Lorenzo guiou Elena até sua casa imponente, situada em uma área discreta da cidade. Apesar do ar de poder que emanava, o interior era surpreendentemente acolhedor, com móveis de madeira escura e iluminação suave. Elena, ainda cautelosa, observava cada detalhe enquanto Lorenzo a ajudava a sentar-se em um sofá largo.
Lorenzo: Você precisa cuidar dessa perna. Pode não parecer, mas eu sei o que estou fazendo.
Elena arqueou uma sobrancelha, desconfiada.
Elena: Você sempre ajuda estranhas que aparecem correndo na rua?
Lorenzo: (sorrindo) Nem sempre. Mas você é especial, não é? A mulher que conseguiu escapar de Rafael
Ela congelou ao ouvir o nome de Rafael. Lorenzo percebeu, mas decidiu não pressioná-la… ainda.
Lorenzo: Deite-se. Vou buscar o que preciso para cuidar disso
Elena hesitou por um momento, mas a dor em sua perna era intensa demais para discutir. Enquanto Lorenzo desaparecia em outra sala, ela olhou ao redor, procurando por qualquer indício de onde estava ou quem ele realmente era.
Quando Lorenzo voltou, carregava uma maleta de primeiros socorros. Ele puxou uma cadeira para sentar-se ao lado dela.
Lorenzo: Vou ser honesto. Isso vai doer
Elena: (com sarcasmo) Ah, ótimo. Exatamente o que eu precisava ouvir.
Ele sorriu novamente antes de rasgar delicadamente a calça ao redor do ferimento. Elena grunhiu, mas se controlou, observando enquanto ele limpava a ferida com cuidado.
Elena: Você tem jeito para isso. Outra profissão secreta além de… sei lá, ser misterioso?
Lorenzo: (dando de ombros) Digamos que eu já precisei lidar com feridas antes. O mundo em que vivo exige isso
Elena franziu o cenho, desconfiada, mas a dor a impediu de questioná-lo mais. Lorenzo continuou a trabalhar com precisão, aplicando um curativo e garantindo que a perna estivesse imobilizada.
Lorenzo: Pronto. Não é um trabalho de hospital, mas vai servir
Elena: Obrigada… Acho
Ela cruzou os braços, ainda tentando decifrá-lo.
Elena: Por que você está fazendo isso? Eu não sou ninguém para você.
Lorenzo: Talvez eu tenha um fraco por pessoas que desafiam os poderosos. Ou talvez eu apenas não goste de ver alguém sofrer.
Ela não sabia se acreditava nele, mas o cansaço a venceu.
Elena: De qualquer forma… obrigada
Lorenzo: (se levantando) Descanse. Vou garantir que ninguém a encontre aqui.
Enquanto ele se afastava, Lorenzo lançou um último olhar para Elena. Havia algo nela – uma determinação feroz, mesmo ferida – que ele admirava. E, por mais que quisesse ignorar, ele sabia que ela era mais do que apenas uma mulher fugindo de Rafael.
Lorenzo: (pensando) Rafael com certeza não faz ideia do que tem nas mãos. Mas talvez eu faça
Lorenzo observou Elena enquanto ela se esforçava para se levantar do sofá. Apesar de sua atitude desafiadora, ele notou o cansaço evidente em seu rosto e a forma como sua perna tremia levemente devido à dor.
Lorenzo: Você precisa descansar. Venha, vou te mostrar onde pode ficar.
Ela hesitou, mas acabou cedendo. Ele a guiou pelos corredores espaçosos de sua casa até um quarto elegante, mas sóbrio, com uma cama grande de dossel e janelas com cortinas pesadas que bloqueavam a luz da rua.
Lorenzo: Este será seu quarto. Não se preocupe, aqui você estará segura.
Elena olhou ao redor, observando cada detalhe do espaço. Apesar de tudo, parecia confortável, mas sua expressão ainda carregava desconfiança.
Elena: Segura? Isso parece um cativeiro luxuoso
Lorenzo: (arqueando a sobrancelha) Não precisa ser assim. Você pode encarar isso como um refúgio… ou uma prisão. Depende de você
Ela bufou, mas não respondeu. Lorenzo indicou a cama com um gesto.
Lorenzo: Descanse. Você está exausta. Precisa de energia para o que quer que decida fazer a seguir
Elena: E se eu decidir sair daqui agora?
Lorenzo se aproximou um pouco, cruzando os braços.
Lorenzo: Com essa perna? E com Rafael provavelmente procurando por você em cada canto da cidade? Não acho que seja uma decisão inteligente
Ela o encarou, mas a exaustão finalmente venceu. Sem outra palavra, ela se dirigiu até a cama e se sentou lentamente, apoiando a perna ferida.
Lorenzo: Se precisar de algo, é só chamar. Não sou tão assustador quanto pareço.
Ele lançou um pequeno sorriso antes de sair do quarto.
No corredor, Lorenzo encontrou dois de seus homens de confiança, vestidos de preto e com expressões sérias. Ele ajustou o tom de voz para algo mais duro e direto.
Lorenzo: Quero vocês vigiando a casa o tempo todo. Nada de cochilos ou distrações. Entendido?
Os homens assentiram imediatamente.
Lorenzo: Se alguém se aproximar, quero saber antes mesmo que eles respirem perto da porta. E se forem de Rafael ou qualquer outra ameaça…
Ele parou por um momento, a voz ficando fria.
Lorenzo: Atirem para matar. Não podemos arriscar
Guarda 1: Entendido, chefe
Guarda 2: Vamos reforçar a segurança imediatamente
Lorenzo: Ótimo. Quero a casa protegida como se fosse um cofre.
Enquanto os seguranças se afastavam para cumprir as ordens, Lorenzo ficou parado por um momento, olhando para a porta do quarto de Elena. Havia algo nela que o intrigava, algo que ele não conseguia entender completamente.
Lorenzo: (pensando) Rafael vai vir atrás dela. Mas não vou deixá-lo tocar um fio de cabelo dessa mulher
Ele respirou fundo, ajustou o relógio no pulso e desceu as escadas para conferir os preparativos, pronto para o que viesse a seguir.
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Atualizado até capítulo 44
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