Conversa e Memórias

Lara’s POV

Batuco os dedos na mesa da sala de reuniões enquanto escuto Jonathan nos explicar como será a dinâmica com a Ethereal Style, não podemos nos dar ao luxo de perder esse caso. Estaríamos ferrados se não conseguirmos comprovar que o CEO é totalmente inocente.

— Clarabella, está me ouvindo?

— Uhm? — Arregalo os olhos ao ver todos me olhando e dou um sorriso amarelo. — Desculpa, me distraí, o que estava dizendo?

— Clarabella, precisa se concentrar, é um caso muito importante e não podemos dar o luxo de nos distrair. — ele me chama pelo meu nome completo, o que me faz encolher já que ele só me chama por esse nome quando está me dando uma bronca ou está extremamente preocupado. E que claramente é a primeira opção.

— Desculpe...

— Bom, como eu estava dizendo, fui informado de que já tocaram o solo da Virgínia e o Sr. Carter juntamente com a Srta. Montgomery irão recepcionar os dois no hotel. Estamos entendidos?

Eu e Ethan respondemos em coro. — Sim senhor.

— Ótimo, façam o máximo que conseguirem para que eles vejam o quanto somos a empresa de advocacia mais confiável da cidade.

Seguro um bocejo e ele nos libera, mas antes ele me chama.

— Sim, senhor?

— Está tudo bem? Parece meio abatida e distraída, o que não é do seu feitio.

— Estou bem, apenas com sono.

— Você não me parece bem, vou pedir para que Sienna vá no seu lugar.

— Não, eu consigo.

— Tem certeza?

— Estou bem, apenas com sono, assim que eu dormir, irei melhorar.

— Certo, boa sorte e mostre a eles que somos a empresa certa.

— Pode deixar, chefe.

Me despeço dele e Ethan começa a andar comigo.

— E então? Levou uma grande bronca do chefe?

— Não, acredita? Ele disse que se eu quisesse tirar uns dias de folga eu poderia.

— Como assim? Por que ele é tão bom com você? Isso é injusto. Você por acaso é filha dele?

— Quem dera, eu estava brincando, ele só perguntou se estava tudo bem, e queria me substituir pela Sienna. Inclusive, estou com a cara acabada mesmo?

Me viro para encará-lo e ele me olha de um jeito estranho, o mesmo jeito que me olhou no hotel em Miami, então ele pigarreia.

— Está.

— Mentiroso.

Entramos no carro e fomos até o hotel, logo, peço um café enquanto estudo a empresa deles e seu CEO.

Esperamos por volta de uma hora até sermos chamados por uma voz feminina. Nos viramos e vimos um casal extremamente bem vestidos e aparentemente muito ricos, os cumprimentamos e começamos a discutir sobre o caso da Ethereal Style.

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Encerramos a reunião após a Sra. Scott alegar estar com sono e suspiro indo embora com Ethan.

— Caramba, quem diria que a princesinha da faculdade seria esposa do homem mais rico do país.

— Era de se esperar, ela já era rica mesmo, e, além disso, o que você tem na cabeça de dar em cima da nossa cliente? Ainda mais ela sendo casada?

— Eu não dei em cima dela, só comentei da beleza dela, se eu te disser que está linda, eu estou dando em cima de você? — ele se aproxima de mim em passos lentos e sinto meu coração disparar.

— Depende... Você é idiota o bastante para isso.

— Mas você nunca me disse para parar.

Olho para ele perdendo a paciência e entro no elevador. — Se não se apressar, vai ter que ir de elevador.

Seguro um bocejo e impeço Ethan de colocar sua mão em meu ombro.

— Respira, raposinha, só ia te fazer uma massagem, parece estressada.

— Eu estou estressada por sua causa.

— Tudo bem, eu fico quieto.

Suspiro finalmente achando que ele iria calar a boca e fecho os olhos, encostando a cabeça no espelho.

A espera foi longa, mas finalmente chegamos ao nosso andar, vou até o meu quarto, mas sou parada por ele encostando na minha porta.

— Quando sai o resultado do teste?

— Que teste?

— O teste para a promoção.

— Ah, nem tinha me lembrado disso.

— Só sei que vou esmagar a pessoa que tiver que eu tiver que competir contra.

— Por quê?

— Essa é a coisa mais importante para mim.

— Pensei que não se importasse com nada.

— Posso parecer despreocupado, mas isso é o que eu sempre quis, meu pai era delegado e minha mãe era coordenadora jurídica, ou como gosto de dizer: gerente. Foi por isso que entrei na empresa.

Presto atenção em como ele fala e percebo que ele parece realmente perdido enquanto fala, como se estivesse contando para os amigos um sonho de criança, então não decido fazer piada.

— Que bom que realizou o seu sonho.

— Bom, ser advogado é um passo para eu realizar meu sonho. Mas e o seu?

— O meu o quê? — pergunto surpresa, já que ninguém nunca me fez essa pergunta, nem mesmo meus pais.

— Seu sonho.

— Não tenho um sonho.

— Como não? Todo mundo tem um sonho.

— Se tenho, então não sei qual é.

— Não é possível, já tentou perguntar para a sua mãe? Talvez ela se lembre de algo que você dizia quando era criança, algo que você não se lembre.

— Nunca conversamos sobre isso. — confesso.

— Não tem um relacionamento bom com ela?

Mordo o lábio e abro a porta, dando o assunto por encerrado. — Boa noite, Ethan.

— Boa noite...

Fecho a porta e sinto uma onda de tristeza me invadir. Me jogo na cama e passo as mãos no rosto, me forçando a lembrar se algum dia já falei com a minha mãe, sobre qualquer coisa, independente do que e percebo que nem mesmo me sentei no sofá para falar com ela.

Tomo meu banho e sinto meus olhos lacrimejarem, pisco freneticamente.

Agora deitada, fico olhando para a parede e digo para mim mesma. — Você não é fraca, não se atreva a chorar. Você não pode ter ficado tão sensível assim, foi apenas uma pergunta boba. Qualquer um tem a possibilidade de nunca conversar com a mãe. Talvez ela só esteve ocupada a vida toda.

Procuro meu celular em cima da cama e mordo o lábio, criando coragem para mandar uma mensagem para minha mãe.

“Tem um tempo para conversarmos?” 

Fico nas redes sociais e a primeira coisa que vejo é uma foto da minha mãe na capa de uma das inúmeras revistas que ela participa e noto que nunca recebi um sorriso como aquele. Como se... tivesse algo legal sendo contado através do sorriso. Nem mesmo quando passei em Harvard, ou quando consegui encontrar um emprego maravilhoso, onde eu pudesse ajudar as pessoas. Nunca.

Ao notar que já quero chorar novamente, desligo o telefone, o colocando em cima da escrivaninha, me cubro e desligo a luz, encarando o teto até pegar no sono.

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Comments

Tatiana Fonseca Naffah Bertoni de Melo

Tatiana Fonseca Naffah Bertoni de Melo

Coitada a mãe é muito egoísta ñ tem afeto algum pela filha

2025-01-09

0

Tatiana Fonseca Naffah Bertoni de Melo

Tatiana Fonseca Naffah Bertoni de Melo

Por favor autora posta mais capítulos ansiosa para ler. Gostando muito linda sua história

2024-11-03

0

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