Passei o resto do dia pensando no que vestir, no que dizer, e, mesmo tentando manter a calma, me peguei imaginando o que ele teria planejado. Por que, sim, Bernardo era o tipo de cara que planejava coisas. Ele me intrigava e, ao mesmo tempo, me puxava para uma realidade que eu não sabia se conseguia acompanhar.
Quando a noite finalmente chegou, ele foi pontual. Abri a porta e lá estava ele, com aquele sorriso confiante e o olhar que sempre parecia saber algo que eu não sabia. Não me deu muitas explicações sobre o que íamos fazer, o que só aumentava minha curiosidade.
Quando recebi a mensagem dele, eu sabia que queria estar à altura. Escolhi um vestido vermelho que estava guardado para uma ocasião especial, sem pensar muito. Ele tinha um caimento perfeito, abraçava meu corpo de um jeito que me fazia sentir confiante e elegante. O detalhe mais ousado era a fenda na coxa, que deixava um toque de sensualidade, sem ser exagerado. Era um daqueles vestidos que faz você se sentir poderosa.
A cada movimento, a fenda se abria sutilmente, mostrando um pouco mais da perna enquanto eu caminhava, mas de uma forma quase despreocupada, como se não estivesse planejado para ser assim. O decote era discreto, mas ainda assim realçava meus ombros e clavículas. O tecido fluía de forma suave, me fazendo sentir como se eu estivesse pronta para uma noite memorável.
Combinei com saltos altos e simples, que alongavam minhas pernas ainda mais. O batom vermelho que escolhi para combinar com o vestido foi a cereja do bolo. Quando me olhei no espelho antes de sair, me senti diferente... mais confiante, mais dona de mim.
Assim que ele me viu na porta, percebi que o vestido tinha o efeito desejado. O olhar de Bernardo demorou um segundo a mais em mim, e o sorriso no rosto dele se alargou de uma forma que deixou claro: eu tinha acertado na escolha.
— Você não me disse aonde iríamos, então... Espero não ter exagerado demais. — Disse envergonhada.
— Está perfeita — Respondeu com seu sorriso encantador.
Entramos no carro e, durante o caminho, trocamos poucas palavras. Ele parecia focado, mas com um leve sorriso no rosto, o que só me deixou ainda mais ansiosa. A cada curva que o carro fazia, minha curiosidade aumentava. Quando paramos em frente a um hotel de luxo, meu coração deu um salto.
—É aqui? — perguntei, tentando não parecer muito nervosa.
— Você vai ver — ele respondeu, com aquele sorriso enigmático.
Subimos até o último andar, e o que encontrei quando a porta do elevador se abriu foi simplesmente inacreditável. Fiquei sem palavras. O ar fresco da noite me envolveu enquanto eu olhava ao redor, tentando processar o que estava vendo. Era o topo de um hotel de luxo, mas não era apenas um telhado qualquer. Era um cenário montado, quase como se tivesse saído de um filme.
O céu estava limpo, as estrelas brilhando como testemunhas silenciosas daquela noite. Havia luzes suaves ao redor, iluminando discretamente o espaço, sem tirar o protagonismo da vista deslumbrante. No centro, poltronas fofas estavam dispostas de maneira aconchegante, ao lado de uma mesa com vinho e petiscos perfeitamente organizados. Mas o detalhe que mais me chamou a atenção foi a cascata de chocolate, fluindo de maneira elegante ao lado dos outros quitutes.
Eu ainda estava parada, absorvendo tudo aquilo, quando Bernardo se aproximou, o sorriso satisfeito ainda no rosto.
— O que você acha? — ele perguntou, com a voz calma, mas eu percebia que ele estava curioso pela minha reação.
Olhei para ele, tentando encontrar as palavras, mas a verdade é que eu estava realmente impressionada. Nunca imaginei que ele seria do tipo que faria algo assim. Tão sofisticado e, ao mesmo tempo, íntimo. Aquele lugar tinha sido preparado para mim, para nós, e cada detalhe parecia ter sido pensado com cuidado.
— Eu... uau — foi o que saiu da minha boca, meio sem pensar. E então, me senti meio boba por não conseguir articular nada melhor.
Ele riu, aquele riso suave e confiante que só Bernardo tinha.
— Bom, era a intenção — ele disse, enquanto me conduzia até uma das poltronas. — Queria te impressionar.
Me sentei, ainda meio atordoada com a cena, e ele se abaixou para servir o vinho, todo o gesto fluido e calculado, mas sem perder a leveza. Ele estava no controle da situação, e eu estava começando a perceber que gostava disso mais do que deveria.
