Acordei com o som suave da notificação do meu celular. Meus olhos ainda pesados pela noite anterior, estendi a mão para pegar o aparelho na cabeceira. Quando desbloqueei a tela, o nome dele apareceu imediatamente, e meu coração deu uma leve acelerada.
"Bom dia, Ísis. Estava pensando em você... A noite de ontem foi incrível. Não consigo tirar da cabeça o som da sua risada sob as estrelas. Espero que tenha dormido bem. Quando vamos repetir?"
Eu sorri. Não tinha como não lembrar de cada detalhe. O jantar no topo do hotel, o vento suave, o céu limpo... E ele. Bernardo sempre conseguia mexer comigo de um jeito que eu não sabia explicar. Havia algo nele, além daquele sorriso sedutor, que me deixava totalmente sem jeito, mas curiosamente confortável ao mesmo tempo.
Tentei me espreguiçar, sentindo o corpo ainda cansado, mas satisfeita. Respondi rapidamente, sem pensar muito, porque ele sabia que meu dia seria corrido, e porque também, eu não queria esperar mais.
"Bom dia. Foi mesmo uma noite incrível... Não sei se sobrevivo a mais uma tão cedo, ainda estou me recuperando. Mas, quem sabe? Me liga."
Ri sozinha, fechando os olhos por um momento. A noite passada havia sido muito mais do que eu esperava.
...(...)...
Eu me apressei para o ateliê. As horas pareciam correr mais rápido do que o normal, e eu estava ansiosa. A prova dos doces estava marcada para acontecer em menos de uma hora, e dessa vez, além de Amara e sua mãe, o noivo finalmente apareceria. Era a primeira vez que Lohan participaria de qualquer etapa da organização, e tudo precisava ser impecável.
Cheguei e encontrei Samia já organizando tudo, como sempre. A disposição dos doces na mesa estava perfeita, as amostras dos bolos prontos para serem provados. Samia realmente sabia como tornar tudo profissional e acolhedor ao mesmo tempo. Mas eu ainda estava inquieta. Não podia evitar.
— Samia, é a primeira vez que o noivo vai aparecer. Você sabe o quanto isso é importante, né? — falei, já ajeitando uma flor na mesa, mesmo sabendo que ela já tinha feito tudo com perfeição.
Ela riu, balançando a cabeça de leve.
— Ísis, vai dar tudo certo. Confia em mim. E o que foi esse sorriso aí? — Samia me lançou um olhar curioso, com aquele tom de quem percebeu algo. — Aposto que tem a ver com a noite de ontem...
Eu tentei disfarçar o sorriso, mas não adiantou. Claro que Bernardo tinha mexido comigo, mas agora eu precisava me concentrar.
Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, o celular vibrou de novo. Meu pai. Ele raramente me ligava, o que me fez atender no mesmo instante.
— Pai? O que aconteceu? — Meu coração já estava acelerado de novo, mas agora por outro motivo.
— Filha... — ele começou, tossindo em seguida. — Eu sei que você deve estar ocupada, mas... não sei se vou conseguir me virar sozinho hoje. Eu não estou me sentindo bem.
— Pai, você está bem? O que aconteceu? — Eu perguntei, sentindo meu coração acelerar. Ele raramente pedia ajuda, o que me deixou ainda mais preocupada.
— A febre voltou, e minhas pernas... estão fracas. — Ele suspirou, como se o simples ato de falar o deixasse exausto. — Eu tentei levantar, mas quase caí. Será que você pode vir? Só até eu melhorar um pouco.
Olhei ao redor, vendo as mesas perfeitamente montadas e as amostras de doces brilhando sob a luz. A prova dos doces... Eu tinha que estar lá, mas meu pai precisava de mim. Isso era inegável.
— Pai, eu... eu estava prestes a começar um evento importante, mas eu posso pedir para Samia cuidar de tudo. Vou até aí, claro. — A decisão saiu mais rápido do que eu esperava. Minha prioridade sempre seria ele, mesmo que fosse difícil.
— Eu não queria te atrapalhar, filha. Sei que você está sempre correndo com seu trabalho... mas hoje... eu realmente preciso de você.
A culpa bateu forte. Eu sabia o quanto o trabalho era importante, mas naquele momento, meu pai era a única coisa que importava.
— Não se preocupa com isso, pai. Já estou a caminho. Vamos resolver isso. Você é mais importante que qualquer evento. — Disse com firmeza, querendo tranquilizá-lo, mas também a mim mesma.
