Tenções no ar

Semanas se passam e Lara ainda continua estranha, em seu próprio mundo. Recentemente tivemos uma pequena discussão, mas não foi por mal, eu só queria ajudar ela, disse que seria bom que ela fosse a uma terapeuta, ela começou a brigar e dizer que não estava louca.

Depois de um tempo ela se acalmou e foi para o hotel enquanto eu resolvia algumas coisas com a nossa cliente, no dia seguinte ela pediu desculpas.

Batuco os dedos ao ver nosso voo ser chamado, porque voltamos hoje.

Ela pega a mala e logo entra no avião. Me sento ao lado dela e lhe dou um salgadinho.

— Está meio estressada, tom, coma. Sei que não comeu nada.

— Como sabe disso?

— Quando você come, você fica com sono, o que não aconteceu hoje.

Ela revira os olhos e sorrio.

— Aproveita e veja a sua corrida, sei que perdeu.

— Se me contar quem ficou no pódio, eu te mato.

— Ok, não falo.

Ela pega o salgadinho e coloca os fones, dando play na corrida. É impressionante como ela parece outra pessoa quando está assistindo uma corrida de Fórmula 1, nem parece aquela garota que ficou extremamente desconectada da realidade dura em que entrou desde daquele dia.

Aproveito e começo a ler umas matérias sobre Fórmula 1, não sou fã, mas ela fala tanto que decidi dar uma chance.

Ela começa a bater os pés animadamente e me inclino sobre ela para ver o que ela tanto sorri. Oscar Piastri no pódio. É impressionante como ela pode gostar de um cara que nem sabe que ela existe. Reviro os olhos.

Volto a ler e ficamos nesse silêncio, ela assistindo à corrida e eu estudando mais sobre elas.

Depois de um tempo, ela suspira tirando os fones e sorrindo.

— Essa foi uma das melhores corridas que já vi na vida.

— Eu sei, Piastri no primeiro lugar, Leclerc em segundo e Russell em terceiro.

— Espera aí, como sabe?

— Eu assisti ao vivo. — Digo passando o dedo pelo tablet.

— Você? Assistindo Fórmula 1? Eu duvido. Você odeia.

— Eu não odeio! Eu só não gosto.

— Você odeia porque sua ex namorada te trocou por um piloto.

Paro de rolar a página e olho para ela.

— Ah qual é, não pode negar.

Suspiro e desligo o aparelho, me virando para ela.

— Não precisamos falar sobre isso.

— Agora não posso nem mais surtar porque estamos num avião e porque não tenho com quem conversar nesse momento.

— Pode falar comigo.

— Nem pensar. Você nem entende de Fórmula 1.

— Sei o suficiente para ter uma conversa com alguém sobre isso, principalmente se esse alguém for você.

— Por que o esforço agora?

— Você gosta e pensei em dar uma chance, você fala tanto.

— Ok, mas falo muito rápido quando falo de F1.

— Tudo bem, eu aguento o tranco. — Ela dá uma risadinha e se vira, me dando total atenção, o que me faz sorrir ao vê-la tão animada, comparada a antes.

Pousamos bem na hora em que ela termina de contar sobre a vitória da McLaren, Ferrari e Mercedes, mesmo eu já sabendo.

— Então está me dizendo que começou a gostar do Piastri porque sonhou com ele?

Solto uma risada, e ela coloca o pé na frente me fazendo escorregar e quase cair.

— Não fale como se fosse nada. Mudou completamente a minha vida.

— Certo, perdoe meu comportamento, senhorita.

Desço as escadas e fico na ponta, e estendo a mão para ajudá-la a descer.

— Vou agradecer porque sou educada.

— Claro, e ganhou essa habilidade hoje? Porque nunca agradeceu.

— E é por isso que eu nunca agradeci.

Caminhamos em direção ao táxi e suspiro.

— Pronta para voltar ao lugar estressante do qual saímos?

— Não.

— Ei… Tem certeza de que quer voltar? Podemos falar com o Jonathan, explicar o motivo—

— Não. Proponho esquecermos isso e voltar ao normal, trabalho é trabalho e pessoal é pessoal. — Ela me corta.

— Larabella, aquilo não foi apenas um incidente ou algo sem importância. — Passo as mãos pelo cabelo, irritado. — Poxa…

— Não vou deixar aquilo afetar meu trabalho, ele ficou lá e eu estou aqui, esse assunto morre aqui e eu nunca mais falo com você se falar alguma coisa para alguém.

