Capítulo 03

...🌻Augusto Avlis🌻...

Oito anos atrás( PASSADO)

A rodoviária estava cheia de gente, um vai e vem constante, mas, para mim, parecia que só existiam elas duas ali: minha mãe e Lívia. Olhei para elas e senti o peso da despedida se misturar com a empolgação da viagem. Era a minha chance, mas eu também sabia que deixar as duas para trás não seria fácil.

Minha mãe, sempre firme, estava ao meu lado com um olhar orgulhoso e um brilho nos olhos que não via há muito tempo. Ela acreditou em mim desde o começo, mesmo quando tudo parecia impossível, quando eu não passava de um garoto que sonhava alto demais. E Lívia… Ela segurava minha mão, sorrindo como se quisesse me dar toda a força do mundo, mas eu via a preocupação escondida ali.

— Então, meu filho, chegou a sua hora. – disse minha mãe, com um sorriso que eu sabia que era para me tranquilizar, embora eu visse a emoção em seus olhos. — Você merece essa oportunidade. Nunca esqueça de onde veio e o quanto lutou para estar aqui.

Ela me abraçou forte, e por um instante, fui transportado para todas as vezes que ela me incentivou, me deu forças quando eu pensava em desistir. Eu sabia que, de certa forma, estava realizando um sonho que era tanto meu quanto dela.

Depois, foi a vez de Lívia. Ela me puxou para perto e, sem falar nada, me deu um abraço apertado, daqueles que fazem a gente sentir que está deixando um pedaço de si mesmo para trás. Senti o cheiro suave dela, e aquilo acalmou meu coração. Eu sabia que ela sempre acreditou em mim e que, por mais que essa viagem fosse uma chance de mudar minha vida, era também por ela que eu estava ali.

— Vai dar certo, amor. – ela sussurrou, sem esconder a emoção. – Vou estar aqui, esperando, e vamos realizar nossos sonhos juntos.

Fiquei segurando o rosto dela por um instante, tentando gravar cada detalhe para não esquecer enquanto estivesse longe. Mas era impossível.

— Eu prometo, princesa. Vou dar o meu melhor, por nós. – respondi, a voz embargada. – Quando eu voltar, vai ser o começo da nossa nova vida.

O alto-falante anunciou que o ônibus para o Rio estava partindo. Tive que me afastar, sentindo um nó no peito, e dei uma última olhada para elas, paradas ali, com o rosto carregado de orgulho e de esperança.

Entrei no ônibus e me sentei perto da janela, olhando para fora enquanto ele começava a se mover. Encostei a cabeça, sentindo uma mistura de saudade e determinação. Aquele era o meu momento, a chance de conquistar tudo o que sempre sonhamos. Fechei os olhos e fiz uma promessa silenciosa: eu não ia desapontá-las.

...[...]...

Dois meses se passaram desde aquele dia na rodoviária, e tudo mudou numa velocidade que eu nem imaginava ser possível. O teste foi um sucesso, e agora eu fazia parte do time. Tinha conseguido! Era difícil acreditar que, depois de tantos anos de treino e persistência, estava vivendo o começo de tudo o que sempre sonhei. Só tinha uma coisa que não mudava: todo fim de semana, eu pegava o ônibus de volta para casa, para ver minha mãe e Lívia.

A cada visita, eu trazia uma lembrança para elas. Não era nada grande, porque o salário de iniciante mal dava para as despesas, mas eu fazia questão de trazer algo que mostrasse o quanto pensava nelas.

Naquele sábado, quando cheguei na casa da minha mãe, ela me recebeu com um abraço apertado. Minha mãe me teve cedo, aos 17 anos, e desde então, foi mãe e pai ao mesmo tempo. Criou-me sozinha, enfrentando tudo com uma coragem que sempre me inspirou. Era uma verdadeira guerreira. Alguns anos depois, teve meu irmão mais novo, Daniel. Com 14 anos, ele já ajudava ela na feira aos finais de semana, sempre ao seu lado, carregando as caixas e atendendo os clientes.

Nossa família era pequena, mas unida. Minha mãe nos ensinou o valor do trabalho desde cedo, nos mostrando que nada na vida vem fácil. Ela se sacrificava diariamente para dar o melhor para mim e para o Daniel, e ver os dois juntos, lado a lado, me lembrava de onde eu vinha e de tudo o que queria conquistar.

— Meu filho, você tá com um brilho diferente. Esse sorriso no rosto me deixa mais feliz do que qualquer coisa no mundo. – ela disse, orgulhosa. Eu entreguei a ela um porta-retrato com a foto do time e ela segurou aquilo como se fosse uma joia. – Agora posso mostrar pra todo mundo quem é meu filho e o que ele conseguiu.

Depois, fui buscar Lívia na faculdade. Ela estava me esperando no portão, e, assim que me viu, abriu um sorriso que fez qualquer cansaço desaparecer. Aquele sorriso era como voltar para casa, um lembrete de tudo o que realmente importava. Ela era meu porto seguro, minha inspiração, e vê-la ali, com o mesmo brilho no olhar de sempre, me fazia querer mover montanhas por ela.

— Eu tava contando os minutos pra te ver. – eu disse, puxando-me para um abraço apertado.

— Tava com saudade. – ela disse, abraçando-me com força.

— Eu também. E olha o que trouxe pra você. – falei, entregando uma pulseirinha que encontrei na feirinha do Rio. Ela riu, surpresa, e colocou a pulseira no pulso, admirando o presente simples como se fosse o mais precioso.

— A cada fim de semana, uma surpresa nova. Vou acabar ficando mal-acostumada, hein. – brincou.

Conversamos por horas, contando um ao outro as novidades. Ela me falava do curso de design, das novas ideias e planos que tinha, enquanto eu falava sobre o ritmo intenso dos treinos, a pressão dos jogos e o quanto aquilo me desafiava. Ela ouvia com atenção, me encorajando, e eu via o orgulho nos olhos dela, o mesmo orgulho que me impulsionava a ir cada vez mais longe.

Quando a noite caiu, fomos caminhar pelo bairro, relembrando os sonhos que tínhamos feito juntos. Estar ao lado dela, mesmo que só nos fins de semana, me dava a força para enfrentar qualquer coisa. Eu sabia que não estava sozinho.

A cada despedida, o aperto no peito era inevitável, mas o que me confortava era a certeza de que, por mais longe que o meu sonho me levasse, meu lugar continuaria sendo ao lado da minha família.

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Comments

Fatima Maria

Fatima Maria

O QUE É QUE UMA MÃE NÃO FAZ PELO UM FILHO!?

2024-11-06

2

Gabi Ramos

Gabi Ramos

🥺🥺 que mãezona gente...e minhas perguntas estão começando a ser sanadas hahaha

2024-11-04

3

Ver todos

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