu destino. Quando estou na casa dos meus pais levo um tempo para conseguir conversar com eles até que durante o almoço começo a falar.
— Vou me divorciar do Kaique na segunda! — os meus pais pararam com o garfo a meio caminho da boca, se olham e depois me olham.
— Quem lhe deu essa aliança cara? — o meu pai pergunta olhando para a minha mão.
— Se vai se divorciar precisa nos dizer quem lhe deu essa aliança que está no seu dedo. — a minha mãe fala enquanto limpa os cantos da boca com o guardanapo.
— Primeiro preciso dizer que estou me divorciando porque meu futuro ex-marido é um canalha traidor. Segundo, quem me deu essa aliança queria estar aqui pedindo minha mão para vocês, mas surgiu um compromisso e ele teve que ir.
— Isso não responde a minha pergunta, Annandy! — vejo a impaciência dos meus pais.
— Leon Castilho! Pai, ele é um homem bom e... — paro de falar ao ver meu pai rindo e minha mãe aliviada — Perdi alguma coisa?
— O herdeiro da Editora Casteliana, esse sim, é um homem perfeito para você, minha filha. — acredito que o meu pai deve ter bebido.
— Pai, Leon Castilho era meu assistente na Sol Nascente. Ele não é herdeiro nenhum não.
— Jogo sinuca com o pai dele todo domingo no mesmo clube há anos, somos amigos e já tínhamos cogitado o casamento de vocês... Mas você se apaixonou por aquele crápula, tive que recusar. Leon Castilho só tem um nessa cidade, Annandy. — o meu pai fala enquanto volta a comer.
Não é possível, lembro que falei com Leon sobre essa editora e ele apenas disse que era uma boa editora. Suponho que vou me divorciar e também matar o meu noivo, ele deveria ter me contado.
— Não acredito que a nossa filha está seguindo o caminho certo agora. Ainda bem que esse casamento não rendeu frutos, agora pode ter uma família de verdade com o seu futuro marido, com filhos. — a minha mãe fala animada.
— Mãe, não temos filhos nos nossos planos. Ainda temos que pensar em trabalho, estabilizar as nossas vidas... Filhos não são nossa prioridade.
— Após o seu casamento você terá um ano para aproveitar o seu casamento, Annandy! Minha filha, cada ano que passa não ficamos mais fortes e férteis, pense nisso.
Me dói ver que ela foi mãe tarde e não pode ter outros filhos, imagino que o seu sonho e ter netos por aqui correndo. Sinto um nó na minha garganta ao ver a tristeza nos olhos da minha mãe.
— Mãe, prometo que lhe darei um neto, ou melhor, netos nesse meu novo casamento. Não fique triste. — meu Deus, o que estou fazendo?
Não posso prometer algo para a minha mãe, Leon não vai querer chegar a tanto e não posso obriga-lo. Droga, minha boca grande e minha impulsividade vão me matar ainda.
Agora estou ansiosa para ver o Leon, ele vai ter que me explicar porque não me contou que não precisava trabalhar para mim e passar o que ele passou ao meu lado.
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Atualizado até capítulo 40
Comments
Érica Cristina
AIIIII QUE SURPRESA DELICIOSAAAAAA ESSA ESTÓRIA PARABÉNS AUTORA
2025-04-03
0
Cristiane F silva
Talvez já até esteja grávida depois da noite de assédio kkkk
2025-04-01
0
Maristela Mota yaman
cuidado querida
2025-02-06
1