Acordo com muita dor de cabeça e me levanto, pegando um comprimido na cômoda, isso tem acontecido mais frequentemente do que eu gostaria.
Vou ao banheiro e tomo meu banho. Saio já trocada: Uma calça preta, uma blusa de seda amarela e uma jaqueta preta.
Sinto uma tontura repentina e me seguro na penteadeira. Respiro fundo segurando a vontade de vomitar e fecho os olhos.
A porta do meu quarto é aberta e Suzy entra com um sorriso inicialmente, mas logo desaparece ao me ver apoiada.
— Ei, o que houve? Lara. . .
— Estou bem. — Me levanto, abrindo os olhos.
— Não, não está e dá para ver isso na sua cara, está pálida, acho melhor não ir trabalhar hoje.
— Estou bem e está louca se vou faltar mais um dia. Estou apenas com dor de cabeça.
— Então vou com você.
Suspiro derrotada e ela pega minha bolsa, me levando até seu carro.
— Já acordou assim?
— Já, deve ser o estresse.
— Tem comido direito?
— Sim, Suzy. Tem como ficarmos em silêncio?
— Certo. Desculpa.
O caminho todo fico em silêncio, desligando até mesmo chamada do nosso chefe.
— Deveria contar a ele.
— Vou contar, quando chegar na empresa.
— Você tem certeza de que está bem o suficiente para ir trabalhar? Podemos ficar em casa ou ir para o hospital, não o da sua mãe, é claro. — Ela logo se corrige ao ver minha careta.
— Vou ficar bem, prometo que se eu piorar, eu vou ao médico.
— Ótimo.
Chegamos na empresa e logo fecho os olhos tentando segurar a enorme vontade de vomitar.
— Vou indo na frente, preciso tomar uma água.
— Claro, te vejo depois amiga.
Ela me abraça e entro na empresa, ignoro todos e vou até o elevador e clico no botão do 4° andar, me encosto na barra de ferro e começo a fazer massagem nas têmporas. Ignoro a pessoa que coloca a mão na porta, a impedindo de se fechar e então entra.
— Decidiu vir ao trabalho?
— Hoje não, Ethan.
— O que houve? — noto um tom de preocupação em sua voz.
— Nada.
— Olha, sei que não gosta de mim e tudo mais, mas saiba que trabalhamos juntos agora e que se você não é eficiente, Jonathan vai pegar no nosso pé e me preocupo com nosso futuro nesse emprego.
Olho para ele e ao ver ele sério, o que é raro, decido dizer, que mal há, não é? Não preciso me fechar o tempo todo.
— Acordei com dor de cabeça.
— É por isso? Por que veio trabalhar então? Não acho que Jonathan não autorizaria sua melhor funcionária trabalhar quase desmaiando.
— Não estou quase desmaiando, não seja dramático.
— Não é isso que sua aparência diz.
Olho para ele de esguelha.
— Estou sem maquiagem, por isso estou pálida.
— Você pode tentar enganar qualquer um, até mesmo o Jonathan, mas não se esqueça que eu te conheço há mais tempo.
Seguro a enorme vontade de revirar os olhos e as portas metálicas do elevador se abrem. Jonathan então se aproxima.
— Pensei que tinha falecido.
— E deixar essa empresa na mão? Jamais. — Forço um sorriso.
— Não vai ser descontado esses dois dias no seu salário, Vivianne me disse que foi ontem.
Desvio o olhar dele sentindo vergonha. Pelo Amor de Deus, que ele não fale da terapia na frente do Ethan. Não quero que ele tire proveito disso, aí, sim, ele vai me chamar de doida.
Noto um sorriso cínico em seu rosto e mordo o lábio.
Idiota, mil vezes idiota. Como ele consegue ser tão calmo mesmo depois do que aconteceu? Ele me arruinou e ainda, sim, parece que nada afeta ele.
Sou tirada dos meus pensamentos com Ethan me olhando curiosamente e Jonathan preocupadamente.
— Tudo bem, Lara?
— Sim, estava pensando em umas coisas.
— Certo, Lara e Ethan, vocês irão para Miami ainda hoje, temos uma cliente muito importante, porém não conseguirá vir até aqui, então vocês irão. Lembrem-se, ajam profissionalmente, entendeu, Larabelle?
Assinto sem ter muita força de vontade de falar hoje.
— Ótimo.
Ele vai embora e Ethan coloca o braço ao redor do meu pescoço me puxando para perto dele.
Noto o sorriso cínico em seu rosto e, imediatamente, sinto o sangue ferver. Idiota. Babaca, mesquinho, mauricinho… Como ele consegue ser tão calmo depois de tudo o que fez? Ele me arruinou, e age como se nada disso importasse. A tranquilidade dele só piora as coisas.
