BERNARDO LOHAN
Amara olhou de novo para mim, seu tom mais sério agora.
— Sabe... não foi fácil pro Flávio aceitar isso no começo. — Ela soltou, cruzando os braços. — Levou um tempo pra ele entender que era só negócios, que o nosso casamento arranjado não era algo que ia interferir no que temos.
Eu assenti, lembrando das dificuldades que ela tinha enfrentado com Flávio no início. Ele, assim como qualquer um, ficou confuso e até irritado com toda a situação. Amara precisou ser muito clara para que ele aceitasse que nosso casamento era apenas uma formalidade para as famílias, e que, no fundo, os sentimentos dela estavam totalmente com Flávio.
Ela suspirou, virando-se completamente para mim.
— Mas o que você tá construindo com essa garota... é diferente. É novo e, pra ser sincera, ainda muito prematuro. Você acha que ela vai concordar com isso? — Amara pausou, suas palavras cheias de preocupação. — Com... nosso casamento?
A pergunta pairou no ar como uma sombra. Eu sabia que era algo inevitável. Ísis era especial, e a conexão que estávamos construindo era real, mas o peso do casamento arranjado, mesmo sendo só de fachada, poderia desmoronar tudo.
Eu fiquei em silêncio por um tempo, considerando as palavras de Amara. O que tínhamos, eu e Ísis, ainda estava no início, mas já parecia algo que podia ser forte. E a ideia de contar pra ela sobre o casamento... não seria fácil.
— Eu não sei como ela vai reagir... — respondi, finalmente. — E, sinceramente, Amara, isso é o que mais me preocupa. Porque o que eu tenho com ela... eu não quero estragar isso.
Amara me deu um olhar compreensivo, mas também firme.
— Então, Bernardo... talvez seja hora de decidir o que você realmente quer.
Amara ficou em silêncio por um momento, ponderando, antes de me lançar um olhar mais suave, quase conspirador.
— Sabe, Bernardo... por que contar agora? — Ela perguntou, inclinando-se um pouco para mim, como se estivesse pensando alto. — Não é como se fôssemos morar juntos ou sermos obrigados a passar a vida de verdade como um casal. Nós não temos essa obrigação. É só um papel assinado, um acordo que precisa de provas de convivência... e nós já convivemos o suficiente pra isso.
Eu virei a cabeça em sua direção, observando-a enquanto ela falava. Havia uma lógica em suas palavras, por mais desconfortável que fosse pra mim.
— Então... guarda isso, Bernardo. Ela não precisa saber. Não agora. — Amara continuou, sua voz calma, mas direta. — A última coisa que você quer é estragar algo tão bom tão cedo. E quando chegar a hora, se chegar, você vê como lidar com isso.
Eu respirei fundo, pensando nas suas palavras. Havia verdade ali, e a ideia de adiar essa conversa, de manter as coisas leves com Ísis por enquanto, parecia... tentadora. Ainda assim, algo me incomodava.
— Você acha mesmo que isso vai funcionar, Amara? — perguntei, ainda incerto. — Não sei se esconder isso é o certo...
Ela deu de ombros, com aquele ar pragmático que sempre teve.
— Às vezes, o certo e o prático não andam de mãos dadas, Bernardo. Você gosta dela, quer ver até onde vai? Então, viva o momento. Não complique tudo com uma verdade que, nesse momento, só vai atrapalhar.
Eu fiquei em silêncio por um tempo, absorvendo o que ela disse. Guardar esse segredo por mais um tempo... poderia ser o caminho mais fácil, pelo menos por enquanto.
Depois que deixei Amara em casa, fiquei ali no carro por um tempo, os dedos tamborilando no volante. As palavras dela ecoavam na minha cabeça. Guardar o segredo, adiar o inevitável... poderia funcionar, mas não seria fácil. E com Ísis, as coisas estavam começando a ficar sérias de um jeito que eu não esperava.
Peguei o celular e, sem pensar demais, digitei a mensagem:
"Quero te ver..."
Esperei, sabendo que ela responderia rápido. Ísis sempre tinha aquele jeito provocante, atraente, que me fazia querer largar tudo e ir até ela.
Sua resposta veio logo, como eu esperava.
"E o que você vai fazer se me ver agora?"
Ela sempre sabia como mexer comigo, mas dessa vez, eu não estava no clima para jogos. Algo estava me incomodando, o peso da conversa com Amara, o medo de Ísis descobrir tudo antes de eu poder explicar. Eu precisava vê-la, agora, antes que meus pensamentos ficassem mais confusos.
Respondi de volta, direto:
"Preciso te ver agora. É sério."
Houve um momento de silêncio antes da próxima mensagem dela chegar. Eu sabia que ela entenderia a seriedade no meu tom.
"O que aconteceu?"
Suspirei, pronto para explicar tudo, mas antes que eu pudesse, a mensagem seguinte dela me surpreendeu.
"Meu pai está doente... Eu precisei ir cuidar dele hoje."
Aquela sensação de urgência se misturou com a preocupação que senti ao ler aquilo. Eu sabia o quanto a família significava para ela, e o fato de seu pai estar doente mexia com a situação.
Eu não pensei duas vezes.
"Me manda o endereço, vou até você."
Sabia que não era o melhor momento para uma conversa sobre nós, mas estar ao lado dela, mesmo que fosse para apoiá-la nesse momento, parecia o mais certo a fazer. Eu precisava vê-la, mesmo que fosse só para estar lá por ela agora.
Assim que recebi o endereço de Ísis, liguei o carro e fui direto. Durante o percurso, meu coração batia mais rápido do que o normal, e minha mente não parava de pensar nela. A ansiedade crescia com cada quilômetro que eu percorria, o desejo de vê-la e, ao mesmo tempo, o medo de tudo que estava por vir.
Quando finalmente cheguei, estacionei em frente à casa e caminhei até a porta. Toquei a campainha e, por um instante, fiquei ali, esperando. O tempo parecia se arrastar até que a porta finalmente se abriu. Lá estava ela, com um olhar surpreso, como se não acreditasse que eu realmente tinha vindo.
— Eu... não imaginei que você viria mes... — ela começou, mas antes que pudesse terminar, eu a calei com um beijo ansioso, cheio de saudade. Minha mão encontrou a dela, enquanto meu corpo se aproximava mais. Tudo que eu queria naquele momento era senti-la perto de mim.
Quando me afastei levemente, ainda com os lábios próximos aos dela, sussurrei contra sua boca:
— Não paro de pensar em você, estou ficando louco.
Ísis abriu um sorriso amável, o tipo de sorriso que fazia tudo parecer certo, como se o mundo fosse um lugar melhor só por estar ali com ela.
— Eu também. — Ela respondeu suavemente, seus olhos brilhando, satisfeita com o momento.
Eu sabia que ainda havia tanto a ser resolvido, tantas coisas que precisávamos falar, mas naquele instante, tudo parecia se alinhar. Estar com ela me trazia uma paz que eu não conseguia encontrar em nenhum outro lugar.
...(...)...
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Priscila Goulart
acho errado n contar pra ela
2024-10-15
0
Lucilene Rocha
Pior coisa que fez foi ficar calado e o icebeg só aumenta
2024-10-05
0
Naiara Croffi
ahhh Bernardo já tá tomando a decisão errada....coitada da Isis!!
Já tô imaginando ela descobrindo do pior jeito
2024-09-24
0