Mais um dia se inicia e suspiro quando recebo uma mensagem.
“Oi, bonitinha, que horas você chega no trabalho? Precisa me apresentar à empresa” — recebo uma mensagem de Ethan e automaticamente reviro os olhos, como diabos ele conseguiu meu número?
Resmungo na cama e pego o celular, mandando a seguinte mensagem:
“Não te interessa, você não é mais uma criança que precisa da diretora para mostrar a sala em que vai ficar”.
Desligo o celular e me levanto, desistindo de dormir mais um pouco, me viro olhando o relógio ao meu lado e o xingo por me acordar às plenas cinco da manhã.
Me sento e esfrego as mãos nos olhos, tentando me acostumar com a claridade da luz ligada. Como diabos deixei a luz do quarto ligada?.
Coloco minhas pantufas e vou até a sala vendo Suzy dormir jogada, as pernas para fora do sofá e o corpo todo torto.
Pego um megafone que deixo guardado para situações inusitadas e me aproximo dela, e grito.
— Acorda!
Ela se levanta assustada, ou melhor, ela cai do sofá assustada e começo a rir.
— Fogo! Fogo! Onde? — Ela diz aos tropeços, mas para ao me ver rindo e como megafone na mão. — Muito engraçado, Larabelle.
— Desculpe, mas você tinha que ver a sua cara, ela foi hilária, parecia o episódio em que o Spencer e o Morgan ficaram presos no elevador e gritaram pelo Hotch.
— Isso foi muito específico, mas eu entendo. Mas tem que parar de fazer referência com tudo.
— Ah, você não, por favor, já não basta minha mãe. — Desligo o megafone e o guardo, logo começo a arrumar a sala com ela.
— Amiga, precisa parar de ficar pensando na sua mãe.
— É mesma coisa que dizer para um bêbado parar de beber, quando se está acostumado, é difícil.
— Está indo às suas sessões?
Travo quando a mesma diz, mas logo me recomponho.
— Claro, é o único momento em que posso desabafar com alguém quando você está trabalhando.
— Queria poder ter mais tempo para te ajudar, amiga.
Ela para de arrumar as coisas e agarra minhas mãos, me fazendo sentar no sofá.
— Amiga, sabe que pode contar comigo para o que for, certo?
— Suzy, por favor, não começa, não preciso de lição de moral agora.
— Larabelle, não estou tentando dar uma de terapeuta, mas precisamos conversar.
— Não, não precisamos.
— Larabelle, sou sua amiga, mas até quando vai se fechar desse jeito?
— Eu não estou fazendo nada, Suzy, agora, se me der licença, vou para a sessão, minha terapeuta odeia atrasos.
Ela suspira e assente.
— Certo, eu aviso o Jonathan, nos vemos na empresa?
— Claro.
Ela vai embora e eu ainda fico mexida com o que Suzy me disse, que estou me fechando e que preciso parar de pensar na minha mãe.
Termino de arrumar tudo e vou para o meu quarto, separando uma blusa longa de lã e uma saia plissada, pego minhas botas de guerra, que não largo por nada, e vou para o banheiro tomar banho.
Ao sair do banheiro, bufo ao ver o nome de Ethan piscando na tela do meu celular, enquanto me visto, coloco no viva voz.
“Você é um insuportável, sabia? O que você quer? Estou extremamente ocupada”.
“Oi para você também, desaparecida, eu só queria saber se está tudo bem.”
“E, por que não estaria?”
“Jonathan nos contou que você iria atrasar por estar em uma consulta”.
Fecho os olhos, murmurando “droga” e coço minha nuca.
“Eu estou bem, é apenas exame de rotina”
“Sei. . . Bom, não se esqueça de que está me devendo um tour pela empresa.”
“Isso nunca vai acontecer, pode esquecer”
“Assim você me magoa, Belle”
“Já falei para não me chamar assim”
“Foi mal, mas sério, prefere ser chamada de Lara do que de Belle? Em minha humilde opinião, Belle é mais bonito e charmoso que Lara”.
“Sua opinião inútil, você quis dizer.”
“Eu queria. . .”
“Eu preciso desligar”
Desligo o telefone e passo a mão pelo rosto, arrumando meu cabelo em frente ao espelho, após ter me trocado.
Coloco algumas coisas na bolsa e me arrumo para sair, mas antes, coloco comida e água para Meg.
— Tchau, boneca.
Saio e ando calmamente até a clínica. Ao entrar, suspiro ao ver a terapeuta em frente à sua sala. Uma sala em tons brancos e nudes, seus diversos prêmios e conquistas como profissional na área da saúde.
— Decidiu aparecer? Quando eu te conheci e disse que poderia vir quando quisesse, não imaginei que seria dois meses sem vir. — Ela se afasta da porta para eu entrar.
Me sento, descansando a bolsa em meu colo.
— A vontade demorou para aparecer.