Mordo o lábio com força\, tentando controlar a onda de raiva. Meus músculos estão tensos e meus pensamentos giram ao redor da mesma pergunta. *Por que ele nunca parece ser afetado por nada?*
Ele me puxa para perto, um gesto casual e, para ele, talvez até reconfortante. Mas, no instante em que sinto o contato, minha reação é completamente diferente. Eu travo.
Se fosse na época da faculdade, esse gesto teria arrancado um sorriso, talvez até me fizesse esquecer o quão idiota ele era. Ethan sempre foi aquele amigo que me fazia sentir segura, que trazia uma sensação de normalidade. Mas agora… agora, isso só me faz lembrar de como tudo mudou. O toque que antes me confortava agora parece estranho, deslocado, como se não houvesse mais espaço para esse tipo de intimidade entre nós.
Meu corpo fica rígido\, e mesmo que eu tente disfarçar\, a tensão é evidente. *Não é a mesma coisa. Não existe mais aquele sentimento\, aquela cumplicidade entre nós.*
— Você está bem? — ele pergunta, a voz baixa, sentindo que algo está errado.
— Estou — murmuro.
Mas por dentro, estou longe de estar bem. Esse braço ao redor dos meus ombros, que antes me trazia paz, agora me traz nervosismo e irritação. E o sorriso daquele idiota continua gravado na minha mente, como um eco irritante que não consigo ignorar.
Me afasto dele e vou para o meu armário, pegando uma maleta pequena que sempre deixo aqui, caso tenhamos que fazer uma viagem.
Passo em casa e pego outra mala, ao sair do quarto, sinto uma tontura muito forte, procuro me segurar em algo, mas acaba nem dando tempo e escorrego, caindo.
Na queda, bato as costas na parede e murmuro.
Me lembro da dica que Suzy me deu há um tempo. Colocar o dedo indicador e médio juntos entre as sobrancelhas e pressionar por alguns segundos.
Sinto a tontura melhorar depois de alguns segundos e me levanto, mas ainda sentindo muita dor nas costas.
Mesmo com dor, disfarço e volto para a empresa quase desmaiando no processo.
Quando chego, Ethan está do lado de fora do prédio com duas malas e uma pasta tira-colo de couro marrom.
Típico, sempre se achando o melhor e querendo exibir a sua inteligência e dinheiro numa pasta. Grande coisa — penso.
— Demorou.
— Tive um probleminha.
— O que houve?
— Você é insuportável, sabia?
— Eu só estou preocupado com você, agora porque fica agindo como se eu tivesse feito algo para você?
— Porque você fez. — digo colocando as minhas malas no porta-malas do táxi.
— Então esclareça, porque eu não me lembro.
— Você é um babaca, escroto, idiota e muito mimado! — esbravejo, como ele pôde se esquecer do que fez comigo?
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O caminho até o aeroporto foi longo e silencioso, eu dormindo e ele fazendo sei lá o que.
Quando chegamos, nosso avião faltava pouco para decolar.
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Me sento na poltrona e coloco a mão na cabeça.
— Está tudo bem mesmo? Você parece uma Cullen. — Ele ri tentando aliviar o clima.
— Eu diria que está me elogiando.
— Os Cullen são feios!
— Óbvio que não, você deve ter visto os filmes errados, é impossível achar os Cullen feios, você com certeza não viu Jasper Hale, Rosalie Hale, Carlisle Cullen... É, você realmente não viu.
— Eu vi, mas não achei tudo isso.
— Péssimo.
Fecho meus olhos à procura de paz e estalo os dedos procurando reencontrar os movimentos das mãos.
Começo a balançar a mão, querendo que os movimentos volte.
— Vai falar o que tá acontecendo ou não?
— Não tem nada acontecendo.
— Eu não ia dizer nada, mas sua amiga me contou que você estava tonta hoje.
Xingo a Suzy e forço um sorriso. — Não é nada demais, só levantei rápido demais.
— Olha, não me lembro do que eu te fiz, mas saiba que estou genuinamente preocupado com você.
Reviro os olhos, logo me arrependo, e ele pega minha mão, acariciando. Tento puxar, mas ele segura mais forte.
— Fique parada, meus pais são médicos, eles me ensinaram a reconhecer quando alguém está com alguma parte do corpo dormente.
Mordo a língua ao sentir seu toque e por um momento sou levada até a época em que namorávamos na faculdade, seu toque continua o mesmo, quente.
Percebo que continua segurando minha mão e me afasto.
— Quando chegarmos, você vai para o hospital.
— Não pode me obrigar.
— Não, mas se não ir, eu conto para o Jonathan.
Sinto minhas costas repuxarem e engulo a vontade de gritar de dor.
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Atualizado até capítulo 42
Comments
Brennda Germany's
/Plusone/
2024-11-09
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Brennda Germany's
/Heart//Heart//Heart//Heart//Heart/
2024-11-09
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