Iriel
Enquanto mantenho a onça suspensa no ar por meio da minha energia, sinto meu coração pulsar com intensidade no peito, e a única ideia que permeia minha mente é a de que Alice não deveria estar aqui... tão próxima de mim... não ainda, pois não está preparada.
O olhar de surpresa dela se desvia da onça e se dirige a mim. Seus olhos, cheios de curiosidade, me contemplam com uma profundidade que parece compreender a conexão poderosa entre nós, mesmo que as palavras não tenham sido ditas.
O vento frio da noite brinca com seus cabelos, que dançam suavemente ao sabor da brisa. Apesar da incerteza, ela permanece firme ali, no chão, como se estivesse presa entre o encanto do momento e a realidade ao seu redor.
Mas então a gravidade da situação parece se colapsar à medida que sinto minha energia oscilar de maneira frenética. É quando sinto a dor, implacável, me atingir; e quanto mais abaixo minha carga energética, mais dor sinto. A onça se movimenta no ar tentando escapar, mas eu mantenho minha energia firme, pressionando-a no lugar.
— Sai daqui — digo com a voz profunda e rouca, que parece fazer Alice estremecer.
Ela se levanta rapidamente do chão, seu corpo se erguendo com uma agilidade inesperada. O vento fresco que sopra faz com que as folhas das árvores vibrem e farfalhem, criando um som suave e inquietante ao nosso redor.
Apesar de sua respiração ainda irregular, tomada pela ansiedade, ela dá um passo à frente em minha direção, como se estivesse determinada a se aproximar. Eu, por outro lado, sinto uma onda de desespero e recuo, dando um passo para trás, e grito com todas as minhas forças:
— Sai daqui!
Ela, parecendo ainda mais agitada e confusa, não responde ao meu pedido. Sua expressão é de preocupação, mas parece incapaz de entender a urgência da situação. Desesperado, grito novamente, com a voz cheia de pressão e pânico:
— Vai!... Agora!
E então, de forma repentina, ela se vira e, erguendo a barra de seu vestido branco, começa a correr pela floresta, desviando-se ágil das árvores em seu caminho. Eu a observo enquanto o vento acaricia seus cabelos soltos, fazendo-os dançar ao ar.
Alice, lança um último olhar para trás, ainda correndo, sua figura iluminada pela luz suave da lua que se infiltra entre as folhas das árvores, criando um contraste encantador contra a escuridão da mata.
À medida que ela desaparece entre os troncos das árvores, sinto a onda de minha energia acumulada pulsar dentro de mim. Com um impulso, lanço a onça para longe, e, em um momento de liberação intensa, grito:
— Ahhhhhh...
Deixo a energia contida sair de mim, o brilho dourado irrompe, retorcendo-se por entre as árvores ao redor da cabana. Esta irradiação provoca uma verdadeira tempestade de vento, que arrasta as folhas e galhos. O ambiente ao meu redor é transformado pela força de minha essência, como se a própria natureza estivesse respondendo a mim.
E assim, deixo meu corpo se curvar para baixo, caindo de joelhos sobre o chão frio, com a respiração pesada e ofegante. Meus olhos se fixam em minhas mãos, que tremem levemente, adquirindo uma coloração vermelha intensa, como se estivesse em chamas. A presença de Alice aqui representou um verdadeiro perigo.
A dor que sinto é avassaladora, não se limitando apenas ao aspecto físico, mas também se estendendo ao lado emocional. Foi uma batalha interna esmagadora, e precisei exercer um autocontrole imenso, pois, embora meu desejo de tocá-la aumentou a cada instante, a consciência de que isso poderia feri-la me amedrontou.
Meu coração está em pedaços por encontrá-la e, mesmo assim, não poder tê-la em meus braços. A sensação de impotência é dilacerante, e o amor que sinto por Alice fere tanto quanto qualquer lesão visível.
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Atualizado até capítulo 47
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