...🌻 Augusto Avlis 🌻...
Estava na quadra, ensaiando um saque poderoso. Levantei a bola e, com a força do meu corpo, lancei-a ao ar, batendo-a com toda a intensidade que conseguia reunir. A bola cortou o ar e atingiu o chão do lado oposto, estourando em um estrondo satisfatório. Mas, mesmo assim, a satisfação da jogada não foi suficiente para dissipar a névoa de saudade e incerteza que pairava sobre mim.
— Aí, cara! Está perdendo o foco! — gritou Bruno, meu melhor amigo e colega de equipe, enquanto corria para pegar a bola.
Eu me virei para ele, tentando forçar um sorriso.
— Desculpa, só estava pensando em umas coisas.
— Coisas? Ou alguém? — ele provocou, com um olhar cúmplice.
Era impossível negar. A imagem de Lívia, seus sorrisos, e as promessas que fizemos voltavam à minha mente. Bruno levantou as sobrancelhas, me incentivando a falar mais.
— É a Lívia... — Eu hesitei. Conversar sobre meus sentimentos não era meu forte. — Nós conversamos sobre o passado e tudo o que aconteceu.
Bruno parou e me encarou.
— E como você se sente sobre isso? Ela ainda é a sua garota, não é?
A pergunta fez meu coração acelerar. Eu sempre soube que Lívia tinha um lugar especial no meu coração, mas as lembranças da dor e da perda também estavam presentes.
— Sempre. Mas é complicado. Estar longe dela me faz perceber o quanto eu realmente a quero na minha vida, mas também há tanta coisa que não foi resolvida.
— Então, resolva! Você é o melhor jogador de vôlei do mundo, por que não pode ser o melhor namorado também? — ele disse, com uma confiança que era típica dele.
O encorajamento de Bruno fez sentido. Eu sempre fui obstinado quando se tratava de vôlei, e talvez fosse hora de aplicar a mesma determinação ao meu relacionamento. A verdade era que eu não queria mais viver no passado. Queria um futuro com Lívia, e precisava lutar por isso.
O apito do treinador interrompeu meus pensamentos. Era hora de voltar ao trabalho. O treino continuou, e eu me forcei a entrar no modo de competição. A quadra se encheu com o som da bola quicando e as vozes dos meus companheiros. Cada movimento que fazia, cada saque e cada bloqueio, eram como uma liberação do turbilhão emocional que estava sentindo.
Durante o intervalo, voltei a pensar em Lívia. O sorriso dela, as conversas sobre nossos sonhos e o jeito como ela olhava para mim. Lembrei-me de como ela sempre me apoiou, mesmo quando a vida estava complicada. Se eu quisesse um futuro com ela, precisaria me abrir e ser honesto sobre o que estava sentindo.
O treino terminou, e eu estava exausto, mas ainda assim motivado. Assim que cheguei em casa, sentei-me com meu celular, hesitando um pouco antes de escolher o número dela. Uma parte de mim estava nervosa, mas outra parte estava ansiosa para ouvi-la novamente.
Eu: Podemos tomar um café juntos?
Lívia: Claro. Onde?
Eu: na cafeteira perto do seu trabalho.
Lívia: fechado! te vejo lá as três.
A sensação de que estávamos nos reconectando encheu meu peito de determinação. Não seria fácil, mas estava disposto a enfrentar qualquer desafio.
Cheguei ao café alguns minutos antes, observando os outros clientes, mas minha mente estava totalmente focada em Lívia. Cada vez que a porta se abria, meu coração pulava, até que, finalmente, a vi. Ela estava radiante, usando um vestido leve que a deixava ainda mais bonita. O brilho em seus olhos e o sorriso que ela me ofereceu ao entrar quase me deixaram sem fôlego.
— Oi, você está linda! — eu disse, tentando conter a emoção.
— Oi, Augusto! E você, sempre com bom gosto. — Ela sorriu, mas havia uma leveza nas palavras que me fez sentir mais seguro.
Nos sentamos em uma mesa no canto do café, longe das distrações. O aroma do café fresco e das sobremesas envolvia o ambiente, mas minha atenção estava toda voltada para Lívia.
— Estou tão feliz que você veio. — eu disse, iniciando a conversa.
— Eu também. — ela respondeu, olhando nos meus olhos. — Eu estava nervosa, mas…
— Não precisa estar. Estamos aqui para conversar, e eu quero ouvir o que você tem a dizer.
Ela respirou fundo, como se estivesse se preparando para um grande discurso.
— Bom, eu também tenho pensado muito sobre nós. Sobre o que aconteceu e… sobre o que poderíamos fazer para seguir em frente.
— Eu quero que você saiba que estou disposto a fazer o que for preciso. — eu interrompi, com sinceridade. — Quero que possamos ser felizes novamente, mas preciso saber o que você realmente sente.
A conversa se desenrolou naturalmente, como se os anos de distância nunca tivessem existido. Falamos sobre os erros, as inseguranças, e até mesmo os sonhos que ainda tínhamos. E, enquanto compartilhávamos nossas esperanças e medos, uma sensação de renovação e conexão começou a se formar entre nós.
Finalmente, Lívia olhou para mim, com uma expressão que eu conhecia bem.
— Acho que estamos mais preparados do que pensamos. Se formos nos dar outra chance, precisamos ser honestos um com o outro.
— Concordo. Honestidade é a chave. — eu afirmei, sentindo que finalmente estávamos no mesmo caminho novamente.
O dia passou rapidamente enquanto conversávamos, rindo e compartilhando histórias, e, à medida que o sol começava a se pôr, percebi que havia uma nova esperança se formando entre nós. Eu sabia que ainda havia desafios à frente, mas, pela primeira vez em muito tempo, sentia que estávamos prontos para enfrentá-los juntos.
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Atualizado até capítulo 27
Comments
Meire
Ele pode sim ser o melhor namorado do mundo, mas para Lívia ela não merece o.amor dele!
Que ele encontre outra mulher para amar, uma que queira ele de verdade e não ela que terminou um namoro sem que nem porque.
Até agora eu não sei pq ela terminou bom ele!
2024-11-20
2
Gabi Ramos
Tá tão lindo o desenvolver da história deles 🥺❤️
2024-11-04
3
Cláudia Ferreira da Silva
não entendi, para dar certo precisam ser honestos um com o outro, mas em nenhum momento mostrou que não eram honestos, só ela em não contar a perda do bb
2024-11-04
3