Exames e Medo

Mexo em minhas mãos desconfortável ao ver a Sra. e o Sr. Carter, se aproximarem com um sorriso.

— Querida, como está?

— Bem.

— Ora, sabemos que não está bem, olhe só Kilian, a menina está pálida, vamos meu bem, vamos fazer alguns exames.

— Mãe, deixe disso, ela só está com dor de cabeça.

— Calado, Ethan, estou aqui como profissional.

Ele se cala imediatamente e os pais dele me guiam para um consultório.

— Entre, querida.

Ao entrar, ela diz alguma coisa para o marido e o filho, e nos tranca na sala.

— Então... Agora que estamos sozinhas, pode me dizer o que está sentindo.

— Em primeiro lugar, não queria ter vindo mas seu filho insistiu.

— Oh, eu sei como meu filho é. Ele é muito teimoso e persistente.

— Para certas coisas, para outras... — Murmuro.

— Sei que vocês tiveram um término conturbado, mas... — A interrompo, me sentindo nervosa com o assunto.

— Por favor, vamos esquecer disso.

— Se assim deseja, mas saiba que estou aqui à disposição para conversar, eu te considero uma filha e não importa o que dizer, eu vou guardar segredo.

Sorrio ao ver ela me apoiar, minha mãe nunca sequer me disse um “eu te amo”. É por isso que vejo a Sra. Carter como uma figura materna.

— Bom, eu acordei com dor de cabeça, fui para o trabalho ainda com muita dor de cabeça, tomei remédio e fui para casa, já que tínhamos uma cliente aqui em Miami, eu tinha que buscar uma mala, me senti tonta e perdi o equilíbrio e caí, batendo as costas na parede.

— Larabelle, isso é muito sério!. — Ela se levanta. — Me deixe ver.

— Não deve ter nada…

Ao levantar minha blusa ela diz exasperada.

— Larabelle, suas costas estão roxas.

— Talvez porque eu bati? Não se preocupe, isso passa.

— Pode ter sido uma contusão leve, mas precisamos saber, pedi ao Kilian preparar a sala de Raio-X.

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Saio da sala de Raio-X e me sento ao lado de Ethan, batucando os dedos na bolsa, nervosamente.

— O que eles disseram?

— Nada demais, me deram um remédio para dor de cabeça.

— Então, porque saiu da sala de Raio-X se é dor de cabeça?

Abro a boca em um primeiro momento mas logo fecho, suspiro arrumando uma desculpa.

— Eles fizeram um Raio-X na cabeça, para saber se não é algo à mais.

— Entendi. Minha mãe... Não falou nada?

— Não, sobre o quê? — Fecho os olhos encostando a cabeça na parede.

— Deixa pra lá.

Ficamos em silêncio até meu nome ser chamado.

— Lara, aqui está os resultados dos seus exames, recomendo que tome este remédio em caso de dor, se piorar, volte.

Pego o exame e a Doutora me dá um abraço.

— Se cuide, você ainda tem meu número.

— Certo.

Mãe e filho se despedem e começo a caminhar mesmo com dificuldade.

— Certo, o que você tem?

Suspiro, percebendo que ele não vai parar de perguntar, então entrego os exames para ele.

Ele agarra o meu braço antes que eu pudesse abrir a porta do carro.

— Você tá maluca? Você cai e nem pensa em contar para ninguém?

— Não seja dramático, só foi uma quedinha.

— Você podia ter se machucado feio!

— Como se você se importasse. — Digo entrando no carro.

— É claro que me importo, o que acha que sou? Voldemort?

— Você fez mesmo uma referência à Harry Potter?

— Isso te fez sorrir, então valeu a pena.

Rio e nego com a cabeça. Idiota.

Bocejo e fecho os olhos.

— Deveria dormir.

— Não, eu estou muito bem estando acordada.

— Eu não sou Fred e George Weasley para fazer pegadinhas com você.

— Argh, para de falar em Harry Potter, você não é digno de falar dessa obra literária e cinematográfica maravilhosamente bem-feita.

— Eu sou muito digno!

— Claro, falou o Grifinório. — Olho para ele com desdém.

— Tinha que ser uma Sonserina falando isso.

— Está nervoso porque somos melhores que vocês?

