14

Sentados em uma mesa aconchegante de um restaurante charmoso, Adrian e Claire deixaram a formalidade de lado. A conversa entre eles fluiu de forma natural, como se fossem velhos amigos.

— Você Sempre quis ser atriz? — Adrian perguntou assim que o prato chegou a mesa.

— Acho que sim — Claire respondeu, refletindo. — Mas o caminho não foi tão fácil. Tive que lidar com muitos ‘não’ e... às vezes sinto que ainda estou provando meu valor.

— Bom — Adrian encarou por um momento, percebendo a vulnerabilidade nas palavras dela — Se serve de consolo, você convenceu o mundo inteiro em dois minutos. Eles te amam.

— Isso foi um grande alívio na época — Ela riu — Minhas irmãs te adoraram também. Talvez até um pouco demais.

— Eu percebi — Adrian comentou, sorrindo de canto — A Sophie estava pronta para me adotar.

Eles riram juntos, a tensão do dia de trabalho se dissipando. Adrian parecia menos a estrela do hóquei e mais um cara normal, alguém disposto a ouvi-la e compartilhar momentos simples.

— Sabe... — Claire começou, brincando com o guardanapo na mesa. — Quando tudo isso começou, pensei que ia ser só um acordo chato. Mas... você me surpreendeu.

Adrian inclinou-se levemente para a frente, seus olhos encontrando os dela com sinceridade.

— Eu também pensei que seria só uma encenação. Mas você é diferente do que eu imaginava, no melhor sentido.

Por um momento, o ar entre eles ficou mais denso, carregado de algo que parecia mais real do que apenas um acordo de fachada. Claire desviou o olhar primeiro, sentindo uma leve ansiedade.

— Acho que nossa mentira está ficando convincente demais — Ela sussurrou, meio brincando, meio séria.

— Talvez seja porque... — Adrian deu um meio sorriso antes de falar — Não esteja tão longe da verdade.

Claire sentiu seu coração acelerar, mas antes que pudesse responder, o garçom chegou com a sobremesa, quebrando o momento. Eles trocaram olhares cúmplices, rindo da interrupção, e continuaram conversando como se nada tivesse acontecido, mas ambos sabiam que algo tinha mudado entre eles naquela noite.

— Então, você sempre quis ser o príncipe do gelo? — Claire brincou, arrancando uma risada leve de Adrian.

— Sempre! — Ele respondeu no mesmo tom descontraído — Só que eu era péssimo no gelo, já me jogaram para o outro lado da cerca.

— Eu não consigo imaginar isso acontecendo — Claire sorriu, gostando de como ele conseguia rir de si mesmo.

Enquanto dividiam a sobremesa, Adrian começou a contar sobre os seus primeiros dias como jogador profissional de hóquei. Claire escutava com atenção, aproveitando a maneira descontraída como ele falava.

— Quando eu entrei para a liga, achei que estava preparado. Quer dizer, eu jogava desde criança, então pensei: “Como pode ser tão diferente?” — Adrian riu, balançando a cabeça. — A resposta veio rápido.

— O que aconteceu? — Claire apoiou o cotovelo na mesa, inclinando-se para ele, curiosa.

— Bom, primeiro que todo mundo parecia duas vezes maior que eu — Ele fez um gesto com as mãos, como se estivesse demonstrando o tamanho dos adversários — Eu era só um garoto entrando num time cheio de homens gigantes. No meu primeiro jogo, um cara me derrubou no gelo com tanta facilidade que eu pensei: “É isso, acabou. Vou pedir demissão hoje mesmo.”

— Coitado de você — Claire riu, tentando imaginar a cena.

— E não era só o tamanho — Adrian sorriu aí vê-la se divertir — Os veteranos eram intimidadores pra caramba. Tinha um defensor de outro time que me encarava antes de cada faceoff como se eu tivesse roubado o almoço dele. Eu não sabia se ele queria jogar ou me esmagar.

— E como você sobreviveu? — Claire perguntou, ainda rindo.

— Com muito disfarce — Adrian piscou, brincalhão — Eu fingia confiança, mas por dentro estava apavorado. Até tentava imitar o jeito durão dos outros jogadores, mas meu corpo só queria sair correndo.

Claire riu mais alto dessa vez, imaginando a cena absurda.

— E teve um jogo em que eu tentei brigar com um defensor porque achei que era o que todo mundo fazia. Aí o cara só olhou pra mim e começou a rir.

— Não acredito! — Claire limpou uma lágrima que escorre de tanto rir — Isso deve ter sido humilhante!

— Foi! — Adrian confirmou, rindo junto — Mas também me ensinou muito. Com o tempo, você percebe que todo mundo finge saber o que está fazendo, pelo menos no início.

— E agora você é um dos melhores — Claire o olhou com um sorriso sincero, admirada.

Adrian deu de ombros, mas seus olhos mostravam que estava feliz com o reconhecimento dela.

— Digamos que, depois de algumas temporadas, você para de se assustar com os gigantes e começa a se divertir com o jogo de verdade.

— Quem diria que você tinha tantas histórias assim? — Claire balançou a cabeça, impressionada.

