Olho para ele, e meu coração bate mais rápido. Uma pequena batalha acontece dentro de mim, mas, no fim, decido ceder. Talvez seja a leveza da noite, ou o jeito como ele me olha com aquela mistura de charme e mistério. Talvez eu só esteja cansada de me conter tanto.
— Tudo bem, você pode me levar em casa — digo, com um pequeno sorriso.
Ele sorri de volta, claramente satisfeito com a minha resposta. Caminhamos juntos até o carro, o silêncio confortável se instalando novamente. O caminho para casa parece passar num piscar de olhos, e quando ele estaciona em frente ao meu prédio, a tensão suave da noite volta a pairar no ar.
Descemos do carro, e ele me acompanha até a porta. Por um segundo, ficamos parados ali, como se nenhum de nós soubesse exatamente como encerrar a noite. A atmosfera está carregada, e sinto o calor dele se aproximar, mesmo com o ar frio da noite ao nosso redor.
— Bom... obrigada por hoje — digo, mas minha voz soa mais suave do que eu pretendia.
Bernardo dá um passo à frente, e, antes que eu possa reagir, ele inclina a cabeça e pressiona seus lábios nos meus. O beijo é suave, mas há algo firme e seguro nele, como se fosse exatamente o que a noite precisava. Me permito relaxar, fechando os olhos por um breve momento, aproveitando o calor e a intimidade do momento.
Quando ele se afasta, ainda com aquele sorriso brincalhão no rosto, ele sussurra:
— Eu disse que sei aproveitar as oportunidades bem.
Sinto meu rosto esquentar enquanto solto um suspiro dividido, sem saber se rio ou o beijo de novo. Em vez disso, minha mão vai até seu rosto e acaricia levemente a barba que ele tem, quase num gesto automático.
— Boa noite, homem misterioso da lavanderia — digo, tentando manter o tom leve, mas há algo mais profundo no ar entre nós agora.
Ele sorri de volta, com o olhar divertido e encantador de sempre.
— Boa noite, franjinha — diz ele, sua voz carregada com aquele tom de provocação carinhosa.
Dou um último sorriso antes de me virar e entrar no prédio. Meu coração ainda está acelerado, e, enquanto subo para o meu apartamento, não consigo evitar o sorriso que se forma no meu rosto. Algo naquela noite mudou, e sinto que as oportunidades, como ele mesmo disse, ainda estão longe de acabar.
...
Ainda com aquele calor que parecia percorrer cada parte do meu corpo, entro no meu apartamento, a cabeça cheia de pensamentos sobre o beijo e o jeito como tudo se desenrolou. Fecho a porta atrás de mim e encosto as costas contra ela, suspirando, um sorriso bobo escapando.
Então, o celular vibra no bolso do meu casaco. Sorrio de novo, já antecipando o que ele pode ter dito. Abro a mensagem e, claro, lá está ele:
— Estou te devendo uma massagem. Eu não desisti de mostrar meus dotes, Ísis...
Eu rio sozinha, balançando a cabeça. Esse homem sabe mesmo como jogar. Por um momento, fico ali, olhando para a mensagem, o sorriso não saindo do meu rosto. A noite mal terminou, e a promessa de algo mais já está no ar.
Ainda encostada na porta, olho para a mensagem por mais alguns segundos, pensando em como responder. Sinto aquele calor do beijo voltar, e um misto de nervosismo e excitação corre pelo meu corpo. Ele realmente sabe como me desarmar com poucas palavras.
Digito rapidamente:
— Você é insistente, hein? Mas quem disse que estou precisando de uma massagem?
Envio com um sorriso malicioso, já esperando o que ele vai dizer. O celular vibra quase instantaneamente, como se ele estivesse esperando a minha resposta.
— Não precisa admitir agora... Mas tenho certeza de que, depois do seu próximo evento exaustivo, você vai me agradecer.
Rio, balançando a cabeça. Esse homem tem uma confiança impressionante.
— Quem sabe? — respondo, mantendo o jogo em andamento. — Talvez eu considere... se você for tão bom assim quanto diz.
Ele demora um pouco mais para responder dessa vez, e quando a mensagem chega, sinto um arrepio.
— Acredite, Ísis, eu sou.
Fecho os olhos por um momento, tentando controlar o misto de sensações que tomou conta de mim desde que nos despedimos. Algo sobre ele me intriga, me desafia de um jeito que eu não esperava. Há uma parte de mim que quer manter as coisas leves e divertidas, mas outra parte… outra parte quer descobrir até onde esse mistério pode nos levar.