— Claro, claro, acredite nisso.

Dou um mínimo sorriso e ele ri me olhando, desviando rapidamente o olhar da estrada.

— Venci de novo, te fiz rir.

— Você é inacreditável.

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Entramos no hotel e ele pega minha bolsa, me ajudando.

— Eu não sou uma inválida, Ethan.

— Eu sei muito bem disso, mas você está com as costas machucadas, que tipo de homem eu seria se eu não te ajudasse?

Reviro os olhos e ele aperta o botão do elevador, o segurando para eu entrar.

— Obrigada.

— De nada.

Ficamos em silêncio durante todo o percurso e então ao chegarmos ele me entrega minha bolsa.

— Aqui está, Miss Chanel.

— Miss Chanel?

— Sim, tudo o que você usa é da Chanel.

— Ah, isso não é verdade, eu uso Dior, Valentino, Alexander McQueen.

— Resumindo, Miss Grife.

— Se prefere dizer assim, mas, não vou negar que amo grife.

— Agora sei o que te dar de presente.

— Ah, nem pense nisso, Ethan William Carter.

— Por que?

— Porque não, tenha um bom dia.

Entro no meu quarto e coloco a mão no peito. Que diabos está acontecendo comigo? Isso não pode estar acontecendo.

Toco minha testa e me olho no espelho.

— Devo estar com febre, isso, com febre.

Começo a encher a banheira enquanto arrumo algumas coisas para assistir uma das minhas séries preferidas: The Vampire Diaries.

Pego um macacão preto ombro a ombro e vou para o banheiro. Ligo o cronômetro e coloco 30 minutos.

Tiro minha roupa e entro na banheira, me deliciando com a água quente. Entro com cuidado para não machucar as costas e suspiro, fechando os olhos.

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Rapidamente, o tempo acaba e me assusto com o barulho do cronômetro fazendo um barulho que não me lembrava ser tão irritante.

Me levanto pegando a toalha e me seco, colocando um roupão, vou para o meu quarto mas logo dou um grito ao ver Caleb sentado na minha cama. Como diabos ele entrou, se eu tranquei a merda da porta?

— O que está fazendo aqui? Vai embora.

— A porta estava aberta, não queria te assustar, mas devo dizer, cada dia você está mais bonita.

Seus olhos vagam pelo meu corpo ainda coberto apenas pelo roupão e me encolho.

— Eu estou desconfortável, por favor, vá embora.

— Por que? Podemos nos divertir um pouco.

Ele se levanta e começo a recuar, indo para o banheiro, esperando que consiga fechar a porta antes dele entrar.

— Finalmente, aquele idiota do seu parceiro não está aqui.

— O que está pensando em fazer?

— Sozinho? Nada, mas com você...

Sinto repulsa ao vê-lo tão próximo, ainda mais comigo somente de roupão.

Chego até o banheiro e tento fechar a porta mas o mesmo abre com facilidade.

— Não pode se esconder de mim, Larabelle, pelo amor de Deus, você é uma criança? Só quero me divertir um pouco com você.

Engulo em seco sentindo meu coração bater tão rápido que é arriscado sair do peito.

— Por favor, sai de perto de mim.

Ele toca meu rosto e viro, sentindo meu coração paralisar, aquele rosto que sempre considerei um amigo.

Ele segura meu rosto fortemente, o machucando e começa a me beijar, me fazendo sentir repulsa.

Tento desviar mas suas mãos estão em minhas costas e a apertando, me fazendo sentir dores intensas.

— Hoje você vai ser minha.

Ele começa a tentar desamarrar mas é a única coisa que consigo segurar fortemente.

O estrondo da porta batendo contra a parede fez meu coração parar por um segundo. Ethan estava ali, na entrada do quarto, e a expressão no rosto dele era algo que eu nunca tinha visto antes. Seus olhos estavam selvagens, faiscando de raiva, como se o mundo inteiro pudesse desmoronar naquele instante. Ele deu um passo à frente, e a tensão no ar ficou sufocante.

— Sai de perto dela, agora! — Ele gritou, sua voz ecoando pelo quarto, carregada de uma fúria tão intensa que fez até Caleb congelar por um segundo.

