Alice
Enquanto corro, sinto meu coração pulsar intensamente dentro do peito, e consigo ouvir minha própria respiração, que está ofegante e pesada. Ao sair da trilha que me traz ao alojamento novamente, perco o equilíbrio e acabo caindo.
Com o olhar voltado para a mata ao meu redor, percebo que um vento forte faz as árvores se inclinarem, criando um espetáculo inquietante. Nesse momento, um grito ecoa pela floresta, alto e penetrante, reverberando no ar... provavelmente é aquele homem.
Meu peito se move em um ritmo acelerado, subindo e descendo de forma frenética. Sinto minha garganta seca, e cada respiração parece causar uma dor aguda, muito mais intensa do que eu havia imaginado. A única coisa que ocupa minha mente é uma pergunta que não sai do meu pensamento: quem é ele?
Neste instante, posso observar as pessoas que estavam jantando ao ar livre ficarem alarmadas e confusas, com expressões de espanto no rosto. Melisssa se aproxima de mim, estendendo a mão para me ajudar a ficar em pé, enquanto pergunta com preocupação:
— Ali, o que aconteceu? Onde você estava?
No entanto, meus olhos permanecem fixos na densa mata à minha frente. As imagens do que acabei de vivenciar ainda estão muito frescas na minha memória. A cena daquele homem misterioso segurando a onça que estava prestes a me atacar no ar, está gravada em minha mente, como se eu pudesse reviver aquele momento a cada instante.
— Amiga! — a voz apressada de Melissa ressoa novamente, trazendo-me de volta à realidade.
Eu me viro para ela, sentindo o vento frio da noite agitando meus cabelos e a barra do meu vestido. Em um tom suave, quase num sussurro, digo:
— Eu preciso... saber quem é ele...
Melissa, com o cenho franzido e uma expressão de preocupação, me olha nos olhos e pergunta:
— Ele quem, amiga? De quem você está falando?
No entanto, antes que eu possa responder, o senhor Augusto surge correndo em nossa direção. Ele segura meus braços com firmeza, sua expressão é de total alarme e preocupação. Com um tom ansioso em sua voz, ele me questiona:
— Ele tocou em você?... Me diga! Vocês se tocaram?
Observando-o com uma clara expressão de confusão no meu rosto, levo a mão à lateral da minha cabeça e faço uma leve pressão na têmpora enquanto pergunto, quase desesperada:
— Não... do que você está falando? Quem é ele? Por favor, me diga.
Minhas palavras saem desordenadas, refletindo a confusão que toma conta de mim, mas a urgência de entender quem era aquele homem me consome por dentro. Augusto, por sua vez, parece respirar aliviado e tenta me acalmar ao dizer:
— Em breve, tudo será esclarecido, mas você precisa entender que não pode mais ir até a cabana, pelo menos não antes de estar devidamente preparada. Você esteve em perigo real, Alice; você poderia ter perdido sua vida.
Engulo em seco, negando com a cabeça, sem conseguir acreditar no que ele me diz. Mas, então, sem me dar tempo de dizer algo, ele sai gritando para Natanael:
— Natanael, preciso que você fique de prontidão na entrada desta trilha. Não deixe ninguém sem autorização passar.
Ele então se vira para mim e aponta com o dedo em minha direção, dizendo:
— Especialmente ela!
Natanael, que estava um pouco mais afastado de nós, se aproxima com a mão no bolso de suas calças, dizendo:
— Pode deixar, senhor Augusto.
Observando Natanael, não consigo acreditar na ousadia dele. Ele desvia o olhar de mim e se posiciona na entrada da trilha, erguendo-se como um muro, enquanto cruza os braços de forma defensiva.
Sem hesitar, pego Melissa pelas mãos e a conduzo para um local mais afastado. Ao olhá-la nos olhos, falo com firmeza:
— Escute, Melissa, eu preciso voltar até lá. Preciso descobrir quem é aquele homem. E você vai me ajudar com isso.
Ela me observa com uma expressão de espanto estampada no rosto, e logo desvia o olhar para os lados, como se estivesse preocupada que alguém esteja escutando nossa conversa, enquanto sussurra:
— Você ficou louca, Alice? Quem quer que tenha encontrado, essa pessoa é perigosa. Não percebeu como o senhor Augusto ficou apavorado? Você não pode voltar lá, amiga. Você mesma ouviu o que ele disse.
Solto um longo suspiro, tentando transmitir a profundidade do que estou sentindo, e respondo:
— Você realmente não está entendendo, Melissa. Eu preciso voltar até lá, e não há como evitar isso. O que eu experimentei na presença daquele homem, amiga, é algo surreal.
Então, continuo a descrever as emoções que experimentei, como se estivesse revivendo cada momento novamente:
— Ele... eu... eu apenas queria correr para os braços dele, amiga, mesmo ele me pedindo para me afastar. Desejei abraçá-lo e nunca mais soltar... eu tinha vontade de partilhar tudo com ele, mesmo sem saber realmente quem ele era. Você consegue perceber o quanto isso tudo me angustia, o quanto preciso entender cada detalhe dessa situação?
— Mas, Alice, isso é muito arriscado. Estamos falando da sua vida, amiga. Por Deus, você ouviu o que o senhor Augusto disse. Pare de ser tão teimosa — diz Melissa, séria, enquanto me olha fixamente.
Solto um suspiro profundo e, negando com a cabeça, encaro Melissa com determinação.
— Sabe de uma coisa, Mel? Se você não quiser me ajudar, tudo bem! Eu vou fazer isso sozinha. Mas pode ter certeza de que eu voltarei lá; é uma promessa que faço. E será ainda esta noite, acredite!
Melissa me observa com os olhos arregalados, visivelmente surpresa com a minha decisão. Porém, não lhe dou a chance de responder ou argumentar. Saio com passos firmes, enquanto me aproximo do alojamento.
Ao atravessar os corredores, a minha mente começa a criar estratégias. Estou determinada a elaborar um plano eficiente, que me permita passar despercebida pela vigilância atenta de Natanael.
No entanto, uma coisa eu sei com certeza: enquanto percorro os longos corredores do alojamento, nada e ninguém poderá me deter na minha busca por descobrir a identidade daquele homem enigmático e a razão pela qual ele me impactou de maneira tão profunda.
Sinto uma necessidade urgente de encontrar respostas, e vou atrás delas com todas as minhas forças, custe o que custar. Estou disposta a arriscar até mesmo a minha própria vida, se for necessário, pois essa é a determinação que define quem eu sou. Se não fizer isso, não serei, de fato, Alice Carter.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Margareth Santana
tenha calma Alice, tudo no seu tempo
2024-10-10
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