— Certo. . . Saiba que o que acontecer aqui, continua aqui e não sai jamais.
Sinto um alívio no peito e relaxo os ombros que, até então, estavam tensionados.
— Então, por onde começamos?
— Minha mãe é narcisista, controladora, idiota, babaca, cruel, o que posso dizer mais dela? Ah, claro, gosta de controlar minha vida como se fosse dela, me obriga a fazer coisas que eu não quero.
— Certo. E, por que até agora você não se desvinculou dela? É algo físico, verbal ou sentimental?
— Verbal. Sei que tenho 25 anos e tenho minha própria vida e já sou adulta, mas o nível que ela vai é odiável, eu me sinto sufocada pela minha própria mãe, é como se eu estivesse me afogando em um oceano aberto, sem conseguir chegar ao topo.
— E seu pai?
— Eu não sei, eu era muito pequena quando ele foi embora, alegando que conviver com a minha mãe era muito sufocante. — Aperto as alças da bolsa até ver os nós dos meus dedos brancos.
— Veja que isso é um tópico sensível para você, se incomoda se eu fazer mais perguntas?
— Qualquer coisa que me faça não ir para o trabalho hoje.
— Por quê? Há algo lá que te incomoda?
— Muitas coisas, apesar de gostar do que faço.
— Então, por que não sai? Ou tentar se afastar daquilo de que não gosta?
— Porque o que eu não gosto se movimenta.
— Ah, entendi — ela exibe um sorriso. — Está falando de um colega?
— Colega? Está mais para Nêmesis.
— Se conhecem há bastante tempo?
— Nos conhecemos na faculdade, sempre ficamos brigando um com o outro, queríamos ser os melhores. Quando terminei a faculdade, entrei na Crowell e nunca mais tive contato com ele, até ontem.
— Até ontem, quando ele foi trabalhar na sua empresa — ela diz com um sorriso.
— Como sabe que foi ontem?
— Ao te ver aqui, sentada à minha frente, depois de dois meses e nervosa por conta de um colega que apareceu recentemente, e ao ver seu nervosismo, isso é extremamente recente.
— Falando assim, até parece que é uma perfiladora.
— Continua fazendo referência à Criminal Minds em todos os momentos em que tem uma oportunidade?
— Não. . . — Olho para ela com vergonha.
— Não posso te culpar, talvez você sinta a necessidade de divulgar o que você gosta, assim eles se interessam, perguntam a você o que é, você explica e então começa uma conversa.
Olho para ela, indignada por saber tão bem por que faço isso.
— Não posso evitar.
— Certo. . . O que ele faz você sentir?
— Fico nervosa só dele respirar, eu quero bater nele mesmo ele não falando nada, a presença dele me irrita.
Minha terapeuta ri e coloca a mão na boca tentando disfarçar.
— Falei algo engraçado?
— Desculpa, é que você me chamaria de louca e não quero que abandone as sessões.
— Sei. . .
Continuamos a conversar sobre diversos dos meus problemas.
Após umas três horas conversando, Vivianne se levanta, dando por encerrada a nossa sessão.
— Hoje foi uma conversa produtiva, daqui a algum tempo, vou te contar uma coisa.
— Por que não pode contar agora?
— Porque vai perder a graça.
Suspiro, agarrando minha bolsa e ela me surpreende com um abraço.
— Sabe que não pedi abraço, não é?
— Eu sei, mas lembre-se, se deixe sentir, senão se afogará em silêncio.
Saio do consultório dela pensativa e decido passar numa cafeteria próxima, saí sem comer nada e estou morrendo de fome.
Faço uma careta — Eu mereço. . .
Coloco meus fones e dou play na minha música.
Entro na fila e pego minha carteira, esperando minha vez.
— Próximo! — A atendente diz.
Me aproximo dela e então meus olhos cruzam os dele.
— Oh! . . Larabelle, que surpresa te ver aqui. Gostaria de conversar com você, mas tenho um compromisso.
Ele vai embora e faço meu pedido, duas fatias de bolo de chocolate com muita cobertura e um cappuccino sem canela.
Pago e fico mexendo no celular enquanto meu pedido é preparado, o que não demora.
Vou para a mesa e me sento, descansando a bolsa entre meus dois pés, uma medida de segurança contra roubos.
Chego em casa cansada e exausta, tiro meu casaco, olho para o relógio e vejo o horário: 17h30. Perdi meu dia todo naquela sessão, mas confesso que me sinto mais leve em ter dito o que disse para Vivianne.
Me troco e coloco num prato os lanches que comprei, me sento em frente à televisão e a ligo, colocando em algum filme de fantasia misturado com romance, algo do tipo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 42
Comments
Brennda Germany's
/Heart//Heart//Heart//Heart//Heart//Heart//Heart//Plusone/
2024-11-09
0
Jaquerds
/Proud//Drool/
2024-10-31
0