...🌻Augusto Avlis 🌻...
Dirigi em silêncio pelas ruas movimentadas, com as luzes da cidade iluminando o rosto sereno de Lívia, adormecida ao meu lado. Depois de tudo o que ela me contou hoje, era como se o peso de anos tivesse sido tirado dos ombros dela, mesmo que por um instante. Ela chorou até o cansaço vencê-la, até se entregar ao sono, e agora parecia tão vulnerável quanto nunca imaginei vê-la.
Olhei para ela enquanto parava num semáforo, sentindo um misto de emoções que nem eu conseguia descrever direito. Saber o que ela passou sozinha, sem poder contar com ninguém… doeu mais do que eu pensava que doeria. Aquela lembrança que ela carregava no pulso, o bebê que perdemos sem nem ao menos termos tido a chance de sonhar juntos. Tudo isso me fazia querer estar ainda mais perto, protegê-la de uma dor que, mesmo agora, ainda ecoava.
Ela suspirou levemente, mudando de posição, mas não acordou. Apenas ajustei o casaco que ela usava para cobrir os ombros e segui dirigindo até o meu apartamento. Eu queria que ela descansasse, que soubesse que agora não estava mais sozinha com esse fardo. Não enquanto eu estivesse por perto.
Ao chegar, estacionei o carro e desci devagar, tentando não fazer barulho. Abri a porta do lado dela com cuidado e, num impulso, passei o braço sob os joelhos dela e a carreguei nos braços. Ela abriu os olhos, meio grogue, e piscou algumas vezes.
— Augusto… — murmurou, confusa. — Onde estamos?
Sorri para ela, tentando parecer tranquilo, embora por dentro meu coração estivesse a mil.
— Estamos na minha casa. Você precisa descansar.
Ela olhou em volta e então se deixou encostar no meu peito, como se finalmente deixasse o sono voltar a tomá-la. Subi até o meu apartamento carregando-a, e cada passo parecia ecoar o quanto eu sentia por tê-la tão perto de novo, por finalmente entender o que ela viveu.
Quando entramos, a deitei com cuidado na minha cama, cobrindo-a com uma manta. Ela se mexeu um pouco, os olhos ainda pesados de sono e cansaço, mas acabou se ajeitando, finalmente relaxada.
Sentei ao lado dela, passando os dedos suavemente pelos fios de cabelo que caíam sobre seu rosto. Por um instante, fiquei ali, apenas observando, pensando no quanto o tempo passou e no quanto ainda havia entre nós.
...[...]...
Acordei com uma sensação que parecia um sonho. Levei alguns segundos para perceber que Lívia estava ali, bem ao meu lado, abraçada a mim. Sua respiração calma e tranquila ecoava pelo silêncio da manhã, e eu não quis me mexer para não acordá-la. Por um momento, só fiquei ali, absorvendo o que significava tê-la tão perto de novo, quase como se nunca tivesse partido.
Quando ela se mexeu um pouco, ainda adormecida, aproveitei para me levantar e preparar um café da manhã. Peguei o café, ovos e algumas torradas, tentando ser o mais silencioso possível. Queria que ela acordasse com o cheiro do café e, quem sabe, que aquele momento parecesse especial para nós dois.
Enquanto os ovos cozinhavam e eu arrumava a mesa, puxei meu celular para dar uma olhada nas mensagens e redes sociais. Foi aí que vi.
Estávamos em todos os sites e redes sociais. Várias fotos da noite passada estavam circulando — fotos nossas juntos, de trocas de olhares, da nossa proximidade. Em poucas horas, a mídia já estava especulando sobre uma reconciliação, e os comentários dos fãs iam de especulações a desejos sinceros para que voltássemos.
Muitos falavam sobre como éramos o "casal favorito" e resgatavam fotos antigas nossas, relembrando os tempos em que ainda estávamos juntos.
Suspirei. Era estranho ver aquilo tudo, como se o que tínhamos passado ontem à noite não fosse só nosso, mas algo que o mundo inteiro acompanhava. De repente, senti o peso da exposição que sempre evitamos — algo que, no fundo, eu sabia que poderia atrapalhar.
— Bom dia! — A voz suave dela soou atrás de mim, me pegando desprevenido. Me virei e a encontrei encostada na porta da cozinha, o rosto ainda sonolento, mas com um sorriso leve e curioso.
— Bom dia — respondi, tentando disfarçar o celular e o nervosismo que essas fotos tinham me causado. — Achei que o cheiro do café ia te acordar.
Ela se aproximou e olhou para a mesa, surpresa ao ver o café da manhã preparado. Seus olhos brilharam um pouco, como se ela não esperasse algo assim.
— Não tinha jeito melhor de acordar, na verdade — murmurou, sentando-se e pegando uma xícara. — Mas... o que você estava vendo ali? — apontou para o celular na minha mão.
— Ah... — suspirei, decidindo mostrar para ela. Passei o celular para Lívia, com as matérias abertas. Ela leu em silêncio, e percebi seu rosto alternar entre surpresa e resignação.
— Acho que o pessoal não mudou muito, hein? — Ela soltou uma risadinha, mas pude ver que aquele tipo de exposição a deixava um pouco desconfortável.
— Eles ainda nos “shippam”, como sempre — comentei, dando um sorriso meio sem graça.
— Pois é… — Ela sorriu de volta, tomando um gole de café e parecendo pensar em alguma coisa.
Ficamos ali, num silêncio confortável, comendo e absorvendo tudo. Havia muito a ser dito, claro, mas por algum motivo, parecia que não precisávamos de pressa. Só aquele momento já bastava.
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Atualizado até capítulo 27
Comments
Valdirene Vieira
Capítulo maravilhoso. Muita sensibilidade por parte dos dois
2025-01-04
2
Lawliet
não quero que fique juntos ela não merece ele
2024-12-14
2
Meire
Não queria que eles ficassem juntos ele merecia encontrar um.amor de verdade!
Ela é muito egoísta para dividir os holofotes com ele, ela prefere brilhar sozinha!
2024-11-20
1