...BERNARDO LOHAN....
Enquanto estávamos na sala, o pai de Ísis mexia distraidamente na xícara de chá, parecendo pensativo. Depois de um momento de silêncio, ele olhou para mim e disse:
— O restaurante... Eu não vou conseguir abrir.. Não tenho ninguém pra cuidar do lugar enquanto estou assim. — Ele suspirou, claramente preocupado com o que isso significaria para o negócio.
Eu me inclinei um pouco na cadeira, interessado.
— O senhor não tem ninguém pra olhar por ele? — perguntei, tentando entender melhor a situação.
Ele balançou a cabeça.
— Não, sempre fui eu e Ísis quem cuidamos das coisas. Ela conhece o restaurante tão bem quanto eu. — Ele então sorriu, olhando para ela. — Na verdade, ela ia ser chef junto comigo. Fizemos todas as receitas juntos, e se tem uma coisa que essa garota sabe fazer é liderar. Com ordens, ela lida muito bem, é uma líder de equipe e tanto.
Olhei para Ísis com curiosidade, percebendo como ela parecia surpresa por ele mencionar isso. Uma ideia começou a tomar forma na minha mente, algo que parecia simples, mas que poderia ajudar tanto a ela quanto ao pai.
— E por que não abrimos juntos? — Eu sugeri, meio que no impulso, mas com um sorriso. — Posso te ajudar com o restaurante, Ísis. Não tenho experiência na cozinha, mas sei seguir ordens, e se você é tão boa quanto ele diz, acho que seria divertido.
Ísis me olhou, surpresa, quase sem acreditar no que eu tinha acabado de dizer. Seu pai riu com bom humor, claramente animado com a ideia.
— Bernardo, isso seria incrível. Eu ficaria mais tranquilo sabendo que o restaurante está sendo bem cuidado, e ainda com a minha filha no comando.
Olhei para Ísis de novo, vendo a surpresa ainda em seus olhos. Ela parecia dividir entre o choque e a admiração.
— E aí, Ísis? — Perguntei, sorrindo de leve. — O que me diz? Vamos aceitar o desafio?
Ela, ainda impressionada, demorou um segundo para responder, mas logo abriu um sorriso animado.
— Estão, falando sério? — Disse incrédula.
— Como nunca falei na vida —Respondi com humor.
Ela me lançou um sorriso cheio de desafio.
— Então tá. Claro... Vamos abrir o restaurante juntos. Eu aceito o desafio!
Ver aquela determinação brilhar nos olhos dela só reforçou o que eu já sabia: Ísis era realmente uma mulher especial, e estar ao lado dela, ajudando-a, só me fazia querer ficar ainda mais envolvido em sua vida.
O sorriso de Ísis ao aceitar o desafio foi contagiante, e eu sabia que tinha feito a escolha certa. Ela parecia empolgada, mas dava pra ver que também estava nervosa, o que só a tornava ainda mais real e impressionante pra mim.
— Então é isso. — Eu disse, levantando e tentando conter a animação. — Amanhã a gente abre o restaurante e faz tudo rodar direitinho. Pode ficar tranquilo, senhor, a gente vai dar conta.
O pai dela sorriu, relaxado.
— Ah, eu sei que sim. A Ísis sempre foi boa nisso, e com você ajudando, fico mais tranquilo. — Ele ajeitou a xícara nas mãos e me olhou com um brilho de gratidão.
Eu olhei pra Ísis de novo, e vi que ela ainda estava um pouco surpresa, tentando processar tudo. Seu sorriso era doce, mas havia um brilho de ansiedade nos olhos dela.
— Sempre quis ver você em ação no restaurante. — Falei, mais pra quebrar o gelo e deixá-la menos tensa.
Ela riu, sacudindo a cabeça de um jeito divertido.
— Ah, você vai me ver no comando. Mas, Bernardo... eu sou exigente. Não vai ter moleza pra você. — O olhar desafiador dela me fez rir.
— Estou pronto pra seguir suas ordens, chefe. — Brinquei, fazendo uma reverência exagerada, o que arrancou uma risada até do pai dela, que observava a cena com bom humor.
— Bernardo, você não sabe no que tá se metendo. — Ele disse, ainda rindo. — Minha filha é dura na queda quando se trata do restaurante. Mas, de verdade, agradeço por estar aqui.
Olhei de novo para Ísis, que me lançou um olhar misturado entre carinho e desafio.
— Eu vou pegar leve com você... só um pouquinho. — Ela brincou, me deixando ainda mais ansioso pelo dia seguinte.
Ver o quanto ela era apaixonada por aquilo só fazia aumentar o meu desejo de estar cada vez mais perto dela. E agora, além de tudo, teria a chance de conhecê-la de um jeito que ninguém mais conhecia, vendo de perto a força e a dedicação que faziam parte do que ela era. Eu mal podia esperar.
O pai de Ísis nos deixou sozinhos na sala com um sorriso cansado, se despedindo com um "Vou descansar um pouco. Vocês dois se comportem." Ele caminhou lentamente para o quarto, e Ísis foi acompanhá-lo, provavelmente para garantir que ele estivesse confortável. Fiquei ali, no sofá, esperando ela voltar.
