O encontro

O sol mal tinha aparecido quando Elena se levantou. O silêncio da manhã contrastava com o turbilhão que se passava em sua mente. Ela caminhou até a janela e olhou para o jardim, onde o orvalho ainda brilhava sobre as folhas. Mas mesmo aquela cena pacífica não conseguia acalmar seu coração. O que ela faria agora? Fugir? Desafiar seu pai? A ideia de escapar parecia improvável, mas sua indignação crescia a cada minuto.

O som de uma porta se abrindo a tirou de seus pensamentos. Sua mãe entrou, os olhos ainda inchados de uma noite sem sono. Ela se aproximou e sentou-se ao lado de Elena na cama, tentando não olhar para o rosto da filha, mas a dor estava estampada ali, clara como o dia.

Mãe: Eu sei que você está furiosa, mas ele… ele não sabia o que fazer

Elena não respondeu de imediato. A raiva borbulhava dentro dela, mas ela sabia que sua mãe não tinha culpa. Ainda assim, a dor era tão grande que as palavras ficaram presas em sua garganta.

Elena: Ele destruiu a minha vida, mãe. E você, o que vai fazer? Vai ficar em silêncio como sempre?

A mãe abaixou a cabeça, como se o peso da vergonha fosse demais para suportar.

Mãe: Eu… eu não posso impedir o que já está decidido. Mas você precisa entender que seu pai… ele ama você. Ele fez isso por amor

Elena sentiu um nó na garganta. Ela não queria ouvir aquilo. Amor? Era difícil acreditar que alguém que a amava pudesse fazer algo tão terrível. Levantou-se bruscamente, afastando-se da cama, e começou a andar pelo quarto, sem saber o que fazer com toda a dor e raiva que sentia.

Elena: Amor não se mede com sacrifícios como esse. Se ele realmente me amasse, não me venderia como se eu fosse uma mercadoria

O silêncio se estendeu entre elas, mas Elena sabia que não haveria palavras capazes de aliviar o que estava sentindo. Seu olhar se fixou no relógio na parede. Já era tarde. Rafael D’Amato viria buscá-la em poucas horas. O inevitável estava prestes a acontecer.

Sua mãe, com um suspiro, levantou-se da cama e a abraçou, tentando transmitir algum tipo de consolo. Elena sentiu o calor do corpo dela, mas isso não foi suficiente para apagar a amargura que tomava conta de seu peito.

Mãe: Prometa-me uma coisa, Elena. Seja forte.

Elena sentiu a emoção engolir suas palavras. Ela não sabia como seria forte. Como poderia ser forte quando tudo que ela amava estava sendo arrancado de suas mãos?

Elena: Eu vou ser… mas não por ele.

O restante da manhã passou em um turbilhão de preparações. Sua mãe cuidou para que ela estivesse impecável, como uma noiva destinada a um grande banquete, mas Elena sentia como se estivesse indo para sua própria execução. Cada peça de roupa, cada gesto, parecia uma sentença de morte mais próxima. Quando o carro chegou à mansão, ela olhou pela janela e viu a figura imponente de um homem à porta.

Rafael D’Amato. Ele estava ali, esperando, como um predador aguardando sua presa. Não era difícil perceber o poder que ele exalava, o jeito que a presença dele parecia dominar o ambiente. Seus olhos escuros estavam fixos na entrada, como se soubesse que a espera havia chegado ao fim.

Elena desceu do carro, suas pernas bambas, mas sua postura ereta. Ela se recusava a mostrar qualquer fraqueza, mas dentro de si, o medo se misturava com uma raiva crescente. Rafael D’Amato era um homem que nada temia. Mas ela não seria como as outras mulheres que ele havia conquistado. Ela faria questão de que ele soubesse o que custava subestimar uma mulher que já tinha perdido tudo.

Quando ela se aproximou, ele não sorriu. Seu olhar era frio, calculista, como se estivesse avaliando cada movimento dela.

Rafael: Elena, não é?(A voz dele tinha um tom baixo, mas carregado de autoridade)

Ela o encarou de volta, sem vacilar.

Elena: Sim, sou eu. Mas antes que você pense que vai me dominar, saiba que não será tão fácil quanto pensa

Rafael a observou por um momento, e por um instante, Elena achou que ele poderia rir. Mas ele não fez isso. Seu olhar apenas se tornou mais intenso, mais ameaçador.

Rafael: Você é mais corajosa do que eu imaginava. Isso vai tornar as coisas mais interessantes

Elena sentiu o frio na espinha, mas não se deixou abater. Ela não estava ali para ser uma mulher submissa, não importava o que ele pensasse ou fizesse. Seu objetivo estava claro: sobreviver a essa prisão que seu pai a forçara a entrar, e fazer Rafael pagar por tudo o que estava prestes a lhe tirar.

Sem dizer mais uma palavra, ele estendeu a mão para ela. Elena olhou para a mão dele, o toque frio e impessoal. E, mesmo sabendo que aquele era o primeiro passo para a prisão de sua vida, ela não hesitou em dar o próximo movimento.

Ela pegou a mão dele com força, seus olhos fixos nos dele, sem baixar a guarda.

Elena: Eu vou resistir, Rafael. E você vai me ver lutar até o fim

Rafael D’Amato sorriu, mas não era um sorriso amigável.

Rafael: Eu espero que sim, Elena. Eu realmente espero que sim

E com aquele sorriso enigmático, ele a conduziu para a escuridão que agora seria sua vida.

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Comments

Tarcila Costa

Tarcila Costa

Não entendo isso, o pai faz bobagem e a pessoa que se vingar de uma pessoa que nem conhece.

2024-12-12

0

Dulce Gama

Dulce Gama

KKK agora quero ver quem vai se apaixonar mas rápido 😃😃🎁🎁🎁

2024-12-12

0

Ver todos

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