...🌻 Augusto Avlis 🌻...
O cheiro de churrasco e o som das risadas encheram o quintal da casa que alugamos para comemorar o campeonato. Os caras estavam eufóricos, ainda curtindo a adrenalina da vitória, e não era para menos. Cada medalha, cada troféu, era fruto de um trabalho que só quem está ali entende. Depois de tanto esforço, um domingo como esse era quase um alívio. Eu peguei uma cerveja da mesa e me juntei aos outros no canto, enquanto ouvia uma das histórias exageradas do Bruno.
— Ah, fala sério! Você tá dizendo que acertou um saque no cara da arquibancada? — provoquei, já sabendo que ele estava aumentando a história.
Bruno fez uma expressão de inocente, levantando as mãos.
— Exagero é arte, meu amigo. Quem vive só de realidade, não vive, né?
Todo mundo riu, e eu dei um gole na cerveja, tentando relaxar. Mas, por mais que estivesse rodeado dos meus amigos, sentia um vazio que não conseguia explicar. Olhei ao redor, vendo meus companheiros de time aproveitando cada segundo, e percebi que havia algo em mim que não estava totalmente presente ali.
Enquanto os caras continuavam na resenha, meu celular vibrou no bolso. Era mais uma notificação, provavelmente algum fã marcando outra foto minha em rede social. Desde o campeonato, meu nome tinha explodido ainda mais, e eu sabia que isso vinha com o pacote. Mas havia um tipo de notificação que eu não conseguia evitar abrir: qualquer menção que envolvesse Lívia.
A verdade é que, mesmo depois de tanto tempo, o passado insistia em dar as caras. De vez em quando, encontrava uma foto nossa antiga circulando, ou um comentário pedindo para que a gente voltasse. Mesmo sabendo que seguir em frente era o certo, Lívia continuava ali, como uma sombra daquilo que a gente viveu.
Bruno, que estava ao meu lado, percebeu meu momento de distração e me deu um leve tapa nas costas.
— Tá no mundo da Lua, cara? Aproveita a festa! Hoje é dia de comemorar!
Sorri, tentando disfarçar o que sentia.
— Tô aqui, parceiro. Só pensando em tudo o que a gente conquistou.
— Conquistamos muito, e vamos conquistar ainda mais. Mas, se você me permite o palpite, acho que tá faltando uma certa morena de Vitória pra fechar esse ciclo, hein?
Revirei os olhos, mas a provocação de Bruno me atingiu mais do que eu gostaria de admitir. Ele sempre soube o quanto a Lívia foi importante para mim, e talvez, em algum lugar dentro de mim, eu sabia que isso ainda era verdade.
— Deixa essa história quieta, Bruno. Já faz tempo. Ela deve estar vivendo a vida dela agora — respondi, tentando esconder o incômodo.
Ele levantou as mãos, como quem se rende.
— Tá bom, tá bom. Mas, se um dia resolver reencontrar seu passado, me chama. Quero ver isso de perto.
Rimos, e eu tentei voltar para o momento, aproveitando a festa como todos ali. Mas no fundo, eu sabia que as lembranças de Lívia e o que vivemos ainda estavam presentes. E, talvez, por mais que eu tentasse evitar, parte de mim ainda não tinha deixado essa história completamente para trás.
...[...]...
Depois da festa, voltei para casa meio cansado, mas sem sono. As risadas dos caras, as provocações de Bruno e o gosto amargo daquela sensação de vazio ainda ecoavam em mim. No silêncio do meu apartamento, parecia que tudo ganhava um peso maior. Joguei-me no sofá, olhei para o teto e, quase sem pensar, peguei o celular e liguei para minha mãe.
Eugênia: Filho! Que surpresa boa. A festa foi boa? — A voz dela era sempre um alívio, cheia de carinho.
— Foi, mãe… A galera tava animada, sabe como é. Mas nada melhor do que falar contigo — respondi, tentando disfarçar a melancolia.
Ela riu baixinho, como se soubesse que eu não estava exatamente bem.
Eugênia: Sei sim, meu filho. Mas me conta, o que tá passando nessa sua cabeça?
Suspirei, sem saber bem como colocar em palavras. Falar sobre isso com minha mãe sempre foi fácil, mas naquele momento parecia mais difícil admitir.
— Nada demais, mãe… Só… às vezes, mesmo com tudo dando certo, parece que falta algo, sabe?
Ela ficou em silêncio por um momento, como se tentasse encontrar as palavras certas.
Eugênia: Augusto, às vezes, o que parece que tá faltando é uma parte da gente que ficou no passado. Isso não quer dizer que você não conquistou tudo que queria. Mas, às vezes, é normal sentir saudade.
Fechei os olhos, sentindo o peso daquilo que ela disse.
— Você tá falando da Lívia, não tá?
Minha mãe suspirou do outro lado da linha. Ela sempre soube o quanto aquele relacionamento tinha significado para mim, e o quanto o fim nos marcou.
Eugênia: Talvez esteja. Só você pode saber, filho. O que vocês tiveram foi especial, e não tem problema lembrar disso. Às vezes, a gente precisa fazer as pazes com o passado pra seguir em frente de verdade.
— É que... parece que não importa o quanto eu tente deixar isso para trás, ela ainda tá lá, mãe. Como se uma parte minha ainda estivesse com ela.
Ela deu uma risada leve, cheia de compreensão.
Eugênia: talvez seja hora de você procurar entender isso, Augusto. Não precisa ser uma decisão agora, mas você tem que se perguntar: por que essas lembranças não vão embora?
Fechei os olhos, deixando o silêncio preencher o espaço entre nós.
— Vou pensar nisso, mãe. Obrigado.
Depois de nos despedirmos, fiquei ali no sofá, perdido em pensamentos. Talvez fosse hora de encarar o que eu realmente sentia.
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Atualizado até capítulo 27
Comments
Erika Kinha
Poxa, um amor que teve sacrifícios, a Lívia renunciou para pensar na carreira dela, se foi isso mesmo, ela foi egoísta. Pois, se ela tivesse lutado e ficado com o Augusto, juntos o amor deles iam ter o sabor da "vitória".
2024-11-03
5
Lilian Santos Ribeiro
Achei Lívia bem egoísta, o cara tava correndo atrás de um futuro melhor, o quê que custava ela terminar a faculdade e ir encontrar com ele fazer a carreira dela ao lado dele?
2024-12-25
1
Conce Mota
Na minha humilde opinião eles nunca se esqueceram mas tem algo aí..
2025-03-04
0