Ao pousarmos, por algum motivo, Ethan me ajuda com as malas, mas não agradeço, meu orgulho não deixa.
— Ok, vamos ao hotel fazer o check-in e aí vamos ao hospital.
— Mas eu já disse que não quero ir.
— Uma pena, você vai.
Tento com dificuldade tirar minha jaqueta, mas devido à tensão dos ombros não consigo.
— Deixa eu te ajudar com isso.
Ele tira a jaqueta dos meus ombros e a dobra cuidadosamente, colocando-a em cima da mala.
— Melhor?
— Eu não pedi sua ajuda.
— Eu só estava sendo educado, mas se você quiser se ferrar sozinha, fique à vontade.
Ele anda mais rápido e tento o acompanhar. Babaca.
— O quê? Sua língua afiada é mais rápida que seus pés?
Seguro a vontade de bater nele e entramos no hotel, que, por um acaso, ficava ao lado do aeroporto.
Me sento no sofá enquanto ele fazia o check-in, mexo no celular quando escuto uma pessoa me chamar.
— Belle?
Levanto minha cabeça e sorrio ao ver meu melhor amigo, Caleb.
— Caleb, que surpresa!.
— Digo o mesmo, menina que rouba livros.
— Ah, isso faz tempo. — rio e ele me abraça.
— O que faz em Miami?
— Ela está comigo em um caso de uma cliente. — Ethan se aproxima sorrindo e coloca a mão em minha cintura. Tento me afastar dele, mas seu aperto se intensifica e não nego que fico nervosa.
— Ethan. . .
— Olá, Caleb, como vai?
— Bem, como você está? Ainda sendo capacho da Belle?
— E você? Anda sendo iludido, achando que ela gosta de você?
— Já chega, vocês dois.
Ethan olha para o relógio e puxa minha cintura.
— Precisamos ir.
— Ah, certo. Nos vemos depois, Caleb?
— Claro, ainda continua com o mesmo número?
— Sim, podemos tomar um café qualquer dia desses.
— Ótimo.
— Ela não vai poder, infelizmente, temos muitos casos para resolver.
Ethan exibe um sorriso irritante quando sabia que tinha algum jogo ganho.
— Bom, Belle, depois nos vemos.
Caleb se afasta e Ethan ri, finalmente me libertando de seu aperto.
— Qual é o seu problema?
— Nenhum, por que, ao invés de ficar flertando, você não aprende a ser menos grossa e perder menos tempo? Precisamos nos concentrar neste caso e não em conversas fiadas.
Olho para ele desacreditada e me aproximo, o encarando.
— E quando você vai amadurecer e parar de ficar brincando no trabalho como se fosse meu namorado?
Ele fica em silêncio e caminho e pego a minha chave da mão dele.
Entro no elevador e sorrio, fechando com maldade a porta antes dele chegar e aceno para ele debochadamente.
Chego no meu quarto e me jogo na cama, sem me importar com as dores nas costas e na cabeça.
Fecho os olhos e minha mente vaga pelo espaço sideral que é.
Após alguns minutos, permaneço de olhos fechados, mesmo escutando a porta se abrir num baque.
— Você se acha muito engraçadinha, não é?
— Não me lembro de ter te autorizado a entrar no meu quarto, e se eu estivesse nua?
— Bom, não teria visto nada do que já não vi.
Me levanto rapidamente, ignorando o protesto que minha cabeça faz e não nego que meu rosto começa a queimar.
— O quê? Deixei a princesa com vergonha?
Ele se aproxima lentamente e me afasto.
— Ué, cadê aquela Lara que me odeia tanto e tem tanta coisa para falar mal de mim?
Estamos tão perto um do outro que consigo sentir seu hálito em meu rosto, meu coração começa a bater rapidamente e xingo de todos os nomes possíveis essas borboletas malditas no meu estômago.
Isso é completamente a raiva que sinto por ele. Só pode ser isso. É, é isso, apenas raiva, muita raiva acumulada.
Por um milagre, nossos celulares tocam e nos entreolhamos antes de perceber que é uma mensagem de áudio do nosso chefe.
“Jonathan e Larabelle, onde diabos vocês estão? A cliente me ligou dizendo que vocês ainda não chegaram”
Começo a pegar minhas coisas enquanto Ethan inventa alguma desculpa.
— Que merda! Tudo culpa sua.
Troco meu sapato de salto por um tênis e arrumo meu cabelo.
— Eu? Demorei uns dez minutos para saber onde eu estava! E você que ficou flertando com o seu amiguinho lá embaixo.
— Eu só estava conversando com o Caleb, nada demais.
— Sei.
Ele sai do quarto e abro minha mala, pegando rapidamente a minha pasta com os documentos e informações necessárias para o caso.
Coloco meu blazer e solto o cabelo, assumindo uma postura profissional.
Encontro Ethan esperando na frente do táxi e entramos.
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— Eu ainda vou te matar.
— Eu que vou te matar.
Entramos na cafeteria e paramos ao vermos a cliente se aproximar.
— Senhora Brooks?
— Sim?
— Somos os advogados para te representar, somos da Crowell.
— Ah, sim, é um prazer conhecê-los. São meio jovens, não é? Devem gostar muito da profissão.
Sorrio e já a acho uma graça.
— Sentem-se, querem alguma coisa?
Ethan abre a boca para falar algo, mas lhe cutuco e nego.
— Não queremos nada, mas obrigada.
— Ok.
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Conversamos durante horas, mesmo morrendo de dor, continuo focada no caso, procurando entender como podemos melhorar a situação dela. Ela foi acusada de bater numa criança em um shopping, e para piorar, a mãe disse que viu tudo.
— Bom, iremos fazer tudo o que tivermos ao nosso alcance para garantir a verdade.
— Ótimo, foi prazeroso conversar com vocês dois, me senti realmente representada e creio que tudo vai se resolver.
— Estamos aqui para isso, senhora. — Ethan sorri e nós três nos levantamos, nos despedindo dela.
— Agora vamos ao hospital.
— Ethan, eu já disse, isso não é necessário.
Ele pega o celular e começa a ligar para Jonathan, mas arranco de sua mão e desligo.
— Tudo bem, eu vou.
— Perfeito, vou ligar para os meus pais, sei como você é e não quero que você seja motivo de conversa no hospital.
— Por que diz isso?
— Por nada.
Ele fala em italiano no telefone e fico observando a linda noite que está Miami, um clima agradável, abafado, com um monte de estrelas brilhando, como se fossem histórias implorando para serem lidas e lembradas.
— Vamos.
— Precisamos esperar o táxi.
— Precisamos? — Ele me olha com um olhar divertido e abre a porta de uma Bugatti que para em frente à cafeteria.
— Como você é irritante.
— É, você já me falou isso muitas vezes.
Entro no carro e ficamos em silêncio o tempo todo, ao chegarmos no imponente hospital, travo me recordando do porquê eu sempre evitei vir aqui mesmo estando extremamente perto. Porque é dos pais dele e eu era a namorada dele.
— Vamos, tem uma entrada por aqui, ninguém vai te reconhecer.
Dou uma última olhada para o prédio e o sigo.
Ele passa o cartão de acesso e não consigo evitar revirar os olhos, muito típico de filhinho de papai chegando nos lugares por ser privilegiado.
As grandes portas de vidro se abrem e fica um clima extremamente estranho, hoje é apenas um colega ajudando sua colega a ir ao hospital dos pais dele, anos atrás seria o garoto levando sua namorada para conhecer os sogros.
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Atualizado até capítulo 42
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