— Acho que ainda tem algumas guardadas — Ele a olhou com um sorriso cúmplice — Mas vou deixar para contar nas próximas jantas.

Claire riu, percebendo o quanto gostava de estar com ele. A conversa fluía leve, mas, ao mesmo tempo, trazia uma profundidade que ela não esperava. Ela começou a perceber que, por trás da figura pública e do atleta disciplinado, havia alguém genuíno e divertido. Alguém que, talvez, ela estivesse começando a conhecer de verdade.

Claire começou a mexer na sobremesa com o garfo, sorrindo ao lembrar de seus primeiros dias como atriz. Ela olhou para Adrian e disse:

— Bom, se você quer rir de verdade, então eu tenho algumas histórias vergonhosas dos meus primeiros anos atuando. Eu tinha apenas quinze anos quando comecei, e, honestamente, eu era um desastre ambulante.

— Agora eu quero ouvir! — Adrian riu, interessado.

— Ok, então — Claire fez uma pausa dramática — Eu estava no meu primeiro grande set, sabe? Toda empolgada. E me deram uma cena em que eu tinha que chorar. Só que eu nunca tinha feito isso antes. Então, lá estou eu, na frente de todo mundo, e, em vez de chorar, começo a rir descontroladamente.

Adrian começou a rir antes mesmo de ela terminar a história.

— Espere, ainda não acabou! — Claire balançou a cabeça, rindo junto — O diretor parou tudo, veio até mim e perguntou: “Você está bem?” E eu, desesperada, disse: “Claro! Isso é só a minha maneira de lidar com a dor!”

— Ah, não! — Adrian gargalhou, imaginando a cena.

— Sim! — Claire concordou, rindo também. — E o pior é que ele acreditou. Eu continuei rindo, tentando segurar, até finalmente conseguir chorar. Mas, depois disso, toda vez que alguém mencionava a cena, o pessoal do set começava a rir. Virou piada interna.

— Eu consigo imaginar! — Adrian disse, ainda rindo — Deve ter sido hilário para eles, mas horrível para você!

— Com certeza — Claire concordou — Mas, honestamente, acho que foi ali que percebi que atuar não era só sobre talento, mas sobre improvisar quando tudo dá errado. Tipo quando, em outro trabalho, eu fui fazer uma cena de ação e... caí no chão na frente de todo mundo. E nem estava no roteiro!

— Espera! Você simplesmente caiu? — Adrian quase cuspiu sua bebida de tanto rir.

— Sim! — Claire assentiu, com um sorriso divertido — Fui toda confiante para dar um chute em uma cena de luta e, de repente, estou no chão, olhando para as luzes do set. Todo mundo parou, e o ator que estava na cena comigo só perguntou: “Isso foi parte da coreografia?”

— Que cena de ação memorável! — Adrian riu tanto que quase perdeu o fôlego.

— Pois é — Claire respondeu, rindo junto — Depois disso, toda vez que tinha uma cena de luta, eles sempre me davam os movimentos mais simples. Acho que ficaram com medo de que eu me machucasse de verdade.

— Você é uma caixinha de surpresas, Claire. Quem diria que você tinha esse lado todo desastrado? — Adrian, ainda sorrindo, balançou a cabeça em incredulidade.

— Ah, com certeza — Claire brincou — A desastrada interior está sempre pronta para aparecer.

Os dois continuaram rindo e se divertindo com as histórias. Claire sentiu que compartilhar aqueles momentos "humilhantes" de sua carreira a aproximou mais de Adrian. Eles estavam se conectando de uma forma natural e genuína, cada vez mais à vontade um com o outro.

Depois que eles saem do restaurante, Adrian estaciona suavemente na frente da casa de Claire, e o silêncio confortável entre eles é quebrado apenas pelo clique do cinto de segurança dela se soltando.

— Então, é aqui que nos despedimos — Ele diz, inclinando-se levemente para a porta.

— Parece que sim. — Claire sorri, sentindo uma estranha vontade de prolongar aquele momento.

Antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, Adrian se inclina e a beija, de forma leve e lenta, sem pressa. Quando ele se afasta, Claire o olha com uma mistura de surpresa e contentamento.

— Tem algum paparazzi por aqui? — Ela pergunta com um sorriso brincalhão, como se quisesse justificar aquele beijo.

— Não, Claire — Adrian solta uma risada baixa, balançando a cabeça — Eu só queria mesmo te beijar.

— Bem, acho que não vou reclamar disso — Ela sente seu coração acelerar, mas mantém o sorriso.

Os dois trocam olhares por alguns segundos, presos naquela leveza gostosa que só surge quando algo simples parece perfeito. Adrian então abre a porta para ela, e Claire desce do carro, mas não sem dar uma última olhada para ele.

— Boa noite, Adrian.

— Boa noite, Claire. — Ele retribui, o sorriso dele espelhando o dela.

Enquanto ela caminha até a porta, ambos ainda carregam sorrisos enormes, como se tivessem acabado de viver um momento que não precisaria de palavras para ser lembrado. Adrian espera até vê-la entrar e, só então, suspira fundo, sentindo-se leve. Claire fecha a porta com o coração aquecido, já ansiosa para o próximo encontro.

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