Solto um longo suspiro, guardo o celular no bolso e vou em direção ao sofá, ainda sorrindo. A noite foi inesperada, e o dia seguinte traz a promessa de algo mais.
...
VERSÃO
BERNARDO LOHAN.
Assim que entro em casa, ainda sentindo o gosto suave do beijo de Ísis nos meus lábios, sou recebido pelo som dos passos da minha avó na sala. Era como se ela estivesse esperando, sabendo que eu chegaria tarde. Um suspiro escapa de mim, já adivinhando o motivo de sua presença.
— Lohan, finalmente em casa — ela diz, com aquele tom de reprovação suave que só as avós conseguem dominar.
Tiro o casaco e penduro-o, me preparando mentalmente para a conversa. Me aproximo dela, que está sentada em sua poltrona habitual, com os olhos fixos em mim, cheios de expectativa.
— Oi, vó — cumprimento, me sentando à frente dela no sofá. — Algum problema?
Ela não perde tempo e vai direto ao ponto.
— Precisamos falar sobre o casamento. Você anda muito... desinteressado. Amara é uma boa moça, e você sabe disso. Cresceu ao seu lado e agora é sua noiva. Deveria se comportar como tal.
Eu sabia que essa conversa ia acontecer. Minha avó sempre foi persistente, e para ela, o casamento entre mim e Amara é mais do que uma simples aliança; é um laço que fortalece duas famílias. Respiro fundo, tentando manter a calma.
— Eu sei, vó. Amara é uma boa amiga, e eu respeito muito ela. Mas esse casamento é só um acordo — digo, escolhendo cuidadosamente as palavras.
Ela me olha com olhos sérios, insatisfeita.
— Não fale como se fosse pouca coisa, Lohan. As famílias contam com isso. A herança será dividida entre vocês dois. Você não pode simplesmente ignorar a importância desse casamento.
Eu me mantenho firme, tentando não deixar a frustração transparecer. A verdade é que o casamento com Amara é, para mim, apenas um meio de manter as coisas em ordem entre nossas famílias. Não há sentimento romântico, e ela sabe disso. Mas o que minha avó não sabe — e que eu não vou contar — é que Amara tem um namorado. Ela ainda não revelou isso para ninguém, e eu não vou traí-la.
— Vó, eu entendo o que está em jogo, e estou fazendo minha parte — digo, mantendo o tom calmo. — Mas você sabe que entre mim e Amara... somos só amigos. Esse casamento é apenas para manter as coisas entre as famílias em equilíbrio. A herança será dividida igualmente, e é isso que importa.
Ela suspira profundamente, claramente descontente com a resposta.
— Você deveria considerar mais. Amara cresceu ao seu lado, é sua noiva agora, isso deveria significar algo para você.
Eu respiro fundo, tentando encontrar paciência.
— Nunca pensou na hipótese desta bonita amizade de tornar amor meu neto? Nunca viu aquela moça com outros olhos? Ela é tão bonita.. educada, de família que já temos convivência.
Novamente solto um suspiro pesado.
— Estou fazendo isso por consideração às nossas famílias. Nada mais — respondo, deixando claro que meu envolvimento nesse casamento é puramente por dever, não por escolha.
Ela se levanta lentamente, sua expressão ainda carregada de decepção.
— Pense bem, Lohan. As famílias estão contando com você.
Fico em silêncio enquanto a vejo sair da sala, suas palavras ainda ecoando em minha mente. O peso das expectativas familiares está sempre presente, e esse casamento, para mim, nunca foi sobre amor ou futuro. É um acordo, uma responsabilidade que aceitei, mas nada além disso.
Meus pensamentos, então, voltam para Ísis. O beijo, o jeito como ela sorriu ao se despedir de mim... com ela, as coisas são diferentes. Não há expectativas, não há acordos, apenas uma atração genuína. Algo que, por enquanto, prefiro manter só para mim.
....
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Priscila Goulart
sabia q era ela o noivo, curiosa para saber como Isis vai ficar quando souber
2024-10-15
0
Lucilene Rocha
Sabia que seriam as mesmas pessoas e tava contando os capítulos pra saber desse casamento arranjado
2024-10-04
0
Sônia Silva
Nossa, tudo bem que ele vai casar um acordo mas ambos agora tem outras pessoas em seu pensamentos, não seria melhor desistirem e serem felizes?
2024-10-02
2