— Obrigado, querida... Sabia que podia contar com você. — Sua voz parecia aliviada, mas o cansaço ainda estava lá.
— Vou pegar o carro agora, me espera. Vai ficar tudo bem.
Desliguei o telefone e respirei fundo, tentando acalmar a mente que já estava a mil. Eu sabia que Samia daria conta da prova dos doces, e agora, só precisava cuidar do meu pai.
— Samia... — Olhei para ela, segurando o celular contra o peito. — Meu pai está doente, eu preciso ir até ele. Pode... pode cuidar da prova dos doces por mim? Sei que é um evento grande, com a noiva e o noivo, e é a primeira vez que ele vai estar presente, mas... você sabe como é, não posso deixá-lo sozinho agora.
Samia, como sempre, não hesitou.
— Pode deixar comigo, Ísis. Vai cuidar do seu pai. Eu cuido de tudo por aqui. Prometo que tudo vai sair perfeito.
Respirei fundo, aliviada por tê-la ao meu lado. Dei um rápido abraço em Samia e corri porta afora, tentando deixar a culpa para trás. Eu sabia que estava deixando a prova de doces em boas mãos, mas ainda assim... não estar lá me pesava.
Com o coração apertado, entrei no carro, pronta para cuidar do meu pai.
BERNARDO LOHAN
Eu ainda estava no escritório, revisando alguns contratos que precisava assinar, quando Amara entrou novamente carregando uma pilha de revistas de casamento. Ela se jogou no sofá, folheando as páginas com um suspiro.
Ainda não convencida de que eu sairia daquela empresa com ela para está prova de doces.
— Vai mesmo comigo na prova dos doces hoje? — ela perguntou, levantando os olhos para mim com uma sobrancelha arqueada.
Eu ri de leve, balançando a cabeça.
— Sim, vou. Já que é importante pra você e sua mãe, achei que estava na hora de participar de alguma coisa. — Eu olhei para ela e acrescentei, sem pensar muito. — Além disso, estou de bom humor.
Amara franziu o cenho, claramente desconfiada. Ela me conhecia bem demais para deixar passar qualquer mudança de comportamento.
— De bom humor? Tá, o que aconteceu? — Ela se inclinou para frente, cruzando os braços sobre os joelhos, como se estivesse pronta para arrancar a confissão.
Eu ri novamente, sabendo que ela não ia desistir tão fácil.
— Conheci alguém. — Falei casualmente, observando a reação dela.
Os olhos de Amara se arregalaram, e um sorriso lento começou a se formar no rosto.
— Ahhh, então é por isso que está tão tranquilo. Quem é ela? Como é? Me conta tudo!
Balancei a cabeça, segurando o riso. Era típico da Amara, sempre curiosa, sempre querendo saber todos os detalhes.
— Ainda não. Vou manter isso só pra mim por enquanto. Prefiro que as coisas fiquem quietas até eu ter certeza do que está rolando.
Ela bufou, jogando a revista de lado, claramente frustrada com a minha resposta.
— Sério, Bernardo? Você vai me deixar na curiosidade assim? Eu sou sua melhor amiga!
Eu dei de ombros, me divertindo com a reação dela.
— Por enquanto, sim. Quando for a hora certa, você vai conhecer. Mas e você? Como estão as coisas com o Flávio?
A menção ao namorado dela fez com que ela revirasse os olhos, mas um sorriso logo apareceu.
— Estamos bem. Ele anda ocupado, como sempre, mas está tudo em ordem. Você sabe como é, né?
Eu assenti, pegando os papéis novamente, mas minha mente ainda estava na noite anterior. O sorriso de Ísis, a forma como ela ria sob as estrelas... Aquela lembrança me deixou com uma sensação boa. Mas, por enquanto, era algo que eu queria manter só pra mim.
— Bom, espero que esteja de bom humor na prova dos doces. Isso vai ser... interessante. — Amara piscou para mim, ainda tentando adivinhar mais sobre a mulher misteriosa.
...(...)...
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Priscila Goulart
ahhh, n vai ser dessa vez
2024-10-15
1
Lucilene Rocha
songa monga se fazendo de santa sei muito que não tá nem ai agora dona Raquel típico né deixar a ansiedade
2024-10-05
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Gir
então não vai ser dessa vez o encontro
2024-09-19
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