Iriel
O salão está em tumulto. Ao sair com passos firmes, percebo que a agitação se espalha por todos os cantos. A equipe, igualmente apressada, me acompanha, seu ritmo acelerado refletindo a urgência da situação.
O ataque a Alice fez com que eu antecipasse minha viagem para a Terra. Meus passos rápidos são guiados por um desejo intenso de tomar uma ação imediata. Leonard, ao meu lado, tenta transmitir informações importantes enquanto corremos.
— Ela já está no alojamento, com o grupo. Todos foram avisados de sua chegada. Providenciaram uma cabana mais afastada para recebê-lo — diz Leonard, sua voz carregada de preocupação.
Respiro fundo, o peso das palavras dele se assentando sobre meus ombros. Leonard ficará aqui, na cidade resplandecente, enquanto eu prosseguirei.
— Ela está ferida? — pergunto, o tom de minha voz traindo a minha inquietação.
Leonard balança a cabeça negando com firmeza, ao dizer:
— Não, ela está bem. Não se preocupe. Ouça, Iriel, sua missão é mais crucial do que qualquer conflito entre as facções terrestres. Lembre-se de sua posição hierárquica. A missão vem sempre em primeiro lugar.
Ao emergimos no grande pátio do salão, eu encaro Leonard, dizendo:
— Mas a segurança dela foi comprometida. Eles, não deveriam ter mexido com ela.
Leonard se aproxima, seus olhos fixos nos meus com uma intensidade preocupante, enquanto diz:
— Você sabia dos riscos. Foi por isso que designou Natanael para protegê-la. E, ele cumpriu seu dever. Os que estão por trás disso são apenas criaturas medrosas, temendo perder o que consideram deles. São dignos de pena, Iriel. Não faça nada imprudente.
Com a equipe pronta para me acompanhar, começamos a abrir o portal com nossa energia combinada. O portal brilha com uma intensidade crescente, até que se torna uma passagem luminosa para outra dimensão.
Antes de atravessar, olho para Leonard com um sorriso de lado e digo:
— Espero que eles não me desafiem, Leonard. Se o fizerem, as coisas vão ficar feias.
A última coisa que ouço é o grito de reprovação dele:
— Iriel! Seu teimoso infeliz!
Enquanto o portal me engole, um sorriso de confiança se espalha pelo meu rosto. Ao emergir na dimensão terrena, o ar ao redor da cabana se agita com a força da nossa chegada. As árvores se curvam diante da nossa energia, e uma ventania poderosa toma conta do local.
À frente, o grupo de humanos espera por nós. O vento bagunça seus cabelos, e eu começo a calibrar minha energia, ajustando a frequência para facilitar a comunicação. Quando vou falar, minha voz sai embolada, rouca, como um rádio com mau contato. Preciso recalibrar o tom e a clareza da minha voz também, antes de perguntar:
— Vocês estão com a frequência elevada? Posso me aproximar?
Um dos humanos, com um jaleco branco, ajusta os óculos e responde rapidamente:
— Sim, sim, grande divindade, elevamos nossa vibração e frequência.
Solto um suspiro profundo e me aproximo, sentindo a terra vibrar ligeiramente sob meus pés, enquanto digo:
— Então pare de me chamar de divindade. Sem fanatismo, ou sua frequência voltará a cair. Converse comigo normalmente.
O homem assente, e eu dou um sinal para minha equipe, dizendo:
— Vão. Se dispersem na mata. Nossa presença aqui acumulou muita energia neste local.
Eles assentem e se embrenham entre as árvores. Viro-me para o grupo humano à minha frente e digo:
— Vamos tratar do que interessa.
Os humanos assentem e começam a se encaminhar para a cabana. O sol está se pondo, e, antes de entrar com eles, lanço um olhar distante para o alojamento onde Alice está. Saber que estou tão perto dela, mas ao mesmo tempo tão longe, mexe profundamente comigo.
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Atualizado até capítulo 47
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