Luna
Acordei bem cedinho hoje e decido ir correr no quarteirão, estou muito estressada e preciso aliviar essa tensão.
Aquele estúpido me tirou do sério, coisa que poucos conseguem fazer. Sou uma pessoa bem calma e tranquila, mas ele sabe fazer a gente perder a cabeça.
Quando saía do apartamento, encontro com Alene fechando a porta do seu apartamento.
— Bom dia, vizinha! — diz ela animada.
— Bom dia!
— Está indo para a academia?
— Vou correr um pouco, preciso aliviar o estresse do trabalho!
— Também estou indo correr! Podemos ir juntas?
— Claro!
Descemos conversando assuntos aleatórios.
Corremos por uma hora e paramos em um quiosque, para tomar uma água de coco. Alene é divertida e não tem papas na língua, diz o que pensa e não se importa com o que outros vão dizer ao seu respeito.
— Você faz o que mesmo, Luna?
— Sou médica e faço residência de pediatria!
— Qual hospital?
— Massachusetts Cooper Center!
— Que coincidência, comecei a trabalhar ontem lá no departamento jurídico! Eu e o meu irmão, ele é cirurgião…
— Coincidência mesmo!
— Me diz, qual o motivo do seu estresse? Tem muitas pessoas falsas por lá?
— Em todos os lugares que trabalham muitas pessoas juntas tem, mas eu fico afastada para não ter problemas desnecessários e desgastantes para a minha saúde mental! — digo divertida e ela concorda. — Meu problema, está sendo o novo diretor do hospital, o filho do dono! Ele é insuportável, arrogante, prepotente… se acha melhor que todo mundo e se acha no direito de ter mais privilégios do que os pacientes!
Ela sorri estranho de canto, atenta as minhas palavras.
— Eu o conheço, é o melhor amigo do meu irmão! — dispara e eu coro. — Não se preocupe, ele está insuportável mesmo nos últimos tempos! Meu irmão é o único que ainda tem paciência com ele, eu já teria perdido faz tempo! Adriel era divertido, educado, simpático e brincalhão, mas todas as suas boas características se foram, com a morte de sua esposa! Ele ainda não sabe lidar com o luto…
— Mas ninguém tem culpa! Todos nós estamos aqui de passagem, hora estamos, hora podemos não estar mais!
— Ele amava demais a sua esposa, os dois eram como aqueles casais de comercial de margarina…
— Não posso imaginar a sua dor, mas continuo pensando que o mundo não tem culpa!
— Eu também acho, mas fazer o quê! Cada um, lida com o luto de uma maneira…
Voltamos conversando e combinamos de ir juntas para o hospital, pois seu irmão teve uma emergência na madrugada e teve que ir para o hospital.
Assim que termino de me arrumar e tomo o meu café, me despeço da Carmen e encontro com Alene na porta. Descemos juntas e me pergunta, onde pode encontrar alguém de confiança para cuidar das coisas do apartamento deles. Tem a agência, mas também fico de perguntar para Carmen, ela conhece muita gente que precisa de trabalho, sendo honestas e de caráter assim como ela.
Chegamos ao hospital juntas conversando e rindo, pelo visto hoje a manhã será tensa. O telefone tocava insistentemente e as enfermeiras andavam apressadas de um lado para outro.
Como todos os dias, entro com um sorriso acolhedor cumprimentando a todos, me despeço de Alene desejando um bom dia de trabalho e, cada uma seguiu para seu respectivo andar.
Me reúno com meus colegas residentes com o nosso diretor da ala pediátrica, como todos os dias para falar de cada paciente e também para distribuir as funções de cada um.
Após a minha ronda pela enfermaria, visitando alguns pacientes, vou até a recepção, percebo um tumulto num determinado canto. Havia um garotinho de cerca de seis anos encostado na parede com seu rosto avermelhado, os olhos cheios de lágrimas e fazendo birra. Ele chorava e gritava, dizendo que não queria ser atendido, me pareceu querer chamar a atenção. A mulher ao seu lado, que pela forma em que estava vestida parece ser sua babá visivelmente frustrada e irritada, tentava acalmá-lo.
Respirei fundo, me aproximei com delicadeza e me agachei para ficar na sua altura. Estando ali tão próxima, senti algo incomum por esse pequeno, ele é tão lindo, com um olhar pedindo por socorro. Contudo, não parecia precisar de socorro médico, mas um socorro para sua pequena alma cansada e abatida.
— Oi, tudo bem? Sou a Dra. Luna e você, quem é?
O garoto me olha de canto de olho, com desconfiança e seca seu rostinho e olhos com o braço.
— Eu não quero! Não quero ir ao médico! — grita novamente. — Eu não tenho nada, estou bem!
— Entendo que não queira ir, mas é necessário fazer a rotina médica direitinho, para não ter eventuais problemas! — digo com uma voz doce e suave.
Ele olha fixamente para mim e percebo que estou conseguindo quebrar um pouco da sua resistência.
— Eu… só estou com medo…
— É normal sentir medo! Posso te contar um segredo? — pergunto docemente em tom de voz baixo. — Eu também tenho medo às vezes de ir ao dentista!
Coloco o dedo indicador sobre a minha boca, pedindo segredo.
— Mas sabe o que me ajuda a superar o medo? — pergunto e ele nega com a cabeça. — Eu imagino que eu seja uma super-heroína! Qual herói, você gostaria de ser?
— Hum… Superman!
— Boa escolha, eu gostaria de ser a mulher maravilha! Qual o seu nome, Superman?
— Matheus!
— Que nome lindo! — sorrio.
Pego em sua mãozinha e fomos até o consultório conversando.
— Já pensou que legal seria voar! — diz ele fazendo gestos com a outra mão.
O menino começou a rir involuntariamente.
Entramos no consultório do Dr. Lúcio comigo explicando como seria o atendimento.
A única coisa que o médico não conseguiu, foi examiná-lo. A babá me explicou que o garoto perdeu a mãe recentemente e o seu pai não tem paciência com ele.
Dr. Lúcio pede os exames de rotina e os acompanho até o laboratório para marcar os exames. Antes de irem embora, abaixo ficando na sua altura e lhe entrego um pirulito, por ele ter sido tão corajoso.
Sou surpreendida por ele, me dando um beijo no rosto.
— Tchau, Luna!
— Tchau Matheus!
Ele vai embora e fico com meu coração aquecido.
Aproveito o tempinho vago que vou para o meu consultório e ligo para Letícia. Não nos vimos hoje, devido aos nossos diferentes horários.
Ela estava exausta e me contou sobre o nosso novo vizinho, o qual é o seu chefe.
Ela disse que ele é um puto de um cafajeste…
O restante da manhã foi agitada, atendendo alguns pacientes e em casos mais graves chamava Dr. Lúcio.
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Atualizado até capítulo 109
Comments
Josanice Vanderlei
Caramba,ele levou essa babá 🤔🤔🤔🤔🤔
2025-02-09
1
Josi Gomes
É O FILHO DELE
2025-02-08
2
Josi Gomes
QUALQUER DIA, A LUNA VAI ATENDER O FILHO DELE , E COMO SERÁ QUE ELE VAI AGIR DEPOIS, QUE LUNA CUIDAR DO FILHO DELE
2025-02-08
2