Alice
Assim que começo a despertar, pisco repetidas vezes, até me acostumar com a claridade que entra pela janela aberta. E então, só agora, percebo que não estou em meu quarto. Me sento na cama, e olho ao redor, o quarto é, rústico, com móveis em cor marrom, e, o que parece ser matéria de jornais coladas na parede.
Na verdade, esse local parece mais uma sala de investigação do que um simples quarto. Mas sou, subitamente, envolvida pelas fortes, lembranças do que aconteceu, o que me tira das minhas divagações.
— Melissa… — sussurro para mim mesma.
Me levanto com um pulo da cama jogando a coberta de lado. Caminho com cautela, e para meu alívio a porta está aberta. Sei que parece estranho estar assim, até que tranquila nesta situação, mas realmente por algum motivo que desconheço não me sinto com medo, mas sim curiosa para saber onde estou.
Claro, existe a chance real de eu estar com as pessoas que atacaram a casa de Natanael, mas se eu estiver realmente com eles, preciso observar, e analisar a situação para uma possível fuga.
Assim que saio do quarto, rapidamente uma rajada de vento balança meus cabelos, e a luz forte do sol se pondo no horizonte me atinge. Com toda essa ventania ao meu redor, caminho um pouco mais e olho adiante, vendo inúmeras montanhas ao redor.
Logo percebo que estou no topo de uma dessas montanhas. Colocando a mão no bolso da blusa, olho ao redor e percebo um imenso casarão. Vejo também várias outras casas distribuídas ao redor.
— Mas que lugar é esse? — murmuro, surpresa.
Então, de repente, ouço:
— Amiga!
Me viro e vejo Melissa vindo correndo em minha direção. Assim que chega até mim, nos abraçamos fortemente, enquanto ela diz:
— Que bom que você está bem, Ali.
Franzo o cenho e, avaliando-a, digo:
— Eu estou. Mas e você? Você não parece mais apavorada como antes, Mel. O que aconteceu? Onde estamos? Cadê o Natanael?
Melissa sorri e diz:
— Calma, são muitas perguntas de uma vez. Vamos começar por partes. Foi realmente um pânico ver Natanael se transformar diante de nós, mas conversei muito com ele e comecei a entender certas coisas. E acredite ou não, mas após isso, meu medo se dissipou. Estamos com um grupo de pesquisadores; este é o alojamento deles.
Passo a mão pelo rosto e, olhando fixamente para Melissa, digo:
— Por quanto tempo fiquei desacordada? Eu não estou sentindo muito minhas emoções. Será que isso é normal? Saber que Natanael é um lobo causou um choque momentâneo, mas agora parece até normal demais para mim, o que é estranho.
Melissa sorri e diz:
— Foi muita coisa de uma vez em pouquíssimas horas. Cada um tem reações diferentes. Mas vem, vou te levar até o representante daqui. Não se preocupe, você dormiu apenas algumas horas.
Ela segura minha mão e segue comigo. Enquanto observo tudo ao meu redor, ainda me sinto como se estivesse anestesiada diante desta situação. Sei que deveria estar surtando como qualquer pessoa normal, indagando minha amiga sobre sua tranquilidade, mas talvez isso não me assuste porque nunca fui alguém tão normal quanto outras pessoas.
Assim que nos aproximamos de algumas barracas brancas devidamente distribuídas pelo local, Melissa me guia até a barraca do meio, e, assim que chegamos, ela, sorrindo, diz:
— Senhor Augusto, aqui está a minha amiga Alice.
Diante das palavras de Melissa, o tal senhor Augusto se vira. Ele é um homem de meia-idade, com alguns fios de cabelo grisalho, barba por fazer e veste uma jaqueta jeans escura.
Aproxima-se de mim rapidamente, estendendo sua mão em minha direção, dizendo:
— Prazer, senhorita Alice. Ouvi muito sobre você.
Eu então aperto sua mão e, olhando profundamente em seus olhos, digo firmemente:
— Pois é, ultimamente parece que algumas pessoas têm ouvido falar muito sobre mim.
Ele sorri e, após nosso cumprimento, diz:
— Seja bem-vinda à nossa comunidade.
Assinto e, olhando ao redor, pergunto a ele:
— Que tipo de atividades realizam? Pesquisam o quê?
Ele sorri e coloca a mão no bolso de sua jaqueta, dizendo:
— Aceita caminhar um pouco comigo, Alice? Irei te explicar um pouco melhor tudo isso.
Olho para Melissa ao meu lado; ela sorri e assente com a cabeça, me dizendo:
— Vai, amiga.
Então, eu começo a me afastar dela e a caminhar com o senhor Augusto. Em certo momento, ele pigarreia e começa a falar:
— Nossa pesquisa foge dos meios convencionais, Alice. Pesquisamos de tudo um pouco. Investigamos a fundo a origem da humanidade, sobre este planeta que chamamos de lar e muito mais. Nosso projeto tem se expandido. Mas, acima de tudo, queremos levar discernimento e entendimento sobre certas coisas para as pessoas, que muitas vezes não são encontrados em meios tradicionais.
Então ele suspira profundamente e continua:
— Existiram grandes cientistas que foram silenciados pela trajetória de suas carreiras quando começaram a descobrir certas coisas em suas pesquisas e a desafiar a lógica até então estabelecida. Dentre eles, encontra-se um dos que conseguimos salvar muito pouco de sua pesquisa. O cientista Alberto; ele foi silenciado sem poder ser completamente reconhecido por suas pesquisas pioneiras.
E neste instante, paro abruptamente, com as mãos nos bolsos da minha blusa, e o encaro. A dor no meu coração parece que vai me dilacerar, e uma lágrima solitária desce dos meus olhos. Mas eu recuso a chorar, e o que me domina agora é a fúria.
Aproximo-me dele lentamente, olhando fixamente em seus olhos ao perguntar:
— O senhor está falando de Alberto Carter?
Ele assente e, olhando profundamente para mim, responde:
— Sim. Esse mesmo. Você o conheceu?
Respiro profundamente e respondo:
— Ele é meu pai.
O vento que ruge ao nosso redor balança suavemente a vegetação e meus cabelos. A noite cai gradualmente; tudo, absolutamente tudo parece congelar, enquanto essas palavras saem da minha boca.
O senhor Augusto me olha com os olhos arregalados e diz:
— Você... você é a filha perdida dele? A garota que havia desaparecido e ninguém sabia onde estava?
Inspirando profundamente, assenti:
— Sim. Mas não desapareci; eles me colocaram em um abrigo, onde fiquei até meus dezoito anos. E agora, senhor Augusto, quero que me conte sobre essas pessoas que fizeram isso com meu pai... quero saber de tudo.
Ele assente e se prepara para me revelar tudo o que sabe, e neste instante tenho a certeza de que as coisas realmente parecem não acontecer por acaso. Toda essa situação maluca da minha vida me colocou no caminho das pesquisas que meu pai, Alberto Carter, um cientista destemido, realizava. E no meu interior, tenho a certeza de que irei até o fim de tudo isso por você, paizinho.
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Atualizado até capítulo 47
Comments
Inelda Leonardo
Eitaaaa
que suspenseeeee
2024-11-18
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