Caleb, sempre com aquele sorriso nojento, deu uma risada curta, desdenhosa, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Ethan o agarrou pelo colarinho e o jogou contra a parede com uma força brutal.

— Você é surdo? — Ethan rosnou, o rosto a poucos centímetros do de Caleb, cada palavra sendo cuspida com um ódio palpável. — Eu falei para você sair de perto dela!

Caleb tentou abrir a boca, talvez para soltar mais uma de suas provocações idiotas, mas Ethan o empurrou de novo, ainda mais forte, fazendo o corpo dele bater contra a parede com um impacto seco.

— Se você tocar nela mais uma vez... — a voz de Ethan estava baixa agora, quase um sussurro ameaçador, mas era o tipo de tom que congelava o sangue. — Se você ousar sequer olhar para ela de novo, eu juro por tudo que é sagrado, Caleb, que eu vou acabar com você. Eu vou fazer você se arrepender de ter nascido.

Ele deu um soco na parede, do lado da cabeça de Caleb, com tanta força que ouvi o gesso rachar. Caleb piscou, surpreso, o sorriso finalmente desaparecendo do rosto dele.

— Você acha que isso é brincadeira? — Ethan continuou, a raiva explodindo a cada palavra. — Acha que pode entrar aqui, tocar nela, se aproveitar dela como se ela fosse um brinquedo? — Ele deu uma risada amarga, sem humor nenhum. — Eu vou te ensinar uma lição, Caleb. Você nunca mais vai se esquecer do meu nome.

Caleb tentou se soltar, mas Ethan o segurava firme, o olhar implacável.

— Você é patético, nojento — Ethan cuspiu as palavras. — Se eu pegar você de novo, se eu ouvir que você tentou qualquer coisa, eu não vou pensar duas vezes antes de quebrar cada osso do seu corpo.

O quarto estava tão silencioso que eu podia ouvir minha própria respiração acelerada, e Caleb, que normalmente nunca demonstrava medo, agora parecia assustado, as palavras presas na garganta.

Ethan o empurrou para longe, como se estivesse dispensando um pedaço de lixo.

— Fora daqui. E reza para eu nunca mais te ver perto dela — Ethan disse, a voz um rosnado baixo, perigoso.

Caleb, sem mais nenhuma palavra, tropeçou em direção à porta, o olhar de Ethan ainda queimando em suas costas até ele desaparecer completamente do quarto.

Ethan ficou ali, parado, ofegante, os punhos cerrados. Eu podia ver seus ombros subindo e descendo com a respiração pesada, mas quando ele finalmente se virou para mim, toda a raiva desapareceu em um instante.

Caleb é levantado por ele e jogado para fora do quarto, num ato de defesa, me encolho e abraço meu corpo ainda paralisada.

Ele passa as mãos pelo cabelo agora bagunçado e sua respiração ofegante.

— Meu deus, ele te fez alguma coisa?

Ele se aproxima lentamente, achando que eu pudesse me assustar com ele, o mesmo me analisa mas ao contrário de Caleb, seu olhar não é de malícia e sim de preocupação.

Nego ainda paralisada, sentindo minhas mãos tremerem, minha cabeça e costas doerem, começo a ofegar e Ethan me puxa para um abraço.

— Vai ficar tudo bem, eu prometo, eu não vou deixar nada acontecer, ele não vai chegar perto de você.

Ele segura meu rosto com delicadeza e limpas as lágrimas que não saiam do meu rosto há muito tempo.

Depois de alguns minutos me acalmando, ele se afasta.

— Eu vou te deixar sozinha para se trocar.

Seguro o braço e nego ainda com a voz rouca e embarganhada.

— Eu só vou ficar atrás da porta, não se preocupe.

Relutante, solto o braço dele. O mesmo fecha a porta e ainda tremendo me troco rapidamente.

Deixo mais algumas lágrimas caírem e ao terminar, deixo meu cabelo solto.

Ao abrir a porta, ele me olha com um olhar de pena.

— Por favor, não me olha assim.

— Desculpa, mas me apavora que se eu não tivesse vindo te ver, ele teria feito sabe-se lá o que.

— Não quero mais pensar nisso.

Ele me abraça de novo e ficamos assim por um longo tempo.

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