Aquela noite foi muito mais longa do que eu esperava, mas não por causa do tempo em si, e sim pela quantidade de pensamentos que não me deixavam em paz. Depois de me despedir de Bernardo, voltei pra casa com a mente a mil, revivendo cada detalhe do que aconteceu no telhado daquele hotel. O toque dele, os beijos, a forma como nossos corpos se entrelaçaram na poltrona. Era como se tudo estivesse gravado na minha memória de forma nítida, e, por mais que eu tentasse, não conseguia desligar.
Deitei na cama, me virando de um lado para o outro, mas o sono não vinha. A lembrança dos lábios de Bernardo, do jeito como ele me olhava, me fez ficar ainda mais inquieta. Eu sabia que precisava dormir, que o dia seguinte seria cheio, mas simplesmente não conseguia desligar meus pensamentos. Fechei os olhos várias vezes, tentando forçar o sono, mas a cada tentativa falhava miseravelmente.
Quando finalmente peguei no sono, parecia que só tinham se passado alguns minutos antes do despertador tocar. Acordei com um pulo, ainda sentindo a exaustão tomando conta do meu corpo. O amanhecer trouxe uma leveza na luz do quarto, mas, ao mesmo tempo, eu sentia como se meu corpo pesasse o dobro.
Suspirei fundo, sentindo a preguiça me consumir. Por mim, eu não sairia da cama hoje. Cada parte do meu corpo gritava por mais algumas horas de descanso, mas a realidade bateu forte. Eu tinha obrigações, muitos compromissos, e um dos mais importantes era a prova dos doces do casamento de Amara.
Odiava a sensação de ter que lutar contra meu próprio corpo, mas não havia outra escolha. Me forcei a levantar, sentindo os músculos protestarem enquanto eu jogava as pernas para fora da cama. “Só mais cinco minutos” seria tentador demais, mas eu sabia que não podia me dar ao luxo. Havia muito trabalho pela frente, e o dia não ia esperar por mim.
Enquanto me preparava, ainda com a mente um pouco embaçada, flashes da noite anterior passavam pela minha cabeça. A forma como Bernardo tinha planejado tudo, a sensação de estar sendo desejada de uma forma que eu não sentia há muito tempo. E agora, aqui estava eu, exausta, lutando contra o sono, mas ainda com aquele sorriso bobo nos lábios.
(...)
BERNARDO LOHAN
Estava na minha mesa, olhando para a tela do computador, mas minha mente estava longe, muito longe. Os números, os relatórios, tudo à minha volta parecia estar em câmera lenta. Minha cabeça não conseguia se desprender da noite anterior com Ísis. A forma como ela se movia, a forma como ela reagiu ao meu toque, a maneira como nos encaixamos naquela poltrona… era tudo o que eu conseguia pensar.
Eu não era o tipo de cara que se deixava distrair facilmente, especialmente no trabalho. Mas Ísis... ela me pegou de um jeito que eu não estava esperando. Cada detalhe da noite anterior ainda estava tão fresco na minha mente que eu mal conseguia focar no que tinha à minha frente.
Foi só quando ouvi meu nome ser chamado que percebi que não estava mais sozinho na sala.
— Lohan? — a voz de Amara me puxou de volta à realidade, e eu levantei os olhos, meio perdido. — Você vai ou não vai na prova dos doces hoje?
Amara estava parada na minha frente, os braços cruzados, me olhando com aquela expressão impaciente que eu conhecia tão bem. Eu não tinha nem percebido que ela tinha entrado.
— Hã... o quê? — perguntei, tentando processar o que ela tinha dito.
— A prova dos doces, lohan. É hoje. Você esqueceu, não foi? — ela revirou os olhos, claramente irritada.
Eu passei a mão pelo rosto, tentando me recompor. A verdade é que, sim, tinha esquecido completamente. A noite com Ísis tinha consumido todos os meus pensamentos, e Amara, e qualquer outro compromisso relacionado ao casamento arranjado, tinham sido deixados de lado.
— Desculpa, Amara — eu disse, tentando soar mais presente do que realmente estava. — Estava distraído. Claro que vou.
Ela me olhou com desconfiança por um segundo, mas acabou apenas soltando um suspiro.
Amara soltou um suspiro, ainda me olhando como se tentasse entender onde eu estava com a cabeça. E, para ser justo, nem eu sabia direito.
— Lohan, — ela disse, usando o nome que a família sempre me chamava. Era o jeito dela de me lembrar do que estava em jogo. — Você precisa estar mais presente. Isso aqui é importante, lembra?
Eu só assenti, mas minha mente ainda estava em outro lugar, mais precisamente na noite anterior com Ísis.
Amara suspirou de novo, ainda me olhando como se quisesse que eu entendesse o peso da situação.
— Eu sei que isso também não é o seu sonho, Lohan. — Ela continuou, cruzando os braços e se apoiando levemente na mesa. — Mas temos que fazer tudo direito. É o que nossas famílias esperam.
Eu a olhei por um segundo, tentando focar nas palavras dela, mas minha mente ainda estava longe, vagando em tudo o que tinha acontecido com Ísis. Mesmo assim, fiz um esforço para manter o foco.
— Eu sei, Amara — respondi, tentando soar mais presente do que realmente estava.
Ela soltou um pequeno riso sem humor, balançando a cabeça.
— Minha mãe tem feito algumas perguntas, sabe? — disse, sem me olhar diretamente. — Perguntou se eu nunca me imaginei... com você.
Isso me fez levantar o olhar. Havia algo na forma como ela disse isso, meio hesitante, que me deixou um pouco desconfortável. Amara e eu éramos amigos há anos, e esse casamento arranjado era mais uma questão de negócios do que qualquer outra coisa, pelo menos pra mim. Eu nunca tinha parado para pensar se, em algum momento, ela tinha imaginado algo mais.
Eu fiquei olhando para Amara por um momento, tentando entender se havia mais por trás daquilo que ela estava dizendo. Ela parecia desconfortável, e isso me deixou ainda mais tenso. Eu sabia que nossos pais e avós viam esse casamento como a solução perfeita para os negócios das nossas famílias, mas e nós? Isso nunca tinha sido sobre o que nós queríamos.
— Engraçado você dizer isso... — comecei, passando a mão pelo cabelo. — Minha avó também fez a mesma pergunta recentemente. Como se ela quisesse plantar essa ideia na minha cabeça.
Amara ergueu uma sobrancelha, parecendo surpresa, mas também com uma certa resignação.
— Eles realmente acham que, só porque crescemos juntos e nossas famílias são próximas, isso vai funcionar como um conto de fadas, não é? — ela riu, mas havia uma tristeza escondida no fundo de suas palavras.
Eu me recostei na cadeira, tentando processar tudo aquilo. A verdade é que, por mais que Amara fosse uma boa pessoa, nunca tinha passado pela minha cabeça que poderíamos ser mais do que amigos. E, com o que estava acontecendo com Ísis, esse pensamento parecia ainda mais distante.
Não havia chances de ter algo com Amara nesta altura do campeonato, estava apaixonado... E Isso não era de hoje.
Isis era tudo que conseguia pensar, ela passou a ser meu maior desejo.
(...)
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Priscila Goulart
aí jesus, é agora q Isis vai descobrir
2024-10-15
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Lucilene Rocha
Pois é bom começar a contar a sua história porque isso não vai cair bem
2024-10-05
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Talita Franco Barreiro
Agora a noiva vai resolver gostar dele, aí meu Deus !
2024-09-17
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