Antes que eu possa dizer algo, ela começa a andar mais rápido e entra no táxi, ficando em silêncio até chegarmos na empresa.

Ao chegarmos, ela sai imediatamente e só não sigo ela imediatamente porque senão nossas malas iam embora. Pago o taxista e entrego meu endereço a ele.

— Entregue na portaria nossas malas, por favor.

— Eu não faço esse tipo de serviço, senhor.

Entrego uma nota de 50 para ele.

— OK, tudo bem. Tenha um bom dia, senhor.

Ele sorri indo embora.

Corro até ela e coloco as mãos no bolso.

— Tudo bem, você quer fingir que nada aconteceu? Ótimo, mas como acha que vão reagir ao ver que nem brigar mais comigo você faz?

Ela para e me olha.

— É só falar que amadureci.

Dou uma risada sincera. 1 Nunca ouvi uma mentira tão ruim quanto essa.

— Tem uma melhor?

— Tenho, que somos amigos agora. — Coloco meu braço em seu ombro.

— Sai para lá, ninguém vai acreditar nisso.

— Quer apostar?

Ela me olha e sorri, um sorriso que ela só dá quando falam em apostas.

— Ok, se insiste. Se eu ganhar, você terá que me levar para assistir à corrida. Se você ganhar…

— Certo. Você terá que sair em cinco encontros comigo.

— Prefiro morrer, valeu.

— Pensei que gostasse de apostas.

Ela bufa olhando para o céu e depois se vira para mim.

— Tudo bem. — Ela aperta a minha mão e entramos no prédio, sendo recepcionados por Jonathan.

— Aí estão os meus melhores advogados! — Nos cumprimentamos e vejo Lara ficar tensa quando Jonathan a abraça.

— O que foi, querida?

— Nada, estou apenas cansada, esse ser aqui do lado me incomodou o voo inteiro.

— Uma pena, bom, vamos conversar no meu escritório?

Seguimos ele e nos sentamos enquanto ele fecha a porta, tentando impedir olhares curiosos dos nossos colegas.

— Soube que houve alguns incidentes, em Miami.

— Entendo que isso pode ter trazido possíveis reclamações, senhor, e estou disposta a pagar alguma punição.

— Larabelle, para de falar como se você tivesse matado alguém. Você ficou nervosa e está tudo bem, somos humanos. — digo a tranquilizando.

— Ethan tem razão, Lara. Conversei com nossa cliente, ela ficou muito preocupada, mas entendeu sua situação, por isso decidiu continuar conosco. Só peço que, quando não se sentir bem, saia, porque isso poderá acarretar advertências.

— Eu entendo, senhor.

— Bom, mudando de assunto, fico muito feliz que não chegaram brigando, isso representa muito para a empresa. — ele sorri e vejo ela revirar os olhos.

— Pois é, batemos um papo e decidimos que pelo bem da empresa, não vamos brigar mais.

— Pois é... adoro meu trabalho para deixar essas brigas acabarem com a minha carreira.

— Perfeito. Vocês devem estar cansados da viagem e por todos os acontecimentos, por isso vou deixar vocês irem para casa, mas caso alguém pergunte… — ele se aproxima da gente como se fosse contar um segredo. — Diga que mandei se encontrarem com uma cliente.

Assentimos e ele dá batidinhas em nossos ombros. Nem parecendo nosso chefe.

Ela pega sua bolsa que havia deixado na mesa e suspira.

— Dia difícil, aceita um café?

— Não. Tudo o que quero é ir para a minha cama.

— Espera aí, vocês vão para casa? — Angélica, uma de nossas colegas diz.

— Não, ela disse que quer ir para casa, não que vai. Temos que nos encontrar com uma cliente na cidade vizinha, provavelmente voltamos amanhã.

— Sei…

Ela sai e suspiramos indo embora, mas antes acompanho Larabelle até o carro dela.

— Se precisar de alguma coisa, não hesite em me ligar.

— Não vou te ligar.

— Então invado sua casa.

Ela dá uma risadinha e vai até o carro, mas se vira.

— Ethan…

— O quê?

— Obrigada por tudo.

— Não precisa agradecer.

Sorrimos e observo ela ir embora. Sinto uma coisa estranha, um sentimento que só senti na faculdade. Droga.

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Kruzery

Kruzery

Inspiração 💡

2024-08-23

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