— E conseguiu — finalmente consegui dizer, pegando a taça que ele me entregou. — Sério, isso aqui é incrível.
Ele sorriu, satisfeito, e se sentou ao meu lado, relaxado. A lua estava alta no céu, o vinho tinha o sabor perfeito, e o silêncio entre nós era confortável, quase íntimo. Era difícil ignorar o quanto ele estava investindo em me impressionar, e não podia negar que estava funcionando.
Enquanto nos acomodávamos mais nas poltronas e o clima entre nós se tornava ainda mais íntimo, comecei a relaxar. O ambiente, o vinho e a companhia de Bernardo me faziam esquecer do resto do mundo. Entre uma taça e outra, começamos a falar sobre coisas simples, sobre o que gostávamos, hobbies, e eu percebi que, apesar do mistério, ele tinha um lado mais leve.
— E você, o que costuma fazer quando não está planejando encontros incríveis em telhados de hotéis? — perguntei, com um sorriso brincalhão, enquanto pegava uma fruta banhada na cascata de chocolate que ele havia preparado.
Bernardo riu suavemente, seu olhar ainda carregado daquela confiança que me deixava inquieta.
— Bem, meu tempo é um pouco dividido entre a empresa e... momentos como este — disse ele, pegando uma uva e, em um movimento calculado, mergulhando-a na cascata de chocolate antes de me oferecer. — Assumi a empresa da minha família há alguns anos. Não foi exatamente planejado, mas acabou sendo o caminho natural.
Aceitei a fruta, os olhos conectados aos dele por mais tempo do que o normal. Havia algo no jeito como ele me oferecia as coisas, sempre com uma pitada de sedução.
— Empresa? Que tipo de empresa? — perguntei, curiosa. Era a primeira vez que ele mencionava seu trabalho.
Ele se acomodou na poltrona, os olhos ainda me observando como se estivesse sempre esperando por algo.
— Uma empresa de consultoria financeira. Meus pais fundaram, com amigos muito íntimos. e eu recentemente assumi quando eles faleceram e a empresa ficou com o sócio, e agora só restou a mim pra assumir. Não era o que eu planejava, mas... bem, às vezes a vida nos leva por caminhos inesperados — ele explicou, mantendo o tom casual, mas com aquele charme que parecia intrínseco a ele.
Eu assentia, fascinada pelo jeito como ele falava. Havia um controle em suas palavras, como se ele soubesse exatamente o que estava fazendo, cada movimento calculado para me manter intrigada.
Em um movimento quase casual, peguei mais uma fruta e a mergulhei no chocolate. Mas, no momento em que a levei até a boca, um pouco do chocolate escorreu e caiu bem no meu decote. Olhei para baixo, meio sem jeito, mas antes que eu pudesse reagir, os olhos de Bernardo estavam fixos em mim, intensos, cheios de algo que eu não conseguia ignorar.
— Posso limpar? — ele perguntou, a voz baixa, carregada de intenções que eram impossíveis de não perceber.
Por um momento, fiquei sem palavras. O calor subiu pelo meu corpo, meu coração acelerou, mas, ao mesmo tempo, eu sabia exatamente o que ele queria. E o pior de tudo é que eu também queria. Assenti levemente, quase sem conseguir desviar os olhos dos dele.
Ele se aproximou devagar, sem pressa, e, sem dizer mais nada, inclinou-se até o chocolate que havia caído. Seus lábios tocaram minha pele com suavidade, e o calor do momento era quase palpável. Senti um arrepio subir pela espinha enquanto ele limpava o chocolate, sem desperdiçar nada, com a mesma calma e controle que o caracterizavam.
Eu estava nervosa, mas o tipo de nervoso que vem junto com a excitação. Minha respiração ficou mais pesada, e, quando ele finalmente se afastou, o sorriso de satisfação no rosto dele só me deixou ainda mais perdida naquele momento.
— Não podia deixar esse chocolate ser desperdiçado — ele murmurou, os olhos ainda cravados nos meus.
Eu mal consegui responder. Só sabia que, naquele momento, Bernardo tinha o controle, e eu estava mais do que disposta a me deixar levar.
— Na sua pele ele ficou ainda mais delicioso.
Aí senhor... Esse homem vai virar minha cabeça.
...(...)...
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Atualizado até capítulo 66
Comments
Priscila Goulart
que fogo
2024-10-15
0
Lucilene Rocha
E o fogo vai se espalhar
2024-10-04
1
Gir
uiii delícia
2024-09-17
0