Enquanto esperava, não consegui tirar os olhos de tudo ao meu redor. Cada detalhe naquela casa dizia muito sobre ela – a simplicidade, o aconchego, as fotos de família nas paredes. Parecia que eu estava me aproximando de mais uma parte de quem Ísis era, e isso só fazia aumentar a minha vontade de conhecê-la ainda mais.
Logo depois, ela voltou para a sala, fechando a porta do quarto do pai com cuidado. Quando nossos olhares se encontraram, algo mudou. Estávamos finalmente sozinhos, sem a distração de preocupações ou outras pessoas ao redor. Era só eu e ela, e o momento parecia carregar uma tensão suave, algo que estava ali desde o momento em que cheguei.
Ela deu um sorriso tímido, vindo em minha direção, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, eu me levantei, sem pensar duas vezes. Caminhei até ela, e, sem dizer nada, segurei seu rosto entre minhas mãos. Não conseguia mais segurar a vontade que me consumia desde o segundo em que a vi abrir aquela porta.
Meus lábios encontraram os dela com uma urgência suave, um beijo cheio de saudade e desejo. Senti sua respiração se intensificar enquanto ela retribuía, as mãos dela deslizando para meus ombros, puxando-me para mais perto. Era como se o mundo ao nosso redor desaparecesse. Tudo o que importava naquele momento era estar ali, com ela.
Quando nos separamos, respirei fundo, encostando minha testa na dela, ainda com os lábios quase tocando.
— Não consigo parar de te querer, Ísis... — sussurrei contra a boca dela, ainda ofegante.
Ela sorriu de leve, os olhos brilhando de uma maneira que me deixava sem ar.
— Eu também, Bernardo... — ela murmurou, sem esconder o quanto aquilo a afetava também.
Estar sozinho com ela, sem nenhuma distração, só intensificava tudo o que eu sentia. Aquele beijo, aquele momento, era apenas o início de algo que eu sabia que seria muito mais profundo.
Ela ficou ali, com a testa encostada na minha, os olhos fechados por um momento, como se estivesse absorvendo tudo que acabara de acontecer. Meu coração ainda batia forte, e eu sabia que o dela estava no mesmo ritmo. Havia algo no ar, uma conexão que ia além do desejo. Era mais do que físico; era como se, aos poucos, ela estivesse se tornando parte de mim, parte da minha vida, da minha rotina, dos meus pensamentos. E isso me assustava e me excitava ao mesmo tempo.
Ela abriu os olhos, e eu vi algo neles que era mais do que atração. Era uma mistura de confiança e entrega, algo que eu não via com frequência. Ísis sempre fora firme, determinada, mas, naquele momento, ela estava me deixando ver um lado mais vulnerável, mais íntimo.
— Bernardo... — ela começou, a voz baixa, quase um sussurro. — Você está se infiltrando na minha vida de um jeito que eu não esperava. E, honestamente, eu estou gostando disso.
Sorrindo de leve, passei a mão pelo rosto dela, sentindo a maciez da pele, o calor que emanava dela. Eu me sentia da mesma forma. Aos poucos, Ísis estava se tornando uma parte essencial de tudo. Não era apenas a atração física ou o desejo. Era o jeito como ela me fazia querer ser mais, querer estar com ela em todos os momentos.
— Eu também... — murmurei, sem desviar o olhar. — Nunca pensei que isso fosse acontecer, mas agora que aconteceu, eu não consigo imaginar diferente.
Ela sorriu, um sorriso cheio de carinho, e seus dedos deslizaram suavemente pelo meu pescoço, subindo até o meu rosto. Havia algo de íntimo naquele toque, algo que dizia mais do que palavras.
— Você me faz sentir segura... — ela continuou, olhando direto nos meus olhos. — Como se eu pudesse relaxar e confiar em alguém de verdade.
Ouvir isso dela me atingiu de uma forma profunda. Saber que eu estava quebrando as barreiras de Ísis, conquistando a confiança dela, significava mais do que eu podia expressar. O peso da responsabilidade sobre o que tínhamos começava a se formar em mim, e eu sabia que não poderia estragar isso.
Puxei-a para mais perto, envolvendo-a em um abraço apertado. Ela se encaixou em mim de um jeito natural, como se estivéssemos destinados a estar assim. Ficamos em silêncio por um momento, só sentindo a presença um do outro.
— Vamos fazer dar certo, Ísis... — sussurrei, minhas mãos acariciando suas costas. — Eu não vou deixar nada atrapalhar isso.
Ela levantou o rosto, nossos lábios quase se tocando novamente, e sussurrou:
— Eu confio em você.
Aquelas palavras eram tudo o que eu precisava ouvir.
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Lucilene Rocha
Acredito que ela não vai aceitar essa situação
2024-10-06
0
Sônia Silva
Eles são muito lindos juntos!
2024-10-02
0
Sônia Silva
Ele nunca vai conseguir contar a verdade para ela, por medo de que ela o deixe, não acho que ela aceitará ficar com ela logo que souber a verdade!
